Meu amor,
É a primeira vez que te escrevo e é, também, a primeira vez que sinto vontade de o fazer. Porque, pela primeira vez, estás longe quando o meu coração está a explodir de coisas para te dizer; pela primeira vez, por muito que pudesse dizer-te através do telefone, sei que não ia ser o suficiente para me expressar convenientemente. Por isso decidi recorrer ao método que nunca me falhou sempre que quis exteriorizar alguma coisa: escrever. Escrever, absolutamente livre de restrições, escrever para ti, e para mim também - até porque não sei se algum dia vou mostrar-te estas palavras.
Os últimos quarenta e oito dias - sim, eu contei-os! - têm sido, sem sombra de dúvida, os melhores da minha vida. Ainda sinto necessidade de me beliscar todas as manhãs, quando acordo e me lembro de que te tenho e te posso chamar meu - o meu namorado. O meu amor. E se acordo ao teu lado, então... sinto sempre uma imensa necessidade de te beijar, de te abraçar, de saber que estás mesmo ali comigo e não estou a alucinar.
Não sei explicar-te o quão importante te tornaste para mim num tão escasso período de tempo. Por muito que possa ser "cliché" dizê-lo, uma vez que dizemos sempre isto no início das relações, a verdade é a seguinte: nunca me senti desta forma por ninguém, antes. Nunca me senti tão completamente apaixonada, e de forma tão saudável - posso precisar de ti mais do que de qualquer outra pessoa, posso já não saber como é viver sem te ter, posso não ser capaz de aguentar o mero pensamento de te vir a perder... e no entanto, por mais assustador que possa ser estar assim, sinto que o amor que tenho por ti é algo puro e bom. Faz-me bem. Fazes-me bem.
Como apaixonada que sou, passo largas horas da minha vida a ler romances impossíveis e a ver séries e filmes lamechas; já foram tantas as histórias de amor que fiquei a conhecer, que sei o suficiente para não achar que vai ser sempre tudo "cor-de-rosa" connosco - por mais que eu assim o desejasse.
Mas nós estamos na nossa fase de "lua-de-mel", em que nos fechamos na nossa "bolha" e deixamos o resto do mundo lá fora, em que conseguimos abstrair-nos totalmente de tudo enquanto nos perdemos um com o outro... um no outro. Ainda que tenha consciência de que não vai ser sempre assim, guardo muita esperança de que consigamos sempre manter viva esta nossa "bolha", para nos podermos resguardar de tudo e todos sempre que quisermos. Mais que isso - sinto que contigo posso ser e fazer tudo, porque me fazes sentir que o impossível não é assim tão inalcançável. Trazes ao de cima o melhor de mim, fazes de mim a pessoa que quero ser, e não poderei nunca agradecer-te o suficiente por me ouvires sempre (ou tentares), por me perceberes sempre (ou tentares) e por estares sempre lá para mim quando eu preciso de ti.
Fazes-me querer confiar plenamente em ti - algo que eu tinha prometido a mim mesma, há algum tempo atrás, que nunca mais faria com ninguém. Mas, mais uma vez, pões sempre à prova todas as minhas regras, todos os meus princípios, todas as minhas vontades.
E só me fazes querer mais. Querer-te mais, e mais, e mais.
Hoje não foi um dia fácil. Provavelmente, é por isso que decidi escrever-te hoje, de todos os dias - afinal de contas, e ainda que não o saibas, o meu "modus operandi" é sempre escrever apenas quando não estou bem.
Hoje, os meus maiores medos voltaram a ressurgir - e todos eles incluem perder-te, de alguma forma. Porque por muito que possa estar tudo bem entre nós os dois, há sempre factores externos que são uma ameaça, uma espécie de nuvem negra, que sinto em cima dos meus ombros mais vezes do que gostaria. E hoje... bom, seguindo a minha metáfora da nuvem negra, o mais acertado será dizer que hoje... choveu.
Gosto de pensar que sou madura para a minha idade, e no entanto hoje senti-me completamente pequenina e desamparada, como se estivesse a lidar com situações "de adultos". Costumava acontecer-me há alguns anos atrás, quando a minha família discutia à porta fechada, sem crianças, porque elas "não iam perceber". Hoje senti-me muito assim - como se ainda fosse uma criança e me fechassem a porta na cara, para eu não entrar num mundo que não me pertencia e com o qual eu não ia conseguir lidar.
Pedes-me sempre para confiar em ti e dizes-me sempre que não tenho motivos para me preocupar ou sentir ameaçada - mas por muito que eu queira, não sou capaz de acreditar completamente em ti. Afinal de contas, não é por nada que sou a pessoa mais insegura do mundo... E sendo tu aquilo que mais me importa, sinto que nunca vou estar completamente certa de que és meu, e só meu, e de que ninguém te vai roubar de mim.
Há sempre (pelo menos) uma "ameaça". Há sempre alguém que vai lá estar sempre, alguém com quem não consigo competir. Alguém que me assusta (muito), porque sinto que tem um certo "poder" sobre ti - e que temo, constantemente, que se estenda a nós também. E o meu maior temor é que o tempo não seja suficiente para curar feridas - como eu bem sei, há algumas que nunca cicatrizam por completo... E se as feridas não se curarem, não há paz.
E se não houver paz...
Não, hoje não foi, definitivamente, um bom dia.
Porque nem as palavras me valem. Nem elas me ajudam a libertar da tensão... do medo.
E quando nem as palavras são suficientes para me limpar a mente, o melhor mesmo é não tentar continuar a usá-las.
Não me despeço, no entanto, sem repetir: meu amor. És a melhor coisa do meu mundo.
E a esperança de que tudo vá ficar bem nunca me falta.
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