domingo, 31 de outubro de 2010

No preciso momento em que, ontem, acabei de carregar em "Publicar mensagem", recebo um telefonema a mandar-me vestir e maquilhar (outra vez!) porque sempre era para sair. E fui. Aliás, fomos.
Descrição? Ora bem, inicialmente foi frio, chuva e tédio. Depois foi ainda mais chuva,  uma mensagem que o meu querido telemóvel mandou sem eu querer e... pronto, noite estragada. Continuei a dançar e a tentar divertir-me, mas a minha cabeça já não estava ali e já não estava suficientemente desligada daquilo que era suposto desligar-se - especialmente ontem.

Sempre tive muito jeito para acreditar naquilo que não devo. E para me iludir com aquilo que não posso.

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sábado, 30 de outubro de 2010

Estava a ser um bom dia - uma manhã de pijama (sabe tão bem quando chove!), uma tarde em reunião do grupo de teatro (com muita leitura e momentos de riso como o do "homem do atalho")... e, esperava eu, uma noite com as amigas, para "celebrar" o Halloween. Uma noite que eu esperava que fosse ser a minha salvação para estes últimos dias. Uma noite que eu contava que fosse uma ajuda para me retirar da minha "apatia" e fazer-me dançar e divertir-me como não faço há meses.
Pois bem: parece que me enganei. Odeio que me cancelem os planos à ultima da hora - sobretudo quando já perdi uns preciosos 45 minutos a preparar-me! Estava a contar com uma noite como eu gosto. Vou ter uma noite de pijama, a tentar entreter-me comigo própria.

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Diz-se que é no inesperado que surgem as melhores oportunidades.
Ontem, não esperava nada de especial da minha noite - mais uma reunião do grupo de teatro, mais abraços do meu melhor amigo que me faz tanta falta durante toda a semana. Acabei por obter muito mais do que isso.
O meu destino acabou por ser o "À conversa com... José Luís Peixoto", iniciativa promovida pela Biblioteca Municipal. O meu destino acabou por ser duas horas e meia a ouvir um escritor falar acerca do seu mais recente livro.
Confesso que nunca li nada de José Luís Peixoto, e o que ouvi ontem - relativamente ao livro - não me pareceu suficientemente interessante para me fazer ir comprá-lo já. Mas gostei de o ouvir falar acerca do que é, para ele, escrever, gostei de o ouvir descrever os seus feitos e tudo aquilo que já conseguiu nos seus trinta e seis anos, gostei de o ouvir falar das dificuldades da sua profissão e da maravilha que é saber-se capaz de as ultrapassar.
Houve um certo momento em que ele disse « Escrever é uma ousadia. É preciso trabalhar muito, só com trabalho se consegue chegar a algum lado. Sinto-me orgulhoso de mim porque tudo o que consegui, foi à custa do meu trabalho. (...) Quando escrevo um livro, o mais difícil acaba por não ser escrever, mas sim apaixonar-me por ele... acreditar nele e em mim. » Quando disse tudo isto, estava a olhar directamente para mim e eu senti-me totalmente 'tocada' pelo que ele disse. Estava a falar dos meus sonhos - daqueles que nunca confesso a ninguém e sobre os quais não falo, a não ser comigo mesma.
Estava a precisar de uma noite como a de ontem para me fazer voltar a acreditar - em mim, nos sonhos e em que há mais para viver além do meu amor perdido.

Obrigada, José Luís Peixoto!
Uma vez mais está provado que a ajuda vem de onde menos se espera.

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Apesar de tudo, recuso-me a utilizar o verbo "desistir".
Eu não desisti - nunca desisti! - e mesmo agora, que não tenho hipótese de escolha, não vou desistir.
Apenas me vou conformar com aquilo que não posso mudar.
Mas desistir? Isso não, nunca.

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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O cansaço invade-me. Estou farta de correr e não sair do mesmo sítio. Estou farta de tentar e não conseguir. Estou farta de esperar e não obter.
Estou farta que te esqueças sempre de mim.

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O dia de hoje? Suponho que será um - mais um! - daqueles que vou juntar à lista de dias que queria apagar e não consigo.
Desde desilusões provocadas pelo amor injusto que estou cansada de sentir, passando por zangas com pessoas que nunca pensei que pudessem vir a descer tão baixo e magoar-me tanto, já para não falar das pessoas que deviam estar presentes e têm estado pouco (ou nada) e o cansaço de sentir que tento tudo por toda a gente e ninguém tenta nada por mim.
E não, não me estou a fazer de vítima - não gosto dessas coisas e deixo os dramas para quem gosta de representá-los. Apenas me limito a constatar factos: eu tenho tentado, tenho tentado muito, e não me tem levado a lado nenhum... « Então pára de tentar. As pessoas que se interessarem, hão-de vir ter contigo se sentirem a tua falta. » O melhor conselho dos últimos dias.
Parei de tentar. Para mim chega.

E como hoje sinto necessidade de dar nomes às pessoas que se importam, aqui vai o meu grande obrigada a quem tem estado presente quando é preciso: Bárbara, Margarida, Katy. Vocês sim, valem a pena.

