terça-feira, 13 de maio de 2014

old patterns,

Volto sempre a ti.
Porquê, eu não sei. Há mais de dois anos que aprendi a viver sem ti, sem a tua (in)constante presença a encher os meus dias de pontos de interrogação. Há mais de dois anos que deixei de precisar de ti, que deixei de te absorver intensamente como uma droga que não se consegue largar, por mais que se queira. Há mais de dois anos que passei a gostar mais de mim do que de ti, depois de mais de quatro anos a fazer o contrário em todo e cada segundo dos meus dias.
E ainda assim, dois anos depois, há sempre algo que me puxa de volta. Há uma música que dantes ouvia muito e sempre associava a ti: Gravity. Porque no fundo era mesmo isso que tu eras: (a minha) gravidade, aquilo que me prendia a este mundo. Eras o centro de tudo quanto eu fazia, a força motriz por trás de cada uma das minhas acções, a vontade que motivava cada um dos meus objectivos. Nada mais interessava e, se eu pudesse, eu mudava o mundo inteiro só para tentar que finalmente olhasses para mim e sentisses o mesmo. E isso nunca aconteceu - nem por um segundo.
Agora, olho para trás e não sei como alguma vez fui capaz de me libertar de ti. Tendo em conta tudo o que eu sentia, o vício que eras, a maneira como me intoxicavas e me prendias e não me deixavas fugir das tuas amarras... E no entanto tu nunca me quiseste realmente prender. Era como se não quisesses que eu fosse tua, mas também não me deixasses ser de mais ninguém. Como se te importasses, mesmo sem te importar. Como se não quisesses, mas quisesses ao mesmo tempo.
Não faz sentido, eu sei - mas a verdade é que nós nunca fizemos muito sentido. A cada dia que passa, lembro-me um pouco menos de como tudo começou. Eu nunca soube dizer o que me fez apaixonar por ti, e agora sei-o ainda menos, provavelmente porque já não o sinto. Felizmente, já não o sinto. Porque não era saudável viver da maneira que eu vivia quando estava contigo - mesmo sem estar. E não era saudável gostar tão pouco de mim ao ponto de me deixar ir como querias, para onde querias, da maneira que querias. E eu tentava incansavelmente juntar as peças do puzzle, convencendo-me de que 1 mais 1 dava 2 e um dia nós havíamos de dar certo - mas no que ao amor diz respeito, 1 mais 1 não são 2; 1 mais 1 são 1 na mesma. E nós nunca o fomos; nunca fomos dois em um. Éramos só tu e a tua vontade, e a minha falta de coragem de combater o que me magoava todos os dias.
No entanto, dois anos e alguns meses depois do fim - que aconteceu tão inesperadamente para mim, mas ao mesmo tempo de forma tão natural, que apesar de tudo quase não custou, comparado com tudo o resto - aqui estou eu de novo, a escrever para ti. Como sempre, a escrever para ti. Não sei porquê (alguma vez soube?), mas depois deste tempo todo, continuas a ser a única pessoa para quem consigo escrever. Posso não falar contigo a sério há muitos meses, como agora, e no entanto continuo a encontrar sempre o que te dizer. Mesmo que não me ouças, mesmo que não me leias, mesmo que não haja um propósito nas minhas palavras, é tudo simples: eu escrevo-te e isso acalma-me. Perco-me nas palavras e já não sei o que queria realmente dizer quando comecei este texto, mas a verdade é que isso também não interessa - eu escrevo-te, escrevo a mim mesma pelo meio, acalmo-me, e isso chega.
Talvez por saber que ainda sou capaz de escrever para ti, desde que queira - tal como estou a fazer neste preciso momento -, tenha querido há dois dias pedir-te que fosses tu a escrever para mim. Que fosses tu a deixar-me algumas palavras agora que a minha vida vai mudar novamente e uma fase completamente desconhecida vai começar. Na verdade não fizeste exactamente parte desta fase que agora acaba, e no entanto acabaste por estar sempre presente, nem que fosse nas minhas memórias, nem que fosse nas comparações que inevitavelmente faço quando alguém novo me entra pelo coração dentro. Mas a verdadeira razão pela qual eu quis que escrevesses para mim foi uma: sei que, onde quer que vá, e quanto tempo passe, tu vais estar sempre lá. Porque foste o primeiro em tantas, tantas coisas. Foste o meu primeiro amor - o mais inocente, o mais instável, o mais inconstante, o mais incompreensível, o mais maligno, o mais insuportável, o mais assustador, o mais incomensurável. O maior. E como toda a gente sabe, o primeiro amor nunca se esquece, e tu és o meu.
Como eu ia dizendo (e com a ajuda das palavras da Sara Bareilles)... something always brings me back to you. E esse something já não é amor, já não é paixão, já não é vício de ti. É só... something. Indefinível e incompreensível como tu. E no entanto faz-me sempre sentir em casa. Como tu.

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