domingo, 27 de dezembro de 2009

:(

Tinha prometido a mim própria que desta vez não ia criar expectativas. Que não ia sonhar demasiado alto. Que não ia esperar ansiosamente por algo que não só não era certo, como nem sequer era ainda provável. Mas eu já devia conhecer-me... já devia saber que sou demasiado sonhadora para conseguir manter os pés no chão por muito tempo. Não que não seja capaz - sou, consigo ser bastante realista quando quero. Mas desta vez... desta vez não deu. A realizar-se, este sonho far-me-ia feliz, felicíssima, radiante de tanta felicidade, durante uns dias. A realizar-se, pôr-me-ia em êxtase quase completo. Mas é o que eu digo: a vida tem prazer em trocar-me as voltas! Em roubar-me a felicidade... em destruir-me os sonhos... e hoje não foi uma excepção.
Foi um Natal marcado por lágrimas. Gostaria de poder dizer que, apesar disto, estou feliz, e que foi apenas mais um golpe de azar... mas a verdade é que não foi. Foi uma dor bem ardente. Não queria que as coisas tivessem sido assim, mas suponho que no final, as pessoas desiludem-nos sempre.

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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Merry Christmas!

All I want for Christmas is you.

Este ano, já não estava à espera de um grande Natal. À medida que vou crescendo, a magia vai-se perdendo a pouco e pouco. Continuo a achar piada à árvore cheia de luzes, ao presépio, às ruas todas enfeitadas, aos presentes debaixo da árvore... mas agora valorizo muito mais a companhia daqueles que me são queridos. Se pudesse, se o Natal não fosse uma festa de família, pegava em todas as pessoas que amo e reunia-as à mesma mesa, na mesma casa. O Natal sempre foi a minha festa preferida e agora, com a pouca magia que ainda guarda, o que quero é mesmo ser feliz com quem me completa - os presentes não são tudo, não são mesmo nada, talvez porque tenho e sempre tive tudo o que quero. E este ano, não esperava um grande Natal porque vou estar apenas com um lado da família, o lado da família com que tenho menos ligação e, sinceramente, menos afeição. Diz-se que as diferenças de cada um fazem bem às relações, mas tudo o que é demais é erro... e este não é o meu ambiente. Até porque criei grandes expectativas para estas férias de Natal e estou a vê-las todas derrubadas, uma a uma. Só há duas prendas que me poderiam fazer mesmo feliz este ano. E não são prendas que se possam embrulhar e colocar debaixo da árvore, porque são prendas que me fariam feliz por dentro, que me aqueceriam o coração e que me fariam a pessoa mais feliz do mundo - nenhuma árvore seria capaz de abranger tamanha felicidade. Uma delas, já sei que não vou receber. Mas a outra... a outra ainda é uma incógnita. Veremos.

I don't want a lot for Christmas
There is just one thing I need
I don't care about the presents
Underneath the Christmas tree
I just want you for my own
More than you could ever know
Make my wish come true
All I want for Christmas is you...

( e não, respondendo a todas as questões deste género nestes últimos dias, não estou apaixonada. )

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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

voltar atrás ?