( Quanto a ti, restam-me memórias e sonhos partidos. E o meu coração que dói - ainda dói muito. )

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Se a paciência e a vontade para escrever têm sido poucas, depois da tarde de hoje são ainda menos. Vim aqui só mesmo para deixar uma coisa bem clara (ainda que provavelmente não vá ser lida): eu não sou parva.
Às vezes posso querer fazer-me de parva - porque às vezes dá realmente jeito fingir que acredito nas mentiras que me dizem, que é para não me chatear (mais). Mas na verdade não sou parva - muito menos burra! - e como tal, agradecia sinceramente que parassem de mentir/tentar fazer-me de parva, porque não vale a pena.

E quando um dia destes eu decidir abrir a boca e contar aquilo que sei, e as pessoas em questão não fazem ideia que eu sei... aí, garanto que quem vai ficar mal não vou ser eu.
Cá se fazem, cá se pagam. Um dia destes!

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Eu juro que me esforço por não dar importância.
Mas o pior é não ser importante.
E ter consciência que há quem seja.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Quem dança ballet sabe o quão importante é o equilíbrio. O equilíbrio do corpo, o equilíbrio da mente e, sobretudo, o equilíbrio do corpo com a mente.
Ultimamente, tanto o meu corpo, como a minha mente, como tudo o resto na minha vida, tem andado num perfeito desequilíbrio. E quando se está assim durante um período considerável de tempo, como eu, consegue-se perceber imensamente bem o quanto o equilíbrio é importante em tudo - mesmo tudo - na vida. (Estou a generalizar, porque me apetece e sinto que é verdade.)
Hoje não tentei dançar com as minhas preocupações, porque não estou suficientemente preparada - preferi nem pensar nelas. Mas dancei com os sorrisos e com a ideia de que já não tenho nada a perder, pelo que posso fazer tudo aquilo que bem me apetecer e tudo aquilo que sentir como certo para mim (porque agora, estou apenas preocupada comigo e com o que eu quero).
Hoje dancei por dentro, porque me senti mais equilibrada do que no último mês e meio. Hoje dancei comigo mesma, porque consegui sorrir com vontade e pensar que, mesmo que agora não esteja tudo bem, um dia vai estar, mais cedo ou mais tarde. Hoje dancei com o mundo, porque hoje... senti que talvez ainda haja esperança para mim. Mesmo tendo perdido tudo aquilo que importava.

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( obrigada! )

Hoje é um daqueles dias em que sinto uma imensa necessidade de agradecer a toda a gente que tem estado comigo, quando mais tenho precisado. A necessidade é ainda maior quando me apercebo que a ajuda tem vindo das pessoas mais inesperadas.
Durante os últimos dois/três anos, tenho crescido e, sobretudo, tenho-me definido como sendo quem sou, para melhor ou para pior. E durante os últimos dois anos, tenho tido, na minha professora de História, alguém que está presente - no mínimo, três vezes por semana! -, alguém que está sempre à disposição para me ouvir, alguém que me compreende sempre e - concordando, ou não, com as decisões que tomo ou deixou por tomar - alguém que preza sempre a honestidade e me diz tudo aquilo que acha que deve dizer, mesmo quando eu não gosto, ou não quero ouvir.
Não sei ao certo o que me levou a escrever(-lhe) hoje e não noutro dia qualquer. Talvez porque hoje foi, pela primeira vez em várias semanas, o dia em que a professora olhou para mim e sorriu, sorriu a sério - e não precisou de dizer nada, porque eu percebi o sorriso. Ela sorriu-me, hoje, porque percebeu que eu estou mais leve e mais calma. Ela manteve-se em silêncio, porque percebeu que eu hoje já não precisava (pelo menos, não tanto) das palavras habituais dela, ditas em privado, no início de cada aula. Ela não perguntou como é que eu estou, não só porque sabe como eu odeio isso, mas porque percebeu que hoje estive melhor. Por isso sorriu, simplesmente sorriu e alegrou-me o dia porque me senti realmente compreendida - mesmo sem palavras... sobretudo, sem palavras.

Só tenho a agradecer-lhe, por ser quem é e por fazer de mim parte de quem sou. Um enorme obrigada. Por hoje e pelos últimos dois anos.

( E hoje adorei uma frase que disse: « Quantas vezes não tem a gente a alma partida? » Não é motivo para deixarmos morrer quem somos. )

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Foi mais uma noite de pouco sono, e muitos sonhos. E pela segunda noite consecutiva, sonhei com - admitamo-lo, pronto! - a pessoa com quem menos posso sonhar.
É assustadora a "qualidade" dos meus sonhos: é como estar a ver um filme em alta definição, em que até os mais pequenos pormenores têm relevância. Costumo gostar dos meu sonhos exactamente por isto, porque parecem mesmo reais... mas no momento presente, convém admitir que não dá jeito nenhum, nenhum mesmo, sonhar com impossibilidades e irrealidades. De facto, tenho sonhado com coisas que só podem mesmo acontecer... nos meus sonhos. O que é frustrante - e doloroso.
Hoje cheguei à escola ainda a pensar nisto e quando me perguntaram porque é que estava tão pensativa, disse apenas que andava a sonhar com as mesmas coisas, exactamente, há uns dias. Disseram-me qualquer coisa como « Ah, quando sonhas repetidamente com alguém, é porque essa pessoa quer ver-te ou falar contigo. » Pois claro. É caso para dizer, uma vez mais: só mesmo nos meus sonhos.

