As pessoas não se esquecem, tornam-se indiferentes.

Nem acredito que já passaram sete meses desde que te perdi. É mesmo verdade que o tempo passa a voar...
Não sei explicar ao certo o que és para mim. Sei dizer o que foste: tudo. Já foste tudo para mim e tudo em mim, durante dois anos. E dois anos não se esquecem, nunca se esquecem. Se é verdade que me fizeste sofrer como nunca ninguém antes ou depois o fez, não é menos verdade que nunca gostei tanto de ninguém, durante tanto tempo. Se me pedissem para escolher a pessoa que mais me marcou até hoje, diria que foste tu. É a mais pura das verdades.
Durante muito tempo após me teres deixado, senti raiva, mágoa, frustração... tentei convencer-me, e ao resto das pessoas, que já não te queria, que já não me eras nada, que só te desejava mal e que esperava que morresses longe. É verdade. Lembro-me bem do que disse e fiz, e não posso negá-lo. Mas agora percebo, e preciso que percebas, que foi preciso sentir todo esse turbilhão de dor para perceber que eu nunca, nunca te iria conseguir esquecer. O que era preciso era que os sentimentos se transformassem em memórias, o amor em indiferença. E custou. Como todas as coisas que valem a pena, levou o seu tempo... mas consegui.
Hoje... hoje és uma memória. O João que passa por mim todos os dias na escola, que me cumprimenta apenas quando está sozinho e que finge que eu não existo quando está com a namorada, esse João é um estranho para mim. Porque o João que eu conheci, apesar de todo o mal que me possa ter feito, era a pessoa mais querida e sensível deste mundo, era a pessoa mais carinhosa, mais preocupada, mais prestável. Era o meu João, só meu. Essa pessoa fantástica perdeu-se a 4 de Abril deste ano, e nunca mais voltou - talvez tenha morrido nessa noite. Talvez nunca mais volte. Mas nunca será esquecida.
Tudo isto para quê? Para te desejar os parabéns porque fazes anos? Para dizer que fiquei contente por ter ganho coragem e ter ido à tua beira dar-te os parabéns? Para confessar que estava ansiosa por te tocar e para dizer que fiquei a tremer quando te inclinaste e me deste dois beijinhos e sorriste? Podia escrever para isso. É verdade.
Mas não. Escrevi para dizer que tenho saudades tuas e que gostava muito de voltar a ter-te na minha vida. Talvez não como dantes - (já) não te amo e ainda bem, porque não devo. Mas tenho saudades do meu João, tenho muitas, muitas, imensas saudades do meu João. E perturba-me quando me dizem que gostavam de me ver novamente contigo, porque tenho medo, muito medo de que um dia volte a desejar isso mesmo. Tenho medo de te voltar a querer... não sei se me farias bem.
Espero que percebas que estou a escrever este texto ao João, ao meu João, ainda que ele já não exista. Por isso, escrever foi como um regresso ao passado. Imagens tuas, nossas, correm-me pela mente e as lágrimas estão a cair no meu colo, porque as coisas não deveriam ter sido assim. Amei-te tanto... depois de tudo, eu merecia ter ficado contigo. Sempre disse que nós seríamos para sempre... e ainda acredito nisso. Vou gostar sempre de ti, ainda que não te ame. Quem sabe, um dia nos reencontraremos...
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