Suponho que a vida tenha prazer em trocar-nos as voltas e deixar-nos perdidos quando menos esperamos. E eu não estava, com toda a certeza, à espera do que aconteceu.
Não foi nada de especial, não foi mesmo. Aliás, foi uma coisa absolutamente banal, normal, mesmo ínfima: um simples pedido de amizade numa rede social. E o que é um pedido de amizade? Nada de especial. Se não tivesse vindo da tua parte. Mas foste tu... e quando se trata de ti... nunca consigo ficar indiferente.
Não estava à espera que me fosses adicionar. Mas o que não esperava era ficar a tremer e com o coração a bater forte por causa de uma minúscula coisinha destas. Não esperava ficar parada, sem reacção nem movimento, a olhar para a tua foto, presa no teu sorriso. Toda a gente sabe, no que me toca, que o teu sorriso é viciante. Já se passaram estes meses todos desde que partiste, e eu continuo a amar esse sorriso. Apesar de já não te amar a ti.
Mas, meu Deus, tu foste tanto... até há uns meses, eras tanto! Como é que estas coisas acontecem? Como? Porque é que temos de perder as pessoas que mais nos importam? Que mais queremos? Que são tudo para nós? Depois daquela terrível noite, já me fiz estas perguntas muitas e muitas vezes... e a resposta, se é que existe, é sempre a mesma: é tudo obra do destino. Para quem nisso acreditar.
Há bem pouco tempo perguntaram-me, Se já não gostas dele, porque continuas a escrever sobre ele? Porque continuas a deixar-te afectar? Porque lhe dás importância? Porque continuas a olhar para ele e a ficar como que 'presa' nele? Isso não são sinais de amor? Não. Para mim não são. Ou talvez sejam. Mas falta o mais importante: o sentimento verdadeiro. Já aprendi a distinguir amor de paixão, por exemplo, e sei que isto não é amor, e muito menos o amor que já senti por ti. O facto de ainda me afectares, de me preocupar contigo e de querer que continues na minha vida, por pouco que seja, não tem de significar que ainda te amo. Para mim, significa que já te amei. Que foste a pessoa até hoje que mais amei. Talvez a única que amei de verdade. Por ti tinha dado tudo. Tinha-me entregue até onde tivesse de ser. Tinha feito tudo o que pudesse ter feito só para não te perder. Mesmo que ficasses comigo naquela loucura que vivemos durante meses. Tudo isso tinha sido melhor, naquele dia, do que perder-te. Não sei como não dei em louca depois disso, juro que não. E ainda hoje não sei como te ultrapassei. Mas não esqueci. Ambos sabemos disso - eu disse que era para sempre, e vai ser mesmo.

"I may not love you anymore, but I know that a part of me will always want you. I know that I will always love you, no matter who else appears in my life. You were the first one to touch my soul. And you touched it so deeply that the scars will live on. But I guess nothing lasts forever and time takes it all away. So I'm keeping you in my heart, mind and soul so that I can always remember you, as an example - for the good and the bad moments. You'll always be with me. I just hope I'm always with you too..." é que é mesmo isto.

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aii ,

Deu-me uma súbita vontade de escrever, mas não posso dar asas à imaginação agora. É tarde, estou cansada e dorida (por dentro e por fora) e apesar de sentir alguma 'inspiração', não vou entregar-me à escrita agora porque não é o que me faz falta - uma cama, cobertores fofinhos, uma almofada alta, escuridão, silêncio e muito muito muito descanso. Isso sim, faz-me falta. De preferência com sonhos cor de rosa, ou pelo menos coloridos, que me façam esquecer um pouco esta realidade que ando a viver. Não é que ela seja a preto e branco, porque felizmente (já) não é - mas mesmo assim, as cores da minha vida andam demasiado baças para o meu gosto. Não tenho nada nem ninguém que me faça verdadeiramente feliz e é um pouco cansativo estar sempre à procura daquilo que não encontramos, ou então que encontramos e no final, não era o que queríamos nem o que precisávamos.
Uau. São 2h45 e estou a deixar-me levar por estas filosofias estúpidas que me correm na cabeça nos últimos tempos, quando já nem consigo abrir bem os olhos e estou a fazer um esforço tremendo para encontrar as teclas certas. Mesmo assim, sinto-me impelida a ficar por aqui mais uns momentos. Cada letra que escrevo traz um pouco mais de calma ao meu coração. Não que precise de calma. O que eu quero é agitação... animação... vida! Paixões, alegrias e amor, sobretudo amor, amor, amor.

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domingo, 20 de dezembro de 2009

I didn't want it to be like this ,

Do mesmo modo que há uns dias escrevi que apreciava as mudanças, hoje já me contradigo enquanto escrevo que não as desejo mais. É engraçado como quando começo a gostar de uma coisa o destino tem prazer de a exagerar e distorcer até já não gostar mais. A noite de ontem foi um exemplo disso, um exemplo insignificante entre tantos outros que poderia escrever aqui, se tivesse paciência. Mas hoje não. A serenidade foi-se e estou nesta ânsia quase desesperada de saber porque é que de repente mudaste (outra vez). Gostava muito de continuar a acreditar que não és igual aos outros todos, que lhes és muito superior, mas sinceramente já não estou a conseguir. Magoas-me todos os dias e nem pareces reparar. E desiludiste-me pela primeira vez. Agora, não sei... não sei o que quero. E odeio não saber.