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domingo, 24 de outubro de 2010

Sei por experiência - minha e alheia - que não há curas milagrosas para os males de amor. Sobretudo para os males de amor não correspondido.
Não há milagres que resolvam os problemas e não há nada que faça a dor passar - pelo menos, comigo não funciona dessa maneira.
Mas há formas de atenuar a dor, de a "adiar" um pouco. São os caminhos mais fáceis e em última análise só fazem com que a dor seja duplamente pior, quando voltar, mas de qualquer modo, há momentos em que preciso mesmo de recorrer a esses meus pequenos "analgésicos".

Ontem recorri aos comprimidos para dormir - e tenho vergonha disso, tenho vergonha de não ser capaz de aguentar sozinha. Ontem foi um dia horrível e ontem, deixei de me conhecer durante algum tempo.
E hoje, depois de um longo sono - que, no final, não trouxe a calma esperada - a solução mais acertada pareceu-me o sofá, um cobertor, muito chocolate, um bom livro (Eat Pray Love) e um filme levezinho (Made Of Honor).

Não me sinto nada orgulhosa do que tenho sido ultimamente, nem me sinto nada bem com o estado das coisas e a maneira como me deixo afundar quando devia estar a lutar por ficar bem. É só que ainda não arranjei forma de reagir convenientemente.
E amanhã vai ser terrível ter de enfrentar pessoas e fingir que não se passa nada.

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sábado, 23 de outubro de 2010

( numb )

Tenho medo de escrever porque não só ainda não encontrei as palavras certas, como me parece que escrever só vai tornar tudo mais real... mais doloroso.
Estou entorpecida. Não consigo sentir nada para além de uma dormência que me faz não querer mexer-me nem reagir a nada, e que só desaparece quando choro. (Sinceramente, não sei o que é melhor.)
É preciso calma e tempo, não é? Um passo de cada vez e as coisas vão ao sítio e vou ultrapassar - estes foram os conselhos da última vez, se bem me lembro.
Mas da última vez, nada resultou. Não esqueci e nunca ultrapassei completamente.

É por isso que tenho tanto, tanto medo.

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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Ainda não tenho palavras suficientemente acertadas. Ou então é a inspiração que me falta. De qualquer modo, foi bom poder falar... apesar de ter ficado incompleta - eu e a conversa. Agora... vai ser como puder, o que puder, quando puder.

I must say I'll always love you, even if it hurts.

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E apesar de eu já estar à espera, está a doer na mesma.
Muito, muito, muito.

Continuo a sentir que ficou tudo incompleto e tenho medo de tudo.

E sabes... aquela palavra que faltava e que eu não disse?
Amo-te.

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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

( forever and almost always )

« And I'll wait patiently
I'll wake up every day
Just hoping that you still care
In the corner of my mind I know too well
Oh that surely even I deserve the best
(...)
Oh and just when I believe
You've changed for good
Well you go and prove me wrong
Just like I knew you would
When I run out of second chances
You give me that look
And you're off the hook »

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A pior sensação deste mundo é sentirmos, e vermos, todos os nossos piores medos a concretizarem-se mesmo à nossa frente, e não sermos capazes de fazer nada para alterar a situação.
Perder a pessoa que mais amo. Perdê-la praticamente sem disso me aperceber. Perder-me a mim no silêncio que me é imposto. Não poder dizer tudo aquilo que preciso de dizer. Não ser capaz de dormir porque os pensamentos e as lágrimas que consigo evitar, durante o dia, abatem-se todos sobre mim de uma vez, à noite.
Apesar de haver momentos em que consigo abstrair-me um pouco da dor e da confusão e do cansaço, na maioria das vezes obrigo-me a forçar sorrisos e a ter muita, muita calma e muito cuidado com o que faço e digo. Mas tenho o meu limite, e estou no meu limite.
Eu só preciso de dizer o que tenho para dizer. Depois disso, vai ser o silêncio e a escuridão e ainda mais dor, mas eu preciso de falar. Não aguento mais, não aguento mesmo.

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terça-feira, 19 de outubro de 2010

( the only exception )

« Maybe I know somewhere deep in my soul
That love never lasts
And we've got to other ways to make it alone
Or keep a straight face
(...)
I can't let go of what's in front of me here
I know you're leaving in the morning when you wake up
Leave me with some kind of proof it's not a dream
(...)
You are the only exception
And I'm on my way to believing »

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Tudo aquilo que sei e não sei, quero e não quero, posso e não posso, consigo e não consigo, anseio e temo, prevejo e desconheço e, sobretudo, tudo aquilo que quero dizer e não posso, prendem-se dentro de mim num grande nó que se instalou algures entre o meu cérebro e o meu coração e me impede totalmente de raciocinar coerentemente.
Por outras palavras, digo apenas que o meu mundo, neste momento, é uma enorme confusão de amor, desejos, vontades, anseios, medos, desilusões, perdas e outras tantas coisas que não consigo organizar nem perceber. E isso está-me a deixar bastante descontrolada.

Uma ajudinha (tua) era muito, muito bem vinda neste momento.

