sábado, 3 de abril de 2010

esquece .


Não é justo. Isso que estás a tentar fazer(-me), não é justo. E ambos sabemos bem disso, não sabemos?
Naquele dia, o meu sexto sentido alertou-me várias vezes que há coisas que não se devem fazer... de certa forma, eu sabia que se acontecesse alguma coisa, não íamos manter-nos como éramos. Eu sabia que não íamos ser capazes de confiar como dantes, de falar como antes, de rir como antes. Eu sabia que se esbatesse os limites entre amizade e mais que isso, íamos acabar por perder-nos na indefinição. E eu sabia que não gostava assim tanto de ti, e que tu não gostavas assim tanto de mim, para ter mais que uma amizade - para além de que a distância também ia constituir um obstáculo.
E, sobretudo, no momento a seguir, eu soube que tinha sido um erro. Mas não foste o meu primeiro erro, e os erros podem corrigir-se. E eu tentei corrigir-nos. Eu disse-te tudo, fui sincera. Mas tu preferiste afastar-te sem dizer nada, ficar semanas sem falar comigo, a ignorar as mensagens e a evitar os telefonemas. E custou-me tanto! Já me tinha habituado às mensagens constantes, aos telefonemas diários, à cumplicidade, à amizade, à confiança. Mas tu desprezaste, menosprezaste, desligaste-te e foste embora.
Passaram-se quase dois meses. Desabituei-me de ti! Deixei de esperar pelo telefone que nunca tocava, deixei de esperar que viesses resolver as coisas, que quisesses ouvir o que eu ainda tinha para dizer. Deixei de querer os teus conselhos quando tinha problemas, deixei de querer de falar contigo para me sentir segura. Deixei de precisar de ti.
Não era isso que tinhas pedido? Espaço? Não tinhas dito que querias manter-te longe de mim durante tanto tempo quanto fosse preciso, para apagares os sentimentos que tinhas por mim e que não querias ter? Não procuraste apoio noutras pessoas? Não me trocaste? Sim, fizeste tudo isso e mais ainda. Quebraste a promessa de nunca me desiludir e deixaste-me ficar mal. E eu fiz tudo o que pediste: afastei-me.
Por isso não é justo mandares-me uma mensagem, do nada, a dizer que estás arrependido, que tens saudades minhas, que ainda tens o meu elástico, as minhas mensagens todas, e que queres que as coisas voltem ao que eram. Meu querido, lembras-te quando te disse que uma vez perdida a confiança, as pessoas deixam de valer a pena? Eu não consigo confiar em ti. Por muito que até gostasse, não consigo, sabes? E agora não vale a pena. Desiste. Nunca, nunca vamos voltar a ser o que já fomos.
Porque eu já não preciso de ti, e não quero voltar a precisar.

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