domingo, 28 de julho de 2013

Eis que me propõem um desafio inesperado: pegar numa cena já escrita de uma peça de teatro em construção, e a partir dela, escrever outra sobre um tema muito mais profundo e sobre o qual, infelizmente, sei mais do que o que gostava de saber. Namoros e desilusões, daquelas que não sabemos como ultrapassar e sobre as quais podem passar meses e meses, mas que nunca se hão-de esquecer.
Aceito de imediato. Porque durante os próximos meses, se tudo correr bem, esta peça vai fazer parte da minha vida de qualquer maneira, por isso, porque não participar nela ainda mais activamente do que já pretendia? Se vou voltar ao tão adorada grupo de teatro que deixei há cerca de um ano e meio, então volto em força.
Mas é assustador, aterrador mesmo. Porque desta vez, vou escrever algo que não vai ficar só para mim. Vou transpôr parte de mim para as palavras que vou escrever, e não vou poder guardá-las para mim mesma, nem colocá-las num blog cujos leitores eu desconheço. Vão ser apresentadas, avaliadas e julgadas por um grupo de pessoas que ainda por cima me conhece - porque é que é sempre tão mais difícil mostrar o nosso trabalho a quem nos conhece? E se elas não gostarem? E se eu não for capaz? E se...? E se...?
Está na hora de crescer. E este é mais um passo na direcção que quero tomar um dia mais tarde.

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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Podia escrever muito, hoje. Porque tive duas desilusões daquelas grandes, com pessoas que em tempos me eram mais do que próximas. Mas não vou. Porque já nenhuma delas merece que eu escreva sobre cada um desses assuntos.
Prefiro antes focar-me na minha noite, que vai ser de regresso a sítios e pessoas que já não vejo há muito tempo e que em tempos representavam um verdadeiro escape da minha vida real, às sextas feiras à noite.
E prefiro focar-me em ser superior, sempre, e acreditar que dê por onde der, eu vou ficar bem. Porque não me vou deixar ir abaixo assim tão facilmente.

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quinta-feira, 25 de julho de 2013

reminiscências...

Ontem à noite deu-me uma súbita vontade de voltar ao passado, e como tal fui ler textos antigos meus escritos num caderno que andava sempre comigo - quase um diário... - e que me levaram direitinha ao verão de 2007, onde tudo começou. Na verdade, em retrospectiva, acho que posso mesmo dizer que aquele verão de há seis anos atrás é o primeiro momento para o qual posso apontar e dizer "Foi aqui que a minha vida mudou".
Já não me ponho muitas vezes a pensar nos últimos seis anos, nem naqueles quatro anos e meio em específico, mas a verdade é que ontem me senti a viajar no tempo e acabei por passar o dia todo de hoje a mergulhar, de vez em quando, em recordações, melhores ou piores. E percebi que ainda não sei fazer um balanço final, nem considerar se esses anos foram óptimos ou péssimos, bons ou maus, porque tive de tudo. Como um filme muito, muito longo e complexo, passei por muito... só não tive um final feliz.
Mas não esqueço. E não quero esquecer. E por isso vou fazer minhas as palavras do Miguel Esteves Cardoso naquele texto tão belo - e tão certeiro, sei-o agora, que é "O Primeiro Amor".