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domingo, 17 de outubro de 2010

( over and over )

Desequilíbrio. Não foi sempre esse um dos (nossos) problemas?
Quando tu queres mais, eu não estou preparada. Quando eu quero mais (de ti), tu não queres dar(-te). Quando eu avanço, tu recuas. Quando tu avanças, eu tenho sempre medo. Mas se não avanças, eu desespero. E se eu não avanço, tu cansas-te.
Muito raras são as vezes em que nos encontramos... tão raras quanto as vezes em que coincidimos. Nunca nos sinto exactamente equilibrados e certos naquilo, e daquilo, que desejamos um do outro... excepto raros momentos de extrema perfeição em que sei que estamos juntos, mais do que nunca. Mas esses momentos são - ou, deverei dizer, foram - muitíssimo raros e pensar neles, só me despedaça mais e mais, porque sei que foram únicos.
Tenho medo de pensar em nós, sabes? Tenho medo de ti, de mim, do nós que fomos e do nada que seremos. Tenho medo de tudo... tenho medo da perda, da dor, do vazio que me preenchem todos os dias. Tenho medo do nada que me sobrou, depois de ter dado tudo de mim a ti, que me és tudo e sempre o foste.

Sabes a que é que isto se resume, no fundo?
Eu sempre te quis de mais. E tu sempre me quiseste de menos. Até porque já não me queres, de todo.

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O que me dói mais, hoje, são as memórias.
As memórias que são minhas, nossas, e que já não passam disso. De memórias.
Memórias que só tornam tudo ainda mais complicado...

... porque até eu tenho consciência de que há momentos irrepetíveis.
E que só eu guardo desta forma.

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sábado, 16 de outubro de 2010

De um momento para o outro, é como se tudo aquilo em que eu mais acreditava, se tivesse simplesmente desfeito, de um momento para o outro, sem aviso prévio. Tudo em mim está a ser sacudido e partido, desde as mais pequenas coisas, até às que realmente faziam de mim quem sou. Cada sentimento, cada crença, cada pequeno bocadinho de mim está a ser devorado por este "monstro" que me consome.

No entanto, hoje foi diferente. O dia foi mais calmo e mais "positivo", e a razão mais plausível - e no entanto, tão parva - que encontro para isso foi o facto de ter estado sol. O sol aqueceu-me por fora, e contribuiu um pouco para derreter o frio que me tem envolvido, o medo terrível que o "depois" me traz. O sol não apagou nada do que me martiriza, mas melhorou tudo, só um bocadinho.

Volto a repetir-me: não desisto enquanto não conseguir o que quero. E o que quero, neste momento, é muito pouco comparado com tudo aquilo que queria até há uns poucos dias atrás. O que quero, neste momento, é apenas e só aquilo que me considero no direito de obter.

E o que quero é nada mais que a verdade. Toda. Crua, nua, pura e dolorosa. Toda, toda, toda.

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Se eu pudesse, agora, resolvia aquilo que está pendente, de uma vez.
E depois ia viajar - sozinha, suponho - para onde quer que bem me apetecesse.
(Quase) nada me parece mais apelativo.

( foto: Beverly Hills - it's still a dream )

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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Eu gostava sinceramente de poder dizer que por mim, ficamos por aqui, perdidos um do outro no meio do silêncio de que pareces gostar tanto. Gostava sinceramente de poder dizer que está tudo dito e feito, que assim fico bem e que acho melhor mesmo que as coisas sejam assim.
Mas não consigo. Para mim, ainda há coisas por resolver e para mim, a minha vontade é que conta neste momento. Estou cansada de tudo, mas não consigo ter um momento de descanso quando tudo o que faço é pensar e repensar no quanto eu gosto de ti, e no quanto tu... não gostas de mim.

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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Vou tentar explicar(-te) o meu problema. Ou melhor, o mais assustador dos meus problemas - porque são vários, e tens um papel activo em todos eles. Enfim...
Já estive perdida no meio do desespero, já estive perdida por te perder, já estive perdida porque não me quiseste. Já aqui estive, já provei tudo isto antes. E nunca consegui sair realmente daqui. Nunca consegui libertar-me e deixar-te ir, mesmo quando deixaste bem claro que eu já não valia nada aos teus olhos. Nunca consegui esquecer-te e deixar que te tornasses indiferente, mesmo quando isso era tudo o que eu mais queria - era tudo o que eu queria.
E é isso o que mais me assusta. Que todo o tempo do mundo não seja capaz de me fazer esquecer-te... outra vez. Que fique aqui para sempre - presa a ti, e a sofrer por ti.

Era só isso que queria que percebesses. Mas simplesmente já não dás valor a isso - pois não?

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

( I knew it would happen this way )

« I just wasted the day
I knew it would happen this way
Can't get up in the morning lately
And I'm just stuck in a dream
I'm always in this ship in the stream
I'm just wasting away and you don't want me anymore »


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Sabes, se um dia estiveres realmente a sofrer por algum motivo... se algum dia estiveres mesmo mal e não fores capaz de te levantar sozinho... se algum dia amares para lá do imaginável e depois fores rejeitado e ainda por cima totalmente ignorado... se algum dia isso te acontecer, lembra-te de mim. Lembra-te que já foste tu quem me deixou assim.