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

bah ,

Devia estar contente porque daqui a menos de duas horas vou sair de casa e tenho à minha frente a primeira noite de férias de Natal, uma noite que espero que venha a ser boa, divertida, sem confusões e com muita diversão. Mas, não sei bem precisar porquê, tenho a impressão de que isso não vai acontecer de todo. Chamem-lhe pessimismo, chamem-lhe superstição, chamem-lhe o que quiserem. Eu cá chamo-lhe feeling... e costumo sempre acertar nos meus feelings. Quase posso apostar que me vou sentir posta de parte e que vou sentir a presença estranha de pessoas que não faziam parte de tudo, que não faziam parte do 'nós' que éramos dantes. Já não seria a primeira vez que tal acontecia. Sei que me vou sentir posta de parte por essas mesmas pessoas, e que vão gostar de se sobrepôr e provar que ocuparam um lugar especial que sentia como meu. Mas tudo bem. Sou superior a isto, e o que me vale é que estou de férias e com sorte só volto a ver as 'personagens' para o ano que vem. Estou mesmo a precisar de sair de ao pé das pessoas que vejo todos os dias, quero libertar-me deles todos sem qualquer excepção e voltar renovada por dentro (e quem sabe por fora, se se der ocasião...) para que no resto do ano lectivo algumas das coisas que ocorreram neste primeiro período não voltem a acontecer. Tristemente, vou partir para férias chateada com duas pessoas - mas não estou arrependida do que disse e fiz, e se alguém tem motivos para estar chateado, esse alguém sou eu. Por isso tudo bem. Por dentro, estou calma, apesar deste meu feeling. Mas sei que posso sempre fugir, se não me sentir feliz... bem ao jeito da Cinderela. Só não me parece é que vá deixar um sapatinho para trás para que um príncipe o apanhe... o príncipe, esse, ainda nem apareceu...

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

bestfriend,

Se podia viver sem ela? Podia, mas não era a mesma coisa!


Meu amor,
Nem tenho palavras para te agradecer. Hoje foi uma tarde fantástica. Mas os agradecimentos não são por hoje... são por tudo. Por tudo o que já fizeste, por seres quem és, por me fazeres tão bem. Sei que não gostas nada de textos lamechas, mas também sei que os meus textos lamechas são os únicos que suportas ler e gostar. Sei que não és grande adepta de palavras bonitas, mas os teus abraços valem por tudo. O teu sorriso quando me viste ali de surpresa. Eu gosto tanto de ti!
Eu sei que da primeira vez que nos vimos, foi ódio puro o que se criou entre nós. Eu sei que por muito que sejamos as amigas, as melhores, a distância e o tempo nos afastam mais, muito mais do que seria desejável. Eu sei que já não somos as mesmas e que estamos a crescer e a mudar longe uma da outra. Mas as tardes como as de hoje, os momentos, as conversas que temos sempre que nos reencontramos... valem por todo o tempo de separação!
Nem tenho palavras. Hoje não tenho inspiração nenhuma. Mas tenho a nossa tarde sempre comigo e sei que vai ficar na memória. Eu amo-te Vanessa, eu amo-te e és a única pessoa a quem posso dizê-lo. Minha melhor amiga... são dois anos e meio <3>

