quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Meu amor.
É tão fácil habituarmo-nos àquilo que nos faz sentir bem, não é? Mesmo quando é tudo completamente desconhecido, completamente novo, é tão fácil adaptarmos a nossa vida, ao ponto de já nem sabermos como vivíamos antes.
Foi exactamente assim que me aconteceu contigo. Eras um (quase) completo desconhecido... e depois de uma noite, depois de dez horas de conversa, foi como se sempre estivesses estado na minha vida. Como se nunca tivesse havido um tempo em que não nos conhecíamos, ou uma altura em que não tivesses feito parte de mim.
Ainda continuo a achar absolutamente incrível a maneira como encaixas em mim - em todos os sentidos - e a maneira como, desde o primeiro minuto do nosso café, senti que eras exactamente a peça do puzzle que me faltava encontrar. Conheci-te, e o meu mundo inteiro mudou.
Ponho-me a pensar: tive uma (espécie de) relação durante quase cinco anos, e no entanto nunca me senti, com ele, da forma como me sinto contigo. Nunca, com ele, tive a confiança que tenho contigo - e isto tendo perfeita consciência de que nós ainda só estamos agora a conhecer-nos. Não pretendo fazer qualquer comparação com o passado, ainda que estas palavras possam soar dessa forma - mas qualquer comparação seria impossível, porque és muito mais, e melhor, do que ele, em todos os sentidos! Ainda assim, esta diferença abismal entre os níveis de confiança e comunicação é, para mim, uma das maiores provas de que agora sim, encontrei o homem dos meus sonhos.
Sei que me pediste para ter calma e paciência, para confiar em mim, em ti e em nós, e para viver a vida e aproveitar o momento. No fundo, ambos sabemos que me pediste para fazer aquilo que me seria mais difícil, tendo em conta quem eu sou - mas por ti eu dou tudo e tento tudo, e vou até onde tiver de ir, por isso prometi tentar. E é o que estou a dedicar-me a fazer: tentar gostar um bocadinho mais de mim, tentar acreditar que a história não tem de repetir-se vezes e vezes sem conta.
É fácil viver sem medos e preocupações quando só tenho de olhar por mim e para mim, e é fácil tomar decisões importantes quando posso ser egoísta e pensar só em mim. Agora, existes tu, e a verdade é que tornas a minha vida muito mais fácil num infinito número de coisas: fazes-me feliz, e é tão mais fácil viver feliz (ainda que eu tenha um especial jeito para sofrer). Mas, por te ter, também tenho um sem-número de medos que não existiam antes, e as decisões maiores são todas tomadas tendo-te em consideração - mesmo que não mo peças, não consigo evitar pensar em ti, porque te quero manter por perto durante tanto tempo quanto for possível. Em (relativamente) pouco tempo ganhaste uma importância que eu nunca poderia ter imaginado, e para a qual não estava, de todo, preparada!
Mas é tão bom. Com todos os riscos, medos e preocupações, é tão bom ter-te.
Não podia pedir mais nada.

Meu amor.
És a melhor coisa do meu mundo.

