
É difícil relativizar quando se deseja o absoluto. É difícil desejar o todo e contentar-se apenas com a parte - mas, afinal de contas, alguma coisa sempre é melhor que nada. É difícil ser racional quando o coração não pára de bater num ritmo frenético, alimentado de algo tão viciante, mas tão indefinível, alimentado pelo que vai recebendo e procurando. É difícil manter os pés no chão quando, depois de uns momentos a sós com a felicidade, se passa a caminhar num passo leve, como se se estivesse a esvoaçar e nem se pisasse o chão. É difícil encontrar o equilíbrio entre o que é apenas superficial e o que é muito mais profundo, quando se quer mais do que mera sintonia física, mas não se pode desejar uma verdadeira harmonia de sentimentos. É difícil encontrar palavras que pareçam ser suficientes, é difícil construir frases quando o que se quer dizer já não cabe nas linhas de um caderno. É difícil pedir ao corpo - e sobretudo ao coração - para que tenham calma e pensem, quando eles estão tão apaixonados, há tanto tempo. É difícil evitar os sonhos, afastar as esperanças, pôr de lado os desejos de um futuro, e contentar-se com um presente incerto e indefinido, em que cada passo é dado no escuro, sem certezas, mas com coragem.
Eu estou assustada, não sei mais definir-me ou explicar-me, mas posso tentar resumir(-me): não te quero assustar com o que sinto, nem quero que isso faça com que te afastes, por medo de me magoar, ou de estar a ir demasiado longe comigo. Eu não confundo as coisas, compreendo o teu lado e o que (não) sentes. E esta situação é estranha e confusa, e como já expliquei - ou tentei - há inúmeras dificuldades que me deixam confusa e insegura e com medo de (te) perder (mesmo que não sejas meu), mas eu também sei que é isto que eu quero, que és tu quem eu quero, seja de que maneira for. (Já o disse, pouco é melhor que nada!) E eu sei que sou capaz de superar e ultrapassar as dificuldades, e sou capaz de me ultrapassar e de me superar a mim, se isso me der o que eu quero. E o que eu quero é ficar por aqui, contigo. E quero que queiras estar comigo... seja como for... e mesmo que seja apenas por agora.
Dizer (apenas) que "gosto muito de ti", é uma espécie de eufemismo, mas não me atrevo a usar outras palavras. Por isso aqui fica aquilo a que tudo isto se resume: eu gosto muito, muito de ti, e tenho medo de te perder (outra vez).
( viva a confusão, viva a desconstrução, viva a incoerência! viva os textos escritos às 3h da manhã quando não se consegue dormir porque a cabeça está demasiado cheia... )
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