« É fácil saber se um amor é o primeiro amor ou não. Se se admite que possa ser o primeiro, é porque não é, o primeiro amor só pode parecer o último amor. É o único amor, o máximo amor, o irrepetível e incrível e antes morrer que ter outro amor. Não há outro amor. O primeiro amor ocupa o amor todo.
Nunca se percebe bem por que razão começa. Mas começa. E acaba sempre mal só porque acaba. Todos os dias parece estar mesmo a começar porque as coisas vão bem, e o coração anda alto. E todos os dias parece que vai acabar porque as coisas vão mal e o coração anda em baixo.
O primeiro amor dá demasiadas alegrias, mais do que a alma foi concebida para suportar. É por isso que a alegria dói - porque parece que vai acabar de repente. E o primeiro amor dói sempre de mais, sempre muito mais do que aguenta e encaixa o peito humano, porque a todo o momento se sente que acabou de acabar de repente. O primeiro amor não deixa de parte um único bocadinho de nós. Nenhuma inteligência ou atenção se consegue guardar para observá-lo. Fica tudo ocupado. O primeiro amor ocupa tudo. É inobservável. É difícil sequer reflectir sobre ele. O primeiro amor leva tudo e não deixa nada.
Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Há amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos. Há amores mais duradouros. Quase todos. Mas não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e o deixa estragado.
É como a criança que põe os dedos dentro de uma tomada eléctrica. É esse o choque, a surpresa "Meu Deus! Como pode ser!" do primeiro amor. Os outros amores poderão ser mais úteis, até mais bonitos, mas são como ligar electrodomésticos à corrente. Este amor mói-nos o juízo como a Moulinex mói café. Aquele amor deixa-nos cozidos por dentro e com suores frios por fora, tal e qual num micro-ondas. Mas o "Zing!" inicial, o tremor perigoso que se nos enfia por baixo das unhas e dá quatro mil voltas ao corpo, naquele micro-segundo de electricidade que nos calhou, só acontece no primeiro amor.
O primeiro beijo é sempre uma confusão. Está tudo a andar à volta e não se consegue parar. A outra pessoa assalta-nos e deixa-nos tontos, isto apesar de ser tão tímida e inepta como nós. E os nomes dos nossos primeiros amores? Os nomes doem. Parecem minúsculos milagres. Cada vez que se pronunciam, rebenta um pequeno terramoto no equador. E as mãos? Quando a mão entra na de quem se ama e se sente aquele exagero de volts e de pele, a única resposta sensata é o assassínio, o exílio, o suicídio. Nada fica de fora. O mundo é uma conspiração cinzenta de amores em segunda mão. Nada é puro fora daquelas mãos. O tesouro está a arder, as pessoas a morrer, os olhos cheios de luz estão a cegar, mas o primeiro amor é também, e sem dúvida, o primeiro amor do mundo.
O primeiro amor é aquele que não se limita a esgotar a disposição sentimental para os amores seguintes: quer esgotá-la. Depois dele, ou depois dela, os olhos e os braços e os lábios deixam de ter qualquer utilidade ou interesse. As outras pessoas - por muito bonitas e fascinantes que sejam - metem-nos nojo. Só no primeiro amor.
Não há amor como o primeiro. Mais tarde, quando se deixa de crescer, há o equivalente adulto ao primeiro amor - é o primeiro casamento; mas não é igual. O primeiro amor é uma chapada, um sacudir das raízes adormecidas dos cabelos, uma voragem que nos come as entranhas e não nos explica. Electrifica-nos a capacidade de poder amar. Ardem-nos as órbitas dos olhos, do impensável calor de poder-mos ser amados. Atiramo-nos ao nosso primeiro amor sem pensar onde vamos cair ou de onde saltamos. Saltamos e caímos. Enchemos o peito de ar, seguramos as narinas com os dedos a fazer de mola de roupa, juramos fazer três ou quatro mortais de costas, e estatelamo-nos na água ou no chão, como patos disparados de um obus, com penas a esvoaçar por toda a parte.