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

dia 56 (ou: o futuro assusta),

Meu amor.
O meu lado de Virgem, aquele que é muitíssimo organizado e racional - quase, quase obsessiva-compulsivamente perturbado -, que detesta não ter tudo sob controlo, e não poder fazer planos de futuro, tem entrado completamente em parafuso nestes últimos dias. É como se, a cada minuto, algo novo aparecesse, ou algo mudasse de repente, e eu ficasse completamente desamparada, com tantas opções à minha frente que nem sei bem o que fazer.
Toda a gente me tem dito - e o meu lado racional sabe isso, também - que não devo condicionar-me por tua causa. Que a nossa relação é demasiado recente, que ainda não nos conhecemos tão bem quanto, às vezes, pode parecer, e que por isso tenho que ter cuidado em cada passo que der e resguardar-me, não "pôr todos os ovos no mesmo cesto", e manter todas as minhas opções em aberto para o caso de as coisas correrem mal. Mais uma vez, parece que toda a gente acredita que as coisas entre nós vão correr mal, e que sou a única a remar contra a maré e a querer acreditar que não, que não tem necessariamente que ser assim, e que até podemos continuar a ser muito felizes, tal como penso que temos sido nos últimos cinquenta e seis dias.
Mas a verdade é que não sei, de todo, o que hei-de fazer à minha vida. Não sei se devo aceitar a proposta profissional que tenho, ou recusá-la e ficar à espera de mais ou, pelo menos, de melhor. Não sei se tu queres ou não que eu a aceite, se me queres ainda mais perto ou se tens receio de dar esse passo - e eu tenho receio de te fazer qualquer proposta, porque o meu medo da rejeição está sempre, sempre presente. Não sei se devo começar a preparar-me psicologicamente para o facto de podermos vir a ficar separados por uma quantidade ainda maior de quilómetros - às vezes parece que o destino está apostado em roubar-te de mim, exactamente quando começo a achar que até há hipóteses palpáveis de te ter por perto, só para mim, todos os dias.
O futuro assusta-me muito, mais do que posso pôr em palavras, e este medo recente, aliado a todos os outros que já existiam antes, está a deixar-me completamente à nora. Já tenho paranóias suficientes para toda uma pessoa e toda uma vida - mas cada vez que penso assim, acontece sempre mais alguma coisa que me faz ficar ainda pior.
Não tenho remédio.
Espero que me ajudes. E que fiques por aqui para me mudar (mais).

Meu amor.
És a melhor coisa do meu mundo.

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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

54 days ,

Meu amor.
Hoje, o meu acordar não foi, de todo, tão doce quanto ontem. Pesadelos demasiado reais assaltam-me mais vezes do que gostaria e, quando acordo assim, as dúvidas que tanto quero afastar acabam sempre por instalar-se na minha mente durante o resto do dia.
Por mais que me esforce - e esforço-me tanto! - não sou capaz de sentir que sou suficiente para ti. Já to disse várias vezes: se não fui suficiente para ninguém até agora, por que o haveria de ser para ti, de entre todas as pessoas? Se não fui suficiente para as duas pessoas por quem senti (algo parecido com) amor até agora, e eles não eram nem metade do homem que tu és... por que é que haveria de chegar para te satisfazer a ti, de entre todas as pessoas?
Todos os dias repito, na minha cabeça, as palavras mais bonitas que me dizes ou escreves. Repito-as vezes sem conta, numa tentativa (quase sempre frustrada) de me relembrar que não és igual ao outros. Que não me vais fazer o que eles fizeram.
Penso nos teus olhos e no teu sorriso, penso nas mil e uma expressões da tua face e  penso, especialmente, naquela que guardas para usar apenas quando me dizes coisas especialmente queridas, num momento ou noutro. Conheço - felizmente! - essa expressão há cinquenta e quatro dias, e há cinquenta e quatro dias que penso que nunca ninguém olhou para mim assim. Nunca ninguém me fez sentir assim, mesmo sem dizer qualquer palavras. E quero acreditar em ti quando me dizes que nunca ninguém gostou de mim como tu gostas. Quero acreditar... porque preciso - tanto! - que isso seja verdade...

Meu amor.
És a melhor coisa do meu mundo.

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sábado, 20 de setembro de 2014

day 52 ,

Meu amor,
Regressar para ti, ontem, foi a melhor coisa que me podia ter acontecido. Não, deixa-me corrigir: ter-te, para poder regressar para ti, foi a melhor coisa que me podia ter acontecido.
A semana que passou não foi fácil. Foi como se, todos os dias, alguém se tivesse disposto a fazer com que nós não pudéssemos estar completamente bem - alguém a "criar ruído" entre nós, como tu costumas dizer -, por isso, ontem, tudo o que eu precisava era de saber que ias estar aqui à minha espera, pronto para me receber de volta aos teus braços. E tu estavas lá. Estás sempre lá. Mesmo quando eu consigo assustar-me a mim mesma e começo a achar que me vais deixar, que me vais abandonar... tu continuas sempre lá. E este é o quinquagésimo segundo dia em que me belisco, ao acordar, porque ainda estás comigo - tu, de entre todas as pessoas, escolheste-me a mim, e eu ainda não acredito.