domingo, 13 de dezembro de 2009

changes ,

Na Natureza (...) nada se perde, tudo se transforma.
Lavoisier



Apercebo-me todos os dias de que já nada é imutável... apercebo-me e, mais do que isso, compreendo e aceito que assim seja. E sinto necessidade de escrevê-lo, porque é uma grande mudança para mim. Até há uns meses daria muita coisa para que a minha vida continuasse sempre igual, para que as pessoas não desaparecessem, não mudassem, não evoluíssem e com essa evolução, se perdessem de mim. Mas agora já não penso assim. Agora sinto que a mudança é um bem necessário, e que por vezes até a mudança para pior tem o seu lado positivo. Ou então isto são só devaneios de alguém que hoje decidiu acordar para o mundo da introspecção e se sente muito inclinada para reflectir...
Seja como for, foi ao ler uma frase que comecei a pensar nisto, uma frase simples e com a qual não concordaria nada até há bem pouco tempo: Não há segredos inconfessáveis nem perdões impossíveis. É mesmo verdade... tão verdade que, ao olhar para trás, encontro momentos em que transformei bocadinhos do meu coração em palavras, e soprei-as ao ouvido de pessoas que estavam lá na hora certa. Palavras que nunca pensei vir a pronunciar, segredos que guardava no fundo da alma mas que acabaram por soltar-se de mim. Isto era coisa que não faria dantes, quando pensava ao pormenor as palavras que dizia, antes de as dizer. Mas sabe tão bem ser espontânea...
E quanto aos perdões? Só houve uma única pessoa que precisei de perdoar. As outras, perdoei-as porque quis, porque o que quer que elas me tinham feito, não valia uma zanga. Mas ele... a ele perdoei-o sem ele sequer me pedir desculpa. Eu sei que lá no fundo ele se sentiu culpado pelo que fez, apesar de não o admitir abertamente. Eu li nos olhos dele e senti as mãos dele a tremer enquanto escrevia palavras para me atacar. Eu sabia que ele não me queria magoar, estava apenas a vingar-se. Tal como eu me tinha vingado antes do seu golpe traiçoeiro. Ele nunca me pediu desculpa, apesar de ambos sabermos que a culpa era dele e apenas dele. Mas mesmo que nunca se tivesse desculpado, eu perdoei-o. Não porque ele pedisse ou quisesse, mas porque eu percebi que só o conseguiria ultrapassar se o perdoasse. Se continuasse a guardar-lhe rancor ou raiva, ele permaneceria no meu coração. Por isso, perdoei-o e despedi-me dele, em paz. Ele abraçou-me e nesse momento o meu coração regressou ao meu peito, libertando-se dele.
Tudo isto para exemplificar o quanto as pessoas mudam. E o quanto eu aprecio mudanças. Pelo menos hoje... hoje gosto delas.

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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Pedrinho ,


Meu amor,
Fazes anos hoje. Os teus dezasseis. E como sempre, não poderia deixar passar esta data em branco. Há dez anos que te dou os parabéns, há dez anos e uns meses que te tenho comigo e há dez anos que és das pessoas mais importantes para mim.
Já foste o meu melhor amigo. Já estivemos chateados durante algum tempo. Já discutimos aos gritos. Já rimos até às lágrimas e já chorámos agarrados até voltarmos a sorrir, sempre juntos. Já passamos por muitos momentos maus mas passámos por ainda mais momentos fantásticos. Estiveste presente em todas as minhas grandes noites e em muitos dos meus grandes dias, estiveste presente em toda a minha vida, a partir do momento em que dela tenho lembranças nítidas.
E hoje decidi ler os nossos comentários em comum no hi5 e algumas conversas do MSN que tinha guardadas. Resultado? Lágrimas. E desta vez não foram por andar num período especialmente sensível. Não, foram lágrimas de dor mesmo. Porque apesar de continuares na minha vida, e de ainda seres um grande amigo, e de sairmos juntos e de nos divertirmos e de te dar um beijinho todos os dias... já não é a mesma coisa. Na verdade, não temos nada a ver com o que já fomos e talvez só hoje, neste dia que é teu... talvez só hoje me tenha apercebido verdadeiramente disso. Hoje, depois de tudo, é que percebi que de todas as relações de amizade que se deterioraram com esta mudança de turmas, a que nós tínhamos é uma das que mais falta me faz.
E apesar de recentemente me teres magoado muito, muito mesmo com uma certa atitude tua, não ia deixar de escrever isto; quando se gosta mesmo, ultrapassam-se estas coisas, se elas forem, de algum modo, perdoáveis. E o que tu fizeste, é perdoável - não sei se vou esquecer, mas perdoar consigo, e não só consigo, como quero. Porque já estás
suficientemente longe para desejar uma distância ainda maior.
Amo-te, meu amigo. Vou amar sempre... aconteça o que acontecer. Continuas a ser dos melhores amigos que já pude, alguma vez, ter «3

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sábado, 5 de dezembro de 2009