Há amores melhores, mas são amores cansados, amores que já levaram na cabeça, amores que sabem dizer «Alto-e-pára-o-baile», amores que já dão o desconto, amores que já têm medo de se magoarem, amores democráticos, que se discutem e debatem. E todos os amores dão maior prazer que o primeiro. O primeiro amor está para além das categorias normais da dor e do prazer. Não faz sentido sequer. Não tem nada a ver com a vida. Pertence a um mundo que só tem duas cores - o preto-preto feito de todos os tons pretos do planeta e o branco-branco feito de todas as cores do arco-íris, todas a correr umas para as outras.
Podem ficar com a ternura dos 40 e com a loucura dos 30 e com a frescura dos 20 - não outro amor como o doentio, fechado-no-quarto, o amor do armário, com uma nesga de porta que dá para o Paraíso, o amor delirante de ter sempre a boca cheia de coração e não conseguir dizer outra coisa com coisa, nem falar, nem pedir para sair (…). Podem ficar (e que remédio têm) com o savoir-faire e os fait-divers e o «quero com vista pró mar se ainda houver». Não há paz de alma, nem soalheira pachorra de cafunés com champagne, que valha a guerra do primeiro amor, a única em que toda a gente morre e ninguém fica para contar como foi.
Não há regras para gerir o primeiro amor. Se fosse possível ser gerido, ser previsto, ser agendado, ser cuidado, não seria primeiro. A única regra é: Não pensar, não resistir, não duvidar. Como acontece em todas as tragédias, o primeiro amor sofre-se principalmente por não continuar. Anos mais tarde, ainda se sonha retomá-lo, reconquistá-lo, acrescentar um último capítulo mais feliz ou mais arrumado. Mas não pode ser. O primeiro amor é o único milagre da nossa vida - e não há milagres em segunda mão. É tão separado do resto como se fosse uma primeira vida. Depois do primeiro amor, morre-se. Quando se renasce há uma ressaca. É um misto de «Livra! Ainda bem que já acabou!» e de «Mas o que é isto? Para onde é que foi?».
Os outros amores são maiores, são mais verdadeiros, respeitam mais as personalidades, são mais construtivos - são tudo aquilo que se quiser. Mas formam um conjunto entre eles. O segundo e o terceiro e o quarto, por muito diferentes, são mais parecidos. São amores que se conhecem uns aos outros, bebem copos juntos, telefonam-se, combinam ir à Baixa comprar cortinados. O primeiro amor não forma conjunto nenhum. Nem sequer entre os dois amantes - os primeiros, primeiríssimos amantes. Acabam tão separados os dois como o primeiro amor acaba separado dos demais. O amor foi a única coisa que os prendeu e o amor, como toda a gente sabe, não chega para quase nada. É preciso respeito e bláblá, compreensão mútua e muito bláblá, e até uma certa amizade bláblá. Para se fazer uma vida a dois que seja recompensadora e sobretudo bláblá, o amor não chega. Não se vive só dele. Não se come. Não se deixa mobilar. Bláblá e enfim.
Mas é por ser insustentável e irrepetível que o primeiro amor não se esquece. Parece impossível porque foi. Não deu nada do que se quis. Não levou a parte nenhuma. O primeiro amor deveria ser o primeiro e esquecer-se, mas toda a gente sabe, durante o primeiro amor ou depois, que é sempre o último.
Afinal nem é por ser primeiro, nem é por ser amor. A força do primeiro amor vem de queimar - do incêndio incontrolável - todas aquelas ilusões e esperanças, saudades pequenas e sentimentos, que nascem em nós com uma força exagerada e excessiva. Como se queima um campo para crescer plantas nele. Se fôssemos para todos os outros amores com o coração semelhantemente alucinado e confuso, nunca mais seríamos felizes. É essa a tristeza do primeiro amor. Prepara-nos para sermos felizes, limando arestas, queimando energias, esgotando inusitadas pulsões, tornando-nos mais «inteligentes».
É por isso que o primeiro amor fica com a metade mais selvagem e inocente de nós. Seguimos caminho, para outros amores, mais suaves e civilizados, menos exigentes e mais compreensivos. Será por isso que o primeiro amor nunca é o único? Que lindo seria se fosse mesmo. Só para que não houvesse outro. »