Mas, já que falei daquilo que faço ao acordar, passo àquilo que realmente me trouxe a escrever: a forma como dormi nesta noite que passou. Porque, possivelmente, foi a melhor noite de sono da minha vida inteira.
Não consigo descrever o que é adormecer contigo. Não sei explicar o quão segura me sinto quando me puxas para ti e me prendes nos teus braços. Não sei explicar a sensação de me entrelaçar em ti, de me encaixar no teu corpo, e sentir-te a ficar confortável, sentir a tua respiração a abrandar gradualmente, até ficar muito lenta e pesada. Adormeces sempre primeiro do que eu e é incrível sentir que, mesmo a dormir, continuas a abraçar-me com a mesma força do que quando estavas acordado, ao ponto de eu ter medo de me mexer, para não te perturbar. Mas se por acaso decido, finalmente, mudar de posição, tu simplesmente adaptas-te novamente ao meu corpo e voltas a puxar-me para ti e a abraçar-me com a mesma força do que antes.
No fundo, e à falta de mais e melhores palavras, o que quero dizer é bastante simples: dormir contigo é uma das melhores coisas do mundo, meu amor. Porque quando adormecemos na mesma cama, não dormimos simplesmente ao lado um do outro. Porque quando durmo contigo, durmo mesmo contigo, ao ponto de me perder no teu corpo. E nunca mais me querer encontrar.

És a melhor coisa do meu mundo.
Meu amor.

@

the past ,

Às vezes ouvimos músicas que descrevem a nossa vida - esta era eu, há seis anos.

Cause when you're fifteen and somebody tells you they love you
You're gonna believe them
And when you're fifteen, feeling like there's nothing to figure out
Well, count to ten, take it in
This is life before you know who you're gonna be
At fifteen

(...)

When all you wanted was to be wanted
Wish you could go back and tell yourself what you know now

Back then I swore I was gonna marry him someday
But I realized some bigger dreams of mine

(...)

Cause when you're fifteen and somebody tells you they love you
You're gonna believe them
And when you're fifteen, don't forget to look before you fall
You'll find time can heal most anything
And you just might find who you're supposed to be
I didn't know who I was supposed to be fifteen
At fifteen

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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

day 48 ,

Meu amor,
É a primeira vez que te escrevo e é, também, a primeira vez que sinto vontade de o fazer. Porque, pela primeira vez, estás longe quando o meu coração está a explodir de coisas para te dizer; pela primeira vez, por muito que pudesse dizer-te através do telefone, sei que não ia ser o suficiente para me expressar convenientemente. Por isso decidi recorrer ao método que nunca me falhou sempre que quis exteriorizar alguma coisa: escrever. Escrever, absolutamente livre de restrições, escrever para ti, e para mim também - até porque não sei se algum dia vou mostrar-te estas palavras.

Os últimos quarenta e oito dias - sim, eu contei-os! - têm sido, sem sombra de dúvida, os melhores da minha vida. Ainda sinto necessidade de me beliscar todas as manhãs, quando acordo e me lembro de que te tenho e te posso chamar meu - o meu namorado. O meu amor. E se acordo ao teu lado, então... sinto sempre uma imensa necessidade de te beijar, de te abraçar, de saber que estás mesmo ali comigo e não estou a alucinar.
Não sei explicar-te o quão importante te tornaste para mim num tão escasso período de tempo. Por muito que possa ser "cliché" dizê-lo, uma vez que dizemos sempre isto no início das relações, a verdade é a seguinte: nunca me senti desta forma por ninguém, antes. Nunca me senti tão completamente apaixonada, e de forma tão saudável - posso precisar de ti mais do que de qualquer outra pessoa, posso já não saber como é viver sem te ter, posso não ser capaz de aguentar o mero pensamento de te vir a perder... e no entanto, por mais assustador que possa ser estar assim, sinto que o amor que tenho por ti é algo puro e bom. Faz-me bem. Fazes-me bem.