it was not supposed to be this way ,


Dói quando as pessoas que mais importam nos magoam e parecem não se importar connosco ou com o que sentimos. Dói quando vemos que aqueles a quem costumávamos chamar de melhores amigos estão diferentes. Dói quando não estão lá quando mais queremos. Dói olhar em volta e perceber que não falam connosco, mas de nós. E dói sobretudo quando não se riem connosco... mas de nós. Dói quando novas pessoas se integram num grupo de amigos que se conhecem há anos e que começa a mudar os comportamentos deles para connosco. Dói quando um dia ficamos em casa porque não quisemos ir sair à noite e na manhã seguinte, o mundo é outro e parecemos ter perdido o nosso lugar para outra pessoa - sempre quis acreditar que as pessoas são insubstituíveis, mas agora... Enfim. Se eu fosse outra pessoa e se me contassem um problema assim, o que eu diria era Quem vale a pena é quem está sempre connosco; pode ser que seja apenas uma fase e que as coisas voltem ao que eram. É verdade que tenho andado mais sensível e que me irrito por tudo e por nada, ou quase, mas agora sei que não é apenas impressão minha. Mas tudo bem. Se as pessoas realmente forem importantes, vão ficar comigo. E se não ficarem... se não ficarem... é porque não merecem que perca o meu tempo.

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

saudade ,

A saudade é a memória do coração.
Coelho Neto

Um dia disseram-me que a palavra saudade só existe em português. Não quis acreditar logo. O quê? Só em português? Não pode ser...
Então, fui ao dicionário. Tentei traduzir para inglês, para castelhano, para catalão, para francês, para alemão, para grego... até para árabe eu tentei! E nada, nada, nada.
Pergunto-me o que é que isto quererá dizer. Será que só os portugueses é que têm saudades? Não, claro que não. O sentimento é comum a todos os povos: haverá alguém que já tenha amado e que não sinta falta do que passou? Não. Não é isso. Todos sentimos saudades. Por alguma coisa os ingleses dizem "I miss you" e os franceses "Tu me manques"!
Mas nós, os portugueses... nós somos o povo mais saudoso. Também não há uma tradução para o nosso fado. E se fado pode ser um género musical... também pode ser destino... e se for destino... relaciona-se com saudade. E nós, portugueses, fomos o único povo a ter a palavra saudade, porque somos o povo que melhor sabe o que ela significa. Somos os que melhor sentimos essa dor e esse vazio.
Sinto-me orgulhosa por ser portuguesa e poder utilizar a palavra saudade. Se assim não fosse, a maior parte dos meus textos teria muitos espaços em branco...

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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

João ,

As pessoas não se esquecem, tornam-se indiferentes.


Nem acredito que já passaram sete meses desde que te perdi. É mesmo verdade que o tempo passa a voar...
Não sei explicar ao certo o que és para mim. Sei dizer o que foste: tudo. Já foste tudo para mim e tudo em mim, durante dois anos. E dois anos não se esquecem, nunca se esquecem. Se é verdade que me fizeste sofrer como nunca ninguém antes ou depois o fez, não é menos verdade que nunca gostei tanto de ninguém, durante tanto tempo. Se me pedissem para escolher a pessoa que mais me marcou até hoje, diria que foste tu. É a mais pura das verdades.
Durante muito tempo após me teres deixado, senti raiva, mágoa, frustração... tentei convencer-me, e ao resto das pessoas, que já não te queria, que já não me eras nada, que só te desejava mal e que esperava que morresses longe. É verdade. Lembro-me bem do que disse e fiz, e não posso negá-lo. Mas agora percebo, e preciso que percebas, que foi preciso sentir todo esse turbilhão de dor para perceber que eu nunca, nunca te iria conseguir esquecer. O que era preciso era que os sentimentos se transformassem em memórias, o amor em indiferença. E custou. Como todas as coisas que valem a pena, levou o seu tempo... mas consegui.
Hoje... hoje és uma memória. O João que passa por mim todos os dias na escola, que me cumprimenta apenas quando está sozinho e que finge que eu não existo quando está com a namorada, esse João é um estranho para mim. Porque o João que eu conheci, apesar de todo o mal que me possa ter feito, era a pessoa mais querida e sensível deste mundo, era a pessoa mais carinhosa, mais preocupada, mais prestável. Era o meu João, só meu. Essa pessoa fantástica perdeu-se a 4 de Abril deste ano, e nunca mais voltou - talvez tenha morrido nessa noite. Talvez nunca mais volte. Mas nunca será esquecida.
Tudo isto para quê? Para te desejar os parabéns porque fazes anos? Para dizer que fiquei contente por ter ganho coragem e ter ido à tua beira dar-te os parabéns? Para confessar que estava ansiosa por te tocar e para dizer que fiquei a tremer quando te inclinaste e me deste dois beijinhos e sorriste? Podia escrever para isso. É verdade.
Mas não. Escrevi para dizer que tenho saudades tuas e que gostava muito de voltar a ter-te na minha vida. Talvez não como dantes - (já) não te amo e ainda bem, porque não devo. Mas tenho saudades do meu João, tenho muitas, muitas, imensas saudades do meu João. E perturba-me quando me dizem que gostavam de me ver novamente contigo, porque tenho medo, muito medo de que um dia volte a desejar isso mesmo. Tenho medo de te voltar a querer... não sei se me farias bem.
Espero que percebas que estou a escrever este texto ao João, ao meu João, ainda que ele já não exista. Por isso, escrever foi como um regresso ao passado. Imagens tuas, nossas, correm-me pela mente e as lágrimas estão a cair no meu colo, porque as coisas não deveriam ter sido assim. Amei-te tanto... depois de tudo, eu merecia ter ficado contigo. Sempre disse que nós seríamos para sempre... e ainda acredito nisso. Vou gostar sempre de ti, ainda que não te ame. Quem sabe, um dia nos reencontraremos...