E como também disse o caro MEC... o amor é fodido.

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Já passaram quase três meses. O primeiro foi horrível - não tenho palavras para descrever o quão horrível foi o mês de Maio porque nunca passei por nada assim em toda a minha vida - e o segundo foi passado por entre baixos e altos (nesta ordem, porque felizmente as coisas começaram a melhorar), com momentos de recaída que são naturais, suponho, mas muito indesejados. No entanto, consigo agora olhar para trás e julgar algumas coisas sem a película cor-de-rosa que o amor impõe a tudo, e consigo até pôr em causa o que sinto. Mas sei que não é indiferença - infelizmente, ainda não é indiferença.
Mas depois de tudo o que passei, e todas as atitudes que se seguiram que demonstraram - não digo carinho, porque disso duvido, assim como hei-de duvidar sempre daquilo que realmente existiu ou não, mas que demonstraram algum interesse e/ou preocupação... depois disso tudo, não esperava um "Tenho de deixar de partir corações".
Posso até estar a interpretar mal as palavras, mas o que havia para ler, eu li. E demonstrou - ou pelo menos assim o senti - algo que cá dentro se assemelhou muito a falta de respeito. Porque eu não tive culpa de me apaixonar e de perder a pessoa que mais me importava neste mundo. E não tive culpa do que me aconteceu, muito menos da maneira como o que aconteceu, aconteceu. Durante muitas semanas, culpei-me e procurei respostas para perguntas que hão-de ficar eternamente a pairar no ar e na minha cabeça. Mas agora não. Agora, a minha consciência está tranquila, porque agora consigo olhar as coisas de frente e perceber que as pessoas não mudam, as pessoas enganam.
"Tenho de deixar de partir corações" demonstra uma frieza, uma quase crueldade. Provavelmente não foi essa a intenção - quero acreditar que não - mas a verdade é que cá dentro, foi mais uma facada direitinha ao coração. Como se o facto de partir corações fosse uma coisa leviana, tão simples e fácil de fazer e de ultrapassar.
Pois bem. Para mim nada disto foi leviano, simples, ou fácil - e nunca vai ser. Porque esse coração que se partiu foi o meu, e a dor foi minha, e carreguei-a sozinha e continuo a ser acometida pelo seu fantasma mais vezes do que queria.
Por isso sim, "tens de deixar de partir corações". Só queria que te tivesses lembrado disso antes de partires o meu.

a new notch in your belt is all I'll ever be.

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segunda-feira, 22 de julho de 2013

É sempre arriscado dizer isto, porque a vida - a minha, sobretudo - adora ironias e adora trocar-me as voltas e tirar-me o tapete de debaixo dos pés quando mais preciso de os ter bem assentes... mas hoje sinto que posso - mais que isso, sinto que quero! - dizer que há meses que não me sentia tão bem.
Para ser precisa, há exactamente dois meses e vinte e um dias - aquele dia 1 de Maio em que a minha vida desabou completamente - que não me conseguia sentir assim. Calma, em paz comigo mesma e sobretudo muito, muito mais livre de um peso que me andava a atormentar demasiado e há demasiado tempo.
Aprecio, mais do que as palavras podem dizer, estar apaixonada. Mas por vezes o amor torna-se um peso insustentável dentro do coração e por mais que custe, é preciso pô-lo de parte e encontrar algo diferente em que nos focar. E é o que estou a fazer.
E sabe muito bem.

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quinta-feira, 18 de julho de 2013

aaand I'm back.

Tenho saudades de escrever. Ao longo dos meses que passaram, fui-me desabituando aos poucos e poucos de despejar tudo o que sentia para os meus eternos cadernos que andavam sempre comigo, e acabei por praticamente esquecer a existência deste blog.
Mas ultimamente, não só por tudo o que me tem enchido a vida e os pensamentos - e infelizmente a grande maioria não tem sido boa, antes pelo contrário... - tenho tido muita vontade de voltar a escrever. Afinal de contas, sempre foi um escape e não sei dizer ao certo quando ou por que motivo parei, por isso, por que não recomeçar? E mais que isso, por que não voltar a um sítio que, com altos e baixos como tudo na vida, sempre me foi querido?
Pois bem... estou de volta. Talvez não tanto como antigamente, mas sempre que me apetecer ou achar que preciso. Mas confesso que o medo aperta o coração... será que ainda "sei" escrever? Será que depois de tantas facadas nas costas, ainda sou capaz de expôr os meus sentimentos livremente e partilhá-los com quem quer que me venha aqui ler?
Não sei. Honestamente, não sei quanto de mim vou ser capaz de voltar a dar a este sítio, a este blog tão cheio de memórias que nunca fui capaz de apagar porque, por mais que possa ter sofrido, guardo-as todas bem pertinho do coração, e inclusivamente uso algumas delas para me darem força nas noites que custam mais a passar. "Nunca voltes ao lugar onde foste feliz", diz-me o Rui Veloso. Mas eu vou tentar.
Porque neste momento, não tenho nada a perder. E preciso de voltar a algo que era só meu.

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quarta-feira, 17 de julho de 2013