Como apaixonada que sou, passo largas horas da minha vida a ler romances impossíveis e a ver séries e filmes lamechas; já foram tantas as histórias de amor que fiquei a conhecer, que sei o suficiente para não achar que vai ser sempre tudo "cor-de-rosa" connosco - por mais que eu assim o desejasse.
Mas nós estamos na nossa fase de "lua-de-mel", em que nos fechamos na nossa "bolha" e deixamos o resto do mundo lá fora, em que conseguimos abstrair-nos totalmente de tudo enquanto nos perdemos um com o outro... um no outro. Ainda que tenha consciência de que não vai ser sempre assim, guardo muita esperança de que consigamos sempre manter viva esta nossa "bolha", para nos podermos resguardar de tudo e todos sempre que quisermos. Mais que isso - sinto que contigo posso ser e fazer tudo, porque me fazes sentir que o impossível não é assim tão inalcançável. Trazes ao de cima o melhor de mim, fazes de mim a pessoa que quero ser, e não poderei nunca agradecer-te o suficiente por me ouvires sempre (ou tentares), por me perceberes sempre (ou tentares) e por estares sempre lá para mim quando eu preciso de ti.
Fazes-me querer confiar plenamente em ti - algo que eu tinha prometido a mim mesma, há algum tempo atrás, que nunca mais faria com ninguém. Mas, mais uma vez, pões sempre à prova todas as minhas regras, todos os meus princípios, todas as minhas vontades.
E só me fazes querer mais. Querer-te mais, e mais, e mais.

Hoje não foi um dia fácil. Provavelmente, é por isso que decidi escrever-te hoje, de todos os dias - afinal de contas, e ainda que não o saibas, o meu "modus operandi" é sempre escrever apenas quando não estou bem.
Hoje, os meus maiores medos voltaram a ressurgir - e todos eles incluem perder-te, de alguma forma. Porque por muito que possa estar tudo bem entre nós os dois, há sempre factores externos que são uma ameaça, uma espécie de nuvem negra, que sinto em cima dos meus ombros mais vezes do que gostaria. E hoje... bom, seguindo a minha metáfora da nuvem negra, o mais acertado será dizer que hoje... choveu.
Gosto de pensar que sou madura para a minha idade, e no entanto hoje senti-me completamente pequenina e desamparada, como se estivesse a lidar com situações "de adultos". Costumava acontecer-me há alguns anos atrás, quando a minha família discutia à porta fechada, sem crianças, porque elas "não iam perceber". Hoje senti-me muito assim - como se ainda fosse uma criança e me fechassem a porta na cara, para eu não entrar num mundo que não me pertencia e com o qual eu não ia conseguir lidar.
Pedes-me sempre para confiar em ti e dizes-me sempre que não tenho motivos para me preocupar ou sentir ameaçada - mas por muito que eu queira, não sou capaz de acreditar completamente em ti. Afinal de contas, não é por nada que sou a pessoa mais insegura do mundo... E sendo tu aquilo que mais me importa, sinto que nunca vou estar completamente certa de que és meu, e só meu, e de que ninguém te vai roubar de mim.
Há sempre (pelo menos) uma "ameaça". Há sempre alguém que vai lá estar sempre, alguém com quem não consigo competir. Alguém que me assusta (muito), porque sinto que tem um certo "poder" sobre ti - e que temo, constantemente, que se estenda a nós também. E o meu maior temor é que o tempo não seja suficiente para curar feridas - como eu bem sei, há algumas que nunca cicatrizam por completo... E se as feridas não se curarem, não há paz.
E se não houver paz...

Não, hoje não foi, definitivamente, um bom dia.
Porque nem as palavras me valem. Nem elas me ajudam a libertar da tensão... do medo.
E quando nem as palavras são suficientes para me limpar a mente, o melhor mesmo é não tentar continuar a usá-las.

Não me despeço, no entanto, sem repetir: meu amor. És a melhor coisa do meu mundo.
E a esperança de que tudo vá ficar bem nunca me falta.

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