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sábado, 28 de novembro de 2009

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Estás a magoar-me.
Não sei o que se passa. Numa questão de dias, pareço ter deixado de te conhecer.
O que aconteceu? Porque mudaste?
Fui eu?
Não me faças isto, não me faças isto, não me faças isto!
Estou a desesperar!
Se há pessoa sem a qual não sou capaz de viver, essa pessoa és tu...
Adoro-te... ainda e sempre... apesar de tudo...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

where have you gone ?

A memória é a escola da vida.

Hoje estive a olhar-te durante longos momentos, como já não fazia há meses. Observei cada um dos teus gestos e absorvi cada um dos teus sorrisos, fingindo que era para mim que os desenhavas, como o fazias tantas vezes antes.
É verdade que tenho saudades tuas. Aliás, saudades nossas. Daqueles momentos em que me perdia completamente em ti e nada mais existia no mundo para além de nós dois, os teus beijos, os teus abraços, os teus olhares, as tuas palavras, a tua atenção.
E talvez agora tenha ainda mais saudades tuas, agora que várias pessoas me dizem que gostavam muito de me ver contigo, outra vez. Mas não é isso que eu quero. Não preciso de voltar a ter-te só para mim, como dantes, porque na verdade não te amo... já não te amo. Mas tenho saudades tuas, porque durante dois anos foste tudo para mim e tudo em mim, vivi contigo e para ti, experimentei contigo sensações e emoções como nunca antes experimentara... foste tudo. Foste. Já não és. Mas tenho saudades tuas.
Custa ver-te com ela, com ela de quem eu não gosto e que não gosta de mim. Porque se não fosse ela, nós podíamos ser amigos, mesmo sem nos amarmos. Se não fosse ela, podias ter ficado na minha vida e eu na tua, porque já não nos odiamos. Se não fosse ela, não precisavas de esconder os teus sorrisos para mim e eu não precisava de esconder que tenho saudades tuas. Se não fosse ela...
Não. De facto ela existe. E tu fizeste a tua escolha. Aliás, escolheste-a em vez de mim. Por isso, boa sorte. As saudades permanecem. Talvez eu esteja aqui quando ela for embora. Ou talvez não. Mas não me esqueças...

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

betrayal ,

Quem perdeu a confiança não tem mais que perder.
Públio Siro

É triste quando as pessoas traem a confiança que nelas depositámos com tanta fé. Para mim, uma vez perdida a confiança, é quase impossível de ser recuperada - só não digo "completamente impossível" porque já não acredito na impossibilidade das coisas.
Não suporto traições. É das maiores faltas de respeito que se pode cometer. Fala quem sabe... Sei o que custa, apesar de quase não ser capaz de descrever: talvez a metáfora que melhor se aplica aqui é a de que vi todo o meu mundo a desabar à minha volta. Até hoje ninguém soube o quanto custou. Asseguro que dói, dói tanto! Doeu... doeu... e não merecia. Mas passou, sobrevivi e renovei-me.
E escrevi tudo isto, porque é o que sinto. Mas provavelmente parece irónico, neste ponto da minha vida, uma vez que ainda este verão "fiz" uma pessoa trair a namorada, comigo. Sim, não foi muito bonito da minha parte. Mas foi ainda mais feio da parte dele. Não fui eu que traí ninguém, não fui eu que dei o primeiro passo, não fui eu que menti e escondi e manipulei e magoei. E não foi por minha causa que o namoro acabou... só porque eu não quis! Mas eu percebi que fui só um desvio... uma diversão de uma noite! Mas passou, sobrevivi e renovei-me. E como me disse uma grande senhora que tanta falta me tem feito estes dias, "amores de verão enterram-se na areia". Na mesma areia que nos uniu.
E é assim. É disto que são feitas as minhas histórias de (des)amor. Boas pessoas que no final se revelam "piores que a encomenda", mentiras, enganos, traições e outra confusões. Guiões dignos de um filme do nível de Hollywood e representações merecedoras de Oscars!...
É por tudo isto que já não procuro ninguém. Mantenho-me na companhia daqueles que importam e faço tudo para não os perder, apoio-me neles e estou lá (ou tento estar) quando é preciso. Não procuro ninguém porque acredito que a pessoa certa vai aparecer quando for o seu momento, e aí eu vou saber.
E vai ser uma pessoa normal. Não vai ser uma pessoa perfeita... mas vai ser a pessoa perfeita para mim... tudo tem o seu tempo.