E eu não quero sentir raiva, juro que não quero. Mas às vezes é muito, muito, muito difícil não escrever tudo o que me vai realmente na cabeça.

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Há três meses - exactamente três meses - escrevi qualquer coisa como: « Por uma vez, é mesmo bom não ter palavras. »
Estava a referir-me, claro, ao que aconteceu naquela tarde.
Hoje, realmente também não tenho palavras. E isso nunca, nunca foi tão mau como está a ser agora.

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( chaga )

« Foi como entrar foi como arder
Para ti nem foi viver
Foi mudar o mundo sem pensar em mim
Mas o tempo até passou
E és o que ele me ensinou
Uma chaga para lembrar que há um fim. »

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( crash )

Desculpa por ter sido ingénua o suficiente para ter acreditado que alguma vez sentiste fosse o que fosse por mim. Desculpa se não fui suficiente boa para te dar tudo o que querias, sempre que querias. Desculpa por ter dado o meu máximo para te fazer feliz. Desculpa por ter estado sempre aqui, à tua espera. Desculpa por acreditar que realmente eras sincero quando dizias que não me querias magoar. Desculpa por achar que eras a pessoa certa para mim. Desculpa por não te querer fora da minha vida. Desculpa por continuar a insistir, a tentar resolver o pouco que tinha. Desculpa por não querer desistir de ti. Desculpa se te dei tudo o que tinha e até o que não tinha. Desculpa se fiz tudo ao meu alcance para te ter comigo.

Uma vez mais, sou abandonada à minha sorte. O problema é meu, certo? Quem mais aqui, está mal, não consegue encontrar-se e passa os dias a chorar, até mesmo quando escreve textos estúpido como este? Quem mais está totalmente desesperada e nunca esteve tão sozinha na vida? Desculpa por ser frágil e não ser capaz de viver no silêncio, quando me fazes coisas destas. Desculpa se não sou capaz de evitar ficar na merda quando te mando uma porcaria de uma mensagem e tu nem te dignas a responder. Desculpa se me sinto como lixo, como alguém totalmente descartável e que nunca foi nada para ti, nada de nada.

Desculpa por tentar ser alguém na tua vida. Desculpa por te ter feito a pessoa mais importante na minha vida. Desculpa se te tornaste em tudo aquilo que me importa. Desculpa por te amar quase desde sempre, com todas as minhas forças, com todo o coração.

Mas sabes que mais? Não sou eu que tenho de pedir desculpa.
Obrigada por me destruíres.

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segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Sinto-me a pessoa mais estúpida do mundo.
Muito obrigada por voltares a deixar-me totalmente na merda.

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domingo, 10 de outubro de 2010

( always on my mind )

Há um cliché muito utilizado por pessoas apaixonadas, que é qualquer coisa como "és a última coisa em que penso antes de adormecer e a primeira coisa em que penso ao acordar" e eu, apesar de não ser adepta de clichés e deste ainda menos, vejo-me obrigada a reconhecer a sua veracidade, pelo menos no que me toca, na minha situação actual.
E a verdade é que os piores momentos do meu dia são os últimos minutos de consciência, antes de adormecer, e os primeiros minutos de consciência, logo depois de acordar.
Passo o dia inteiro a fingir estar melhor, ou ser mais forte, do que aquilo que realmente estou e sou, mas depois chego àqueles momentos estritamente meus e não consigo esconder mais o que sinto e deixo-me aproximar mais de mim própria, o que geralmente resulta nas eternas lágrimas.
À noite, depois da habitual pequena tortura que é pensar, adormeço, e o sono - se eu tiver sorte... - traz-me paz. De manhã, após a repetição - geralmente mais prolongada! - da mesma tortura, obrigo-me a levantar-me e a acordar completamente e a razão começa a imiscuir-se por entre os desejos do coração, e eu acalmo-me como posso.
Não sei, simplesmente não sei como posso resolver isto. Segundo me parece, já fiz tudo o que poderia eventualmente fazer. Agora não é comigo e isso mata-me.

Às vezes gostava de adormecer e não voltar a acordar. Pelo menos, não durante algum tempo.

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sábado, 9 de outubro de 2010

Já não é a primeira vez que menciono o quanto eu gosto da palavra "sempre". O quanto é importante, para mim, a noção de continuidade, uma pequena certeza de que posso possuir algo durante algum tempo, uma pequena certeza de que nem tudo tem de acabar logo depois de começar.
Mas contigo, nunca sei nada. Nunca tenho a certeza da continuidade, nunca sei se foi a última vez ou se algum dia poderei vir a ter mais. Nunca sei como estamos, como ficamos e, sobretudo, nunca consigo definir um futuro, nem sequer um futuro próximo. Nunca consigo definir o dia seguinte, a hora seguinte, nem sequer o minuto que se segue ao momento em que sinto, de alguma forma, que te tenho.
É por isso que há muito tempo que não conheço outra coisa senão a insegurança e o medo; não sei nada, nunca sei nada. Sinto-me sempre na corda bamba e nunca estou certa de conseguir chegar ao outro lado. Nunca sei senão irei perder-te sem sequer me aperceber disso.
É difícil viver sempre assim, sabes? É difícil para mim, que gosto tanto desse "sempre", nunca saber o que vem depois ou, sequer, se haverá um "depois" para nós. Mas eu prefiro viver assim, prefiro submeter-me à insegurança, se é isso que não te perder implica.
Acho que já não sei viver sem te ter... e não quero ter de reaprender.

