
Hoje lembrei-me de ti. Não é algo propriamente raro... eu lembro-me de ti muitas vezes, sabes?
Mas hoje, hoje lembrei-me mais, lembrei-me melhor, lembrei-me de forma mais dolorosa e ao mesmo tempo, mais carinhosa. Lembrei-me de nós, da nossa amizade, de como nos tornámos mutuamente essenciais, de como éramos os melhores amigos do mundo, e de como tudo se foi desvanecendo, lentamente, com o tempo.
Hoje lembrei-me não só de ti, mas de nós. Lembrei-me da cumplicidade extrema, dos beijinhos nas bochechas, na testa e no nariz, lembrei-me dos abraços infindáveis, das massagens ao sol, das tardes na praia. Lembrei-me das gargalhadas que faziam doer a barriga, das corridas pela relva, das festas na piscina, dos mergulhos, dos empurrões, das guerras de comida. Lembrei-me de quando me pegavas ao colo e corrias comigo para dentro da piscina, ou de quando me pegavas ao colo e rodavas comigo em círculos, até ficarmos tontos e cairmos no chão a rir como dois doidos. Lembrei-me de quando estava mal e chorava, chorava e tu chegavas, abraçavas-me e fazias-me chorar ainda mais, mas depois sorrias e tudo ficava melhor, mais quente, mais bonito. Lembrei-me de pormenores tão ínfimos como as vezes em que eu saía da piscina, com frio, a tremer, e tu me enrolavas numa toalha com todo o cuidado e me abraçavas, prendendo os meus braços e fazendo-me sentir protegida de tudo e todos. Ou de quando me vinhas buscar a casa, paravas em frente ao portão, abrias a porta da frente do lado do passageiro do passageiro e apitavas três vezes - eram sempre três vezes. E lembrei-me de quando me chamavas "Pi": só me chamavas Pi quando querias dizer que gostavas de mim mais do que de todas as coisas, mais do que de todos os teus amigos, mais do que da tua (ex)namorada, mais do que de tudo o que havia na tua vida. Só me chamavas Pi quando querias que eu me acalmasse e te desse ouvidos, a ti e à tua razão. Só me chamavas Pi para me animar. Só me chamavas Pi nos momentos mais importantes. E eu adorava que me chamasses Pi, porque era um dos "nossos" momentos, só nossos.
Tenho muitas saudades tuas, meu querido. Acho que de todos os amigos que fazem ou fizeram parte da minha vida, nunca ninguém teve uma amizade tão bonita comigo. Eu continuo a afirmar que não havia amor, apesar de muitos acharem que sim. Não, meu querido Diogo, o que nos unia não era amor, amor de paixão. Era algo ainda mais forte: éramos irmãos, verdadeiros irmãos. E eu só queria ter-te, ter-nos de volta.
E nunca te esqueças: vou estar sempre, sempre aqui, meu melhor amigo, sempre contigo. «3
@