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domingo, 22 de novembro de 2009

enjoy !

Lamentar aquilo que não temos é desperdiçar o que já possuímos.

Não consigo dormir. É só mais uma de muitas noites em que o sono não chega e sou assaltada por uma incrível vontade de escrever até não poder mais. Geralmente estou cansada de mais para o fazer... mas hoje... hoje decidi levantar-me e arrastei-me até aqui.
Lá fora a chuva cai e o vento uiva. Preciso de me aquecer, não gosto de mau tempo. Gosto de sol e de calor e de harmonia. Não consigo encontrar harmonia na tempestade, pelo que é nestes momentos que sinto falta do verão. E se penso no verão penso em ti, e se penso em ti... não, não posso pensar em ti. Não agora. Estás tão longe! E não sei quando voltas...
Mas não, hoje não me vou deixar levar. Não me vou embalar na saudade nem vou pensar que preciso de ti, por muito que seja verdade. Não vou pensar que não sei quando te voltarei a ver e que dentro de pouco tempo as mensagens já serão insuficientes para calar aquilo que gostava de te dizer e não posso. Não vou temer que as coisas sejam diferentes quando nos reencontrarmos. Não.
Hoje, vou pensar que sou feliz por te ter. Que mesmo estando longe, estamos sempre perto, basta querer. Que mesmo não podendo ouvir a tua voz nem olhar para os teus olhos nem sentir as tuas mãos nem rir contigo, posso pensar em ti e recordar-te sempre, como no primeiro momento em que te vi. E posso aconchegar-me a ti, nem que seja em pensamento, e ficar feliz apenas por saber que o que nós temos ultrapassa ligações físicas e temporais. É demasiado complexo para expôr e é só nosso, muito nosso. Não são necessárias palavras...
Ensinaste-me que não é so o verão que é bonito. O outono tem a sua magia. E hoje vou aproveitá-la... contigo... sempre bem perto... no coração...

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

missing you ,

Buscar e aprender, na realidade, não são mais do que recordar.
Platão


Hoje tenho muitas, muitas saudades tuas.
Sinto a tua falta, e sinto a falta de tudo em ti. Dos teus braços sempre prontos a acolherem-me... das tuas mãos que se entrelaçavam secretamente nas minhas, na escuridão e quando eu menos esperava... dos teus beijos que nos levavam a outra dimensão... das nossas conversas nunca reveladas... das vezes em que sonhámos alto... juntos, sempre juntos...
Não consigo realmente dizer de que é que sinto falta, porque na verdade sinto falta de tudo.
Sonho com o momento em que te vou voltar a ver, o pôr-do-sol atrás de ti como na primeira vez, os braços abertos para que eu me possa refugiar neles, o sorriso rasgado apontado directamente ao meu coração... coração esse que já te acolhe nele vitaliciamente.
Até lá, resta-me esperar, esperar pelo "nós" que eu sei que um dia vai chegar.
E ainda ouço as tuas palavras sussurradas no meu ouvido quando tivemos de nos despedir... eu acredito nelas... ainda e sempre...