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Nas aulas de Psicologia temos falado sobre os estímulos que o meio exerce sobre nós e o que esses estímulos nos levam a fazer. Não sei bem porquê, mas isso faz-me sempre pensar em chuva.
Os últimos dias não têm sido fáceis e consigo encontrar, sempre, alguma coisa que os torna consideravalmente piores - sim, diariamente eu faço jus ao pessimismo que me caracteriza. Ultimamente, tem sido a chuva a tornar tudo pior.
Não gosto de chuva, nunca gostei. A chuva implica dias cinzentos, escuros e deprimentes, que não contribuem em nada para me animar. A chuva traz, quase sempre, frio... e deixa-me sempre mais fria por dentro. A chuva impede-me de me sentar ao ar livre a apreciar p pôr-do-sol, que é uma das minhas pequenas terapias quase diárias.
Ultimamente, tenho começado a reconhecer o cheiro do Inverno. Para mim o Inverno e o Verão têm cheiros marcantes e distintos e, enquanto o Verão me alegra e aquece, o Inverno só me enregela e assusta.
Não gosto de chuva e tenho saudades do sol abrasador e do céu limpo e azul. Poder soar a parvoíce, mas naquilo que me toca, os dias correm sempre melhor quando está calor.

Para além disso, as saudades do meu Verão já apertam e começam a ser cada vez mais insuportáveis.
Please come back (to me).

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Estou muito cansada.
A incapacidade de resolver o que mais me magoa tira-me a energia toda, e sobretudo a vontade de fazer alguma coisa. Já não sou capaz, não consigo mais... no fundo, esgotei-me.
Estou farta de andar o dia todo de um lado para o outro a fingir sorrisos e a encolher os ombros quando me perguntam como estou; estou farta de correr para a casa de banho para poder ficar sozinha durante uns minutos e chorar em paz; estou farta de fazer um esforço enorme para me manter mais ou menos equilibrada e de chegar a casa e fechar-me no quarto a chorar porque não aguento mais; estou farta de palavras ocas e de pessoas que não sabem nada da minha vida e, no entanto, sentem-se no direito de me vir dizer o que fazer, o que não fazer, ou simplesmente "não podes ter problemas assim tão grandes, tens dezassete anos" ou "não deves estar assim tão mal como pensas" ou "estás a fazer uma tempestade num copo de água, aposto".
Estou farta de ser ignorada e claramente evitada, estou farta de mentiras e desculpas e frases vagas e evasivas. Estou farta de ter de ficar calada quando só me apetece gritar, estou farta de engolir sempre as palavras que preciso de dizer, estou farta de ter de guardar para mim aquilo que me está a magoar! Estou farta de sofrer sozinha, estou farta de indiferença, estou farta de insensibilidade, estou farta que não me liguem nenhuma!

De entre tudo o que poderia sentir, hoje escolho a RAIVA porque é o caminho mais fácil. E eu estou farta, farta, farta, que seja sempre tudo imensamente difícil quando se trata do pronome pessoal "nós".

É sempre tudo muito bonito quando as coisas correm bem e são fáceis, mas quando chega a hora das conversas sérias, é sempre mais conveniente esquecer a minha existência. Afinal de contas, quem sofre sempre aqui?
A resposta tem duas letras. Um E e um U.

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« - Your world would be easier if I didn't come back.
- That's true. But it wouldn't be my world without you in it. »

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quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Tenho muito medo do "depois". Tenho muito medo das lágrimas que estão por vir, da dor que está por sentir, do desespero que está por chegar. Não me são desconhecidos, mas neste momento tudo me parece meio desconhecido, porque tenho sentido as coisas de uma maneira muito mais intensa... quase "violenta".
Tudo me atinge de maneira diferente, é tudo muito mais sentidos e ainda mais significativo. Dou importância a pequenos pormenores a que normalmente não daria e fico a pensar ainda mais em tudo. Sinto-me perdida e não sei o que fazer, por isso vejo e revejo certas cenas na minha cabeça, vezes e vezes sem conta, à procura de um qualquer sinal que me possa ter escapado e que me ajude, agora, a compreender tudo aquilo que não consigo compreender.
Estou consciente de que não me estou a ajudar. Provavelmente devia estar a lutar contra mim mesma, a fugir daquilo que quero, a virar costas a este assunto de uma vez por todas... mas não sou capaz e não quero contrariar-me. Prefiro continuar por aqui, ganhar pelo menos a certeza de que fiz tudo o que podia e não tenho qualquer arrependimento de algo que tenha feito; devo a mim própria a certeza de que não tenho nada a apontar-me e que a culpa não foi minha. Obrigo-me a pensar e chego a magoar-me a mim mesma com as conclusões a que chego - sejam elas mais certas ou mais erradas - mas sinto esta necessidade de analisar tudo, para conseguir de algum modo compreender isto e ultrapassar a ignorância que me torna impotente.
O silêncio mata-me mas submeto-me a ele porque não tenho, realmente, outra escolha. Dou tempo ao tempo e espero que ele me recompense com respostas. Espero e desespero na esperança de um dia vir a compreender.
Um dia... um dia.

