Nesta altura, todos os anos costumo fazer um balanço do ano que passou, e todos os anos me costuma agradar ter de olhar para trás e pensar no que passou, porque costumo ter boas memórias. No entanto, 2013 também nisto - como em quase tudo o resto - se revelou uma excepção... e infelizmente não das boas.
Em boa verdade, ando há dias e dias a evitar ter de escrever este balanço, mas as tradições são para cumprir e espero que no fim acabe por me fazer sentir melhor pensar em tudo o que aconteceu - quanto mais não seja, por isso mesmo, por saber que já passou!
Incrivelmente, 2013 até começou bem: mais que isso, começou da melhor maneira possível, na altura. Estava apaixonada e até tive a sorte de a pessoa por quem eu estava apaixonada também gostasse de mim (ou algo do género). Por isso os primeiros três meses do ano foram, na sua quase totalidade, óptimos. Então, isso não será suficiente para querer guardar este ano na memória? Pois... a resposta é um redondo "não"!
Porque os meses que se seguiram - um Abril muito preocupado, um Maio e um Junho terríveis... - foram, em grande medida, capazes de anular todo o bem que adveio dos três meses anteriores. Na minha opinião, paguei um preço demasiado alto para tão pouca felicidade e se calhar, se fosse agora, tinha preferido não ter tido aqueles primeiros meses, se isso significasse não ter o resto também. Porque depois de tudo, sobram quatro palavras: não valeu a pena.
Cheguei às férias de Verão num estado lastimável a todos os níveis, mas de alguma maneira consegui recuperar-me, aos pouquinhos, com a ajuda das poucas pessoas que realmente estiveram comigo em tudo e me ajudaram todos os dias, mesmo que não estivessem fisicamente presentes. Essas pessoas são aquelas que vou levar comigo deste ano para a frente, e são muito menos do que aquelas que perdi este ano, mas ainda hoje li uma frase que acho muito certa para este ano e para este assunto em particular: there comes a certain point in your life where you don't care anymore about how many friends you have; you just want them to be real ones. E é muito isto.
Julho trouxe-me aqueles que foram, muito provavelmente, os melhores oito dias do ano todo, passados em Barcelona. Mais uma vez confirmei que é a minha cidade, mais do que qualquer outra. Lá, tudo é mais bonito e todos os sonhos parecem possíveis e apaixonei-me ainda mais intensamente por tudo. Mais que isso, ter passado aqueles dias em Barcelona foi essencial para eu voltar a ter esperança no futuro e para voltar a ter objectivos na minha vida. Ter passado aqueles dias em Barcelona foi o que me fez perceber, realmente, que a vida não acabava só porque a minha relação tinha acabado, e que havia (e há) muito mais e, sobretudo, muitas mais pessoas neste mundo que vale a pena esperar para conhecer e descobrir.
O Verão passou-se calmamente, com muitas festas de família, e é também esse outro dos factores mais marcantes do meu 2013: a família. Ganhou uma importância ainda maior do que aquela que já tinha, e de facto confirmou-se como a melhor coisa do meu mundo este ano, juntamente com alguns amigos que considero quase família porque não me dou sem eles. Podia nomeá-los, mas não vale a pena - espero poder, todos os dias ou tão frequentemente quanto possível, fazê-los perceber a sua importância sem ter de escrever aqui uma lista de nomes e arriscar esquecer-me de alguém. Mas foi um ano em que conheci novas que passaram a fazer parte do meu dia-a-dia e em que me reaproximei de outras que já conhecia e nunca pensei virem a ter um papel tão importante.
É por aí mesmo que pego nos meses restantes do meu ano: os amigos que (re)descobri e que me fizeram perceber que se calhar até vou ter algumas saudades dos meus tempos de faculdade, mas somente por causa deles e de nada mais. Já escrevi um texto aqui há dias sobre isto e não me vou repetir, mas é basicamente isto.
Estas últimas semanas têm sido atribuladas, por diversos motivos, e o tempo para pensar não tem sido muito, (in)felizmente. E agora chego ao fim deste texto, ou quase, e apercebo-me que também não preciso de tempo para pensar. Neste momento, não tenho nada na minha vida que mereça verdadeira reflexão - as decisões que tinha para tomar até aqui foram tomadas, aquelas que vou precisar de tomar num futuro próximo não precisam de ser pensadas já. Quanto às outras coisas que me têm confundido mais recentemente, não dependem (só) de mim e não há (mais) nada que eu possa fazer, pelo que estou descansada quanto a elas também - o que tiver de ser, será!
Se tivesse de escolher uma só frase para descrever este ano que (quase) passou, escolheria uma bem conhecida (e cliché, eu sei, mas não menos verdadeira por isso) em inglês: "Some people come as blessings, other come as lessons."
Acho que posso dizer, com alguma certeza, que vou despedir-me de 2013 em paz com tudo e, sobretudo, comigo também. O que tiver de ser, será e o que tiver de vir, virá - e que assim seja.
@