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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Paz ,

A renúncia é a libertação. Não querer é poder.
Fernando Pessoa



Hoje senti-me tão bem, tão bem. Tão leve, tão calma, tão pura, tão... tão eu!
Já não me sentia assim há muito tempo. Só me apetecia correr, cantar, dançar, saltar, gritar ao mundo que estou feliz... que estou feliz sem ti!
Não sei mesmo que se passou comigo, foi uma transformação repentina do estado de melancolia extrema ao de quase histericidade. Penso que me libertei... e foi tão bom! Até dancei melhor e tudo (:
Hoje não tenho muito a dizer. Não me apetece dizer nada, aliás. Estou renovada. Finalmente :)

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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Dejà Vu ,

As miragens são todas aquelas pessoas que, sempre que as imaginámos capazes de nos tornarem mais simples e mais compreensíveis, nos decepcionam e nos levam a reparar, sempre que olhamos para trás, que - em vez de transparência - surge opacidade.
Sá, E.


Às vezes lamento a minha própria ingenuidade e a facilidade com que deposito confiança nos que me rodeiam.
É triste constatar que, mais uma vez, criei uma imagem desacertada de uma pessoa e sonhei um dia vir a conseguir com ela um futuro. Quem disse que o amor é cego é que sabia muito disto...
Mas desta vez não vou, não vou cometer os mesmos erros. Já cresci muito desde a última vez que isto aconteceu e sei que não vale a pena revoltar-me nem perguntar-me porquê e porque não. Não vale a pena pensar e repensar e não chegar a nenhuma conclusão nova, porque não há nada de novo em ti e no que fizeste: já não foi a primeira, nem a segunda, nem será com certeza a última vez que enganas, prometes e não cumpres, iludes para inevitavelmente desiludir. Não te preocupas com mais nada a não ser com a realização dos teus desejos, és... és volátil... e superficial... e uma perda de tempo.
Desta vez, sou eu que me afasto e me ponho a salvo - enquanto é tempo. Se tem de ser assim, assim será, não vou lutar contra a corrente; não mereces que gaste o meu precioso tempo contigo.
Por isso adeus, adeus, adeus! Vai... e não voltes...

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sábado, 14 de novembro de 2009

inner peace ,

A libertação do desejo conduz à paz interior.
Lao-Tsé


Estava tão, tão cansada. Já não podia suportar mais problemas... mais quedas... mais feridas. Estava tolhida pelo medo. Não tinha coragem para arriscar. Mas mantinha um sorriso na cara e escondia-se do mundo atrás dessa máscara, escondia-se de todos e de si própria e fingia que tudo estava bem, que não estava magoada nem afectada... fingia que estava segura e calma.
Mas não estava. Só ao dormir tinha paz, quando adormecia de tão cansada, quando os olhos se fechavam, limpos pelas lágrimas que se soltavam sem parar.
E ela sabia, sabia que um dia tudo ia passar, que se ia recompôr, que ia finalmente convencer-se a si mesma daquilo que todos lhe diziam: não vale a pena lutar porque quem não merece. Ela sabia, mas não conseguia negar ao seu coração aquilo que ele lhe pedia, ela não tinha coragem mas sentia-se impelida, por uma força maior, a ir à luta, a fazer de tudo para vencer.
Só que isso não aconteceu. Ela perdeu a guerra mesmo antes de começar a batalhar. E foi nesse dia, nessa tarde em que tudo desabou em cima dos seus ombros... foi nesse momento que percebeu que realmente não valia a pena. E pousou as armas, despiu a sua máscara de força e deixou-se ir. Adormeceu.
Na manhã seguinte, o mundo era novo: mais luminoso, mais calmo, mais bonito. Sem guerras para travar nem problemas para afastar. Sem confusões nem mentiras nem traições.
E foi aí que ela percebeu que às vezes desistir não é sinal de fraqueza, mas sim de inteligência. E como desistiu... está em paz... consigo e com o mundo. Finalmente.

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a new beggining ,


Este meu cantinho não é novo, pelo menos não para aqueles (poucos) que já tinham conhecimento dele e o seguiam com alguma regularidade. Mas decidi fechá-lo há uns tempos, não só por falta de paciência para escrever, mas também por falta de motivo. Para escrever sem conteúdo, sem vontade, prefiro não escrever de todo.
O que é facto é que decidi voltar, e cá me têm. Com maior ou menor vontade, com maior ou menor jeito... vim para ficar :)
Porque a escrita é e sempre foi a grande paixão... porque as saudades já apertavam... e porque recomeçar faz sempre bem...

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