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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Às vezes penso seriamente em escrever uma carta - outra carta. Mais uma carta onde eu pudesse escrever tudo aquilo que tenho para dizer e não posso, mais uma carta onde escrevesse mesmo tudo, sem medo das consequências.
Mas não consigo.
Da última vez, também não foi fácil. Foi precisa muita coragem para me abrir e ser completamente sincera, foi preciso muito tempo de reflexão mais ou menos objectiva sobre o assunto. A diferença é que, nessa altura, eu sentia-me mais ou menos livre de fazer o que bem quisesse, sentia-me segura e sabia que, mesmo que a carta não fizesse qualquer diferença, eu não tinha nada a perder. Tinha esse "trunfo" do meu lado: acontecesse o que acontecesse, eu ia ficar bem, não me ia magoar porque os sentimentos que ainda guardava eram - pensava eu - apenas sombras de sentimentos passados. Mesmo que mudasse alguma coisa, eu sabia que as coisas não iam ficar piores.
Mas agora? Agora, mesmo sem ter nada, sinto que tenho algo a perder. Estou tão (demasiadamente, talvez) envolvida que não consigo ser suficientemente objectiva, não consigo afastar-me o suficiente para escrever algo capaz de limpar o "lixo" todo que tenho guardado cá dentro e que vai sendo libertado, melhor ou pior, através das lágrimas. Não consigo organizar tudo o que penso e sinto em meras palavras escritas - é também por isso que as mensagens já não me ajudam -, e mesmo que conseguisse, acho que não me ia ajudar. Até porque na verdade eu não quero escrever: quero falar e quero ouvir.
Desta vez é tudo diferente, é tudo muito mais intenso, mais complexo... mais indescritível.
E sim, eu tenho consciência de que vão ficar sempre coisas por dizer, mas não é por isso que vou desistir. Há sempre algo que fica por dizer, mas há coisas que não podem deixar de ser ditas. Tenho medo de dizer tudo aquilo que penso e sinto e quero, preciso de uma quantidade de coragem que não tenho em mim e não sei onde encontrar, mas mesmo assim preciso de falar, de dizer, de ouvir... não sei. É uma necessidade urgente e vibrante que é superior a mim e não consigo satisfazê-la, o que me andar a deixar meio louca. O que eu sei, com toda a certeza, é que não consigo guardar tudo isto dentro de mim. Não consigo ter este peso no coração e saber que o transporto sozinha.
Odeio coisas pendentes... odeio deixar assuntos por resolver, odeio ter coisas por resolver e pior, odeio não ter maneira de resolvê-las. Odeio ter de esperar sem saber do que é que estou à espera, quanto tempo vou ter de estar à espera ou, sequer, se vai valer a pena esperar. Odeio não ter noção do que se passa e ter a impressão de que há algo que me está a escapar e eu não sei o que é. Odeio estar revoltada e zangada e magoada e desiludida e triste e "partida" e odeio não conseguir sentir-me de outra forma, mesmo que não o dê a entender sempre.
Não posso fazer nada, é certo, mas não vou desistir e isso é um ponto bem assente. Aquilo que tenho para dizer não vai desaparecer simplesmente porque não tenho oportunidade de falar ou porque não me querem ouvir. E desta vez, não estou mesmo nada disposta a conformar-me com a suposta inevitabilidade desta situação estúpida. Desta vez, não vou "deixar passar" como faço quase sempre. De uma maneira ou de outra, agora ou (não muito!) mais tarde, eu vou dizer isto tudo, mesmo que não me queiram ouvir.

Tal como já disse ontem, fico por aqui - e não quero saber se não é a decisão mais correcta. É aquilo que eu preciso e aquilo que eu quero e neste momento, é o que eu quero e preciso que vai contar.

( também não ando bem. nada bem mesmo. mas para mim é a falar que as pessoas se entendem. e eu preciso de entender isto, preciso mesmo! )

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terça-feira, 5 de outubro de 2010






esgotei(-me).

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Ainda não tomei a minha decisão final. Como sempre, não gosto de fechar portas nem perder oportunidades e por agora, ainda sinto que tudo está em aberto, apesar de não estar nada nas minhas mãos.
Por agora, fico por aqui, mesmo sabendo que a opção mais correcta era virar costas. Mas não o faço. Para mim, ainda há muita coisa por fazer... muita coisa por dizer.
Não desisto, não desisto, não desisto.

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domingo, 3 de outubro de 2010

Gostava de ainda ter várias opções em aberto e a quantidade de coragem necessária para fazer tudo, como há uns meses atrás. Gostava de ter aquela sensação de não ter nada a perder, uma vez que não posso sentir que não tenho motivos para ter medo. Gostava de ainda ser forte e dona do meu destino.
Mas no fundo, quem é que eu estou a enganar? Há já muito tempo que não sou livro de agir como bem me apetece e não vou mentir e fingir que me tenho importado muito, porque na verdade não tenho. Não vou fingir que estou arrependida do que quer que tenha feito durante os últimos seis meses porque se há coisa que não guardo, são arrependimentos.
Mas sabes que mais? Gostava de ainda poder escrever uma carta que resolvesse tudo o que há para resolver. Já que pelos vistos não me queres ouvir de outra forma.
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« Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar.
Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? »

( para o bem ou para o mal, quer te agrade ou não, esta é a minha realidade.
e algo me diz que vai continuar a sê-la durante algum tempo. )

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( unbalance )

Há três coisas que faço todos os dias, imperativamente: escrever, ouvir música e reservar algum tempo para estar completamente sozinha. No entanto, nos últimos três dias as coisas não têm sido bem assim.
Só continuo a escrever porque é a única coisa que, neste momento, me consegue manter a uma distância mais ou menos segura, e no entanto ainda demasiado próxima, da loucura que está iminente e que eu sinto aproximar-se cada vez mais. Obrigo-me, literalmente, a pegar numa caneta ou a abrir o blog, para me sentir viva, nem que seja só nas palavras.
Recuso-me a ouvir música, qualquer que ela seja. O iPod está escondido num canto do quarto e o ícone no menu do telemóvel que diz 'Leitor de Música' é como um destino que me está totalmente proibido. Não posso dar-me ao luxo de ouvir música, porque não estou em condições de aguentar o inevitável fluxo de recordações que dela adviriam.
Reservar tempo para mim própria tem sido, também, outra das coisas das quais me tenho privado voluntariamente, e no entanto sinto imensa falta dos "meus" momentos, dos quais necessito imenso, diariamente. Mas não pode ser. Não posso fechar-me no meu quarto e deixar as lágrimas vir, porque tenho perfeita consciência de que quando o fizer, elas não vão parar mais.
Não estou equilibrada - se há coisa que me falta neste momento, para além do habitual, é mesmo a sensação de segurança que me traz, sempre, o facto de saber onde estou a pisar e o que ando a fazer. Mas ultimamente não sei. Não sei nada e muitas vezes sinto que já não me conheço, quando me permito pensar mal de mim mesma e me deixo ir mais ao fundo do que já alguma vez fui.

Ninguém, ninguém tem noção do que eu tenho passado - sozinha - nestes últimos dias.

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sábado, 2 de outubro de 2010

« At this moment there are 6,502,867,120 people in the world, give or take a few, and sometimes all you need is one. For better or worse. »

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( fragile )

Não consigo deixar de me sentir culpada, e no entanto não sinto que o que fiz tenha sido algo de tão grave assim. Sim, exagerei. Sim, talvez tenha falado de uma forma demasiado brusca e tenha reagido demasiadamente a algo que até poderia não ser assim tão importante. Mas por outro lado - pelo meu lado! - é preciso ver que a ignorância e o silêncio e a distância estavam - e estão, como sempre - a matar-me e cheguei a um ponto em que simplesmente não deu mais para ficar calada. Mas fui mal interpretada, e o facto de não saber se algum dia vou poder explicar-me, e ao que fiz, está a matar-me mais... e mais... e mais...

Era isso que querias? Magoar-me? Parabéns. Fizeste-o (outra vez).

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Tenho tanta coisa calada dentro de mim e tanta vontade, tanta necessidade de o fazer, que esta impossibilidade é uma verdadeira tortura.
Não consigo calar os meus pensamentos. Não consigo deixar de pensar no que diria se pudesse, no que faria se pudesse, no que seria poder fazer tudo aquilo que quero - e, mais que isso, preciso! - fazer.
Não consigo fechar as recordações num cantinho escuro da memória. Não consigo fazer com que imagens soltas parem de me assaltar a calma, não consigo nem por um momento deixar de pensar no que foi e no que será. Não consigo, não consigo, não consigo.

Se isto é desespero, agora, nem quero saber o que vem a seguir.

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

( despair )

Não consigo encontrar palavras que consigam descrever, por pior que seja, o que me vai cá por dentro neste preciso momento. Simplesmente não consigo.
Tenho tanta, tanta coisa em que pensar, mas ao mesmo tempo sinto-me tão completamente vazia. Sinto que não sou capaz de suportar isto tudo, mas não tenho outra hipótese.
O que é que hei-de dizer para tentar pôr em palavras o que estou a sentir? Haverá, sequer, palavras suficientes? Sinto-me magoada, desiludida, cansada, assustada, ressentida, chateada. Ao mesmo tempo sinto-me culpada. E sinto-me, sobretudo, (muito) desesperada. Como se estivesse num beco sem saída e não me restasse qualquer outra hipótese senão a de ficar por aqui, indefinidamente.
E agora, meu Deus, e agora? É tudo o que consigo perguntar(-me). Não consigo ver uma solução plausível, não consigo encontrar um meio qualquer de vencer tanta complicação e salvar-me do abismo. Não consigo. Sinto-me totalmente perdida e sinto que a única pessoa que me pode ajudar, é a única pessoa que não se importa.

A minha força voou pela janela. Só quero deitar-me, apagar a luz e dormir, dormir e dormir até acordar num qualquer momento em que tudo já tenha passado.

Desculpa. Eu não queria nada disto. Preciso muito que me compreendas. Por favor.

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