quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

surviving ,


Eu pensava ter atingido um porto seguro, um local calmo onde estivesse abrigada de ventos e tempestades, onde os dias não custassem a passar e fossem preenchidos por inesperados, as coisas boas e os inevitáveis percalços de adolescente. Pensava mesmo que tinha encontrado o meu equilíbrio, a minha segurança... a minha paz.
Parece que estava enganada, uma vez mais, uma de tantas vezes, mais um de tantos enganos, de tantas (des)ilusões que já sofri. Sempre me levantei após cair, sempre lutei sem desistir, sempre recuperei das derrotas e das perdas que fui sofrendo ao longo destes dezasseis anos (e mais uns meses). Sempre. Mas agora? Agora já não tenho força nem vontade de me levantar daqui e de partir para a luta, para mais uma luta. Não sou capaz, não quero... sobretudo não consigo.
Sinto que ando a perder tudo, a pouco e pouco. As pessoas desiludem-me todos os dias. Umas afastam-se sem explicar porquê. Outras nem se dignam a deixar-me aproximar. Outras rebaixam sem se preocupar com a dor que causam. Outras encontram novas pessoas e esquecem-se das antigas. A vida é feita de escolhas, e eu não me sinto como sendo a escolha de ninguém. E até aguentaria bem essa situação, se tivesse os meus melhores amigos comigo, ao meu lado, se os sentisse bem perto como sempre e se me conseguisse refugiar neles para esquecer o resto. Mas não, também não sou a escolha deles. Passo com eles as manhãs e as tardes, por vezes as noites, todos os intervalos, todas as aulas, trocam-se bilhetinhos e mensagens, conversas e ideias, e não me sinto parte deles. Sinto-me, isso sim, à parte. Isolada. Longe. E ninguém me alcança - talvez porque ninguém tenta ou simplesmente ninguém quer. Por isso suponho que esta seja mais uma prova, mais um obstáculo a ultrapassar. Mais uma provação. Só que... não consigo...
É mesmo triste. Quando comecei a viver de novo, mais um turbilhão e os verbos viver e aproveitar evaporaram-se no nada. Agora, vou sobrevivendo como posso, à espera do dia em que vou voltar a apreciar as pequenas coisas da vida, os raios de sol, os gemidos do vento, as gotas da chuva, o som do mar, a calma da praia, um simples abraço ou até um sorriso. Essas pequenas coisas que habitualmente me fazem feliz e que agora nem sequer me dão ânimo.
Espero que um dia destes o rumo se volte a alterar.

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( estou cansada das atitudes dela(s). magoa(m)-me tanto e nem percebe(m). ou então faz(em) de propósito! já acredito em qualquer coisa... )

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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

sempre ,

Hoje tinha de escrever para ti, meu amor... Meu amor? Será que ainda posso chamar-te assim? Provavelmente não. Já não é válido e provavelmente aos teus olhos seria um abuso (mais um). Mas... os teus olhos não estão a ler este texto. Portanto... meu amor, hoje tinha de te escrever.
Eu sei que já ninguém compreende porque continuo a escrever-te se já não me lês, porque insisto em não te deixar partir quando já me libertaste há tanto tempo, porque continuo a ficar contente e emocionada quando me sorris ou simplesmente quando dás pela minha presença. Nem eu própria compreendo. Depois de tanta dor e tantas lágrimas que continuo a achar, de certa forma, imerecidas, provavelmente a maioria das pessoas faria uso da sua sensatez e esquecia o assunto de uma vez. Mas eu não sou assim: talvez me falte a sensatez ou simplesmente esse verbo "esquecer" seja desconhecido para mim e para o meu coração. Não sei... nem interessa.
O que interessa é que o dia de hoje, por motivos bons e maus, não poderia passar em branco. Até porque pela primeira vez em mais de seis meses conseguimos manter uma conversa, sobre nada em especial (o Tacadas é, de facto, desinteressante...). É certo que foi muito pouco, quase nada, mas foi uma conversa civilizada e calma, normal e de certo modo reconfortante. E ninguém percebeu ou valorizou esse facto quando eu fiquei feliz. Mas depois de dois anos e meio, acho que era necessário valorizar - e para te dar valor sempre estive pronta, acredita!...
Enfim, já estou a perder o rumo ao que queria dizer, de facto já nem sei o que queria dizer. Estava a escrever apenas porque sim, porque senti que precisava. E já saciei esta necessidade. O que (ainda) tenho para te dizer, vou guardar só para mim - talvez um dia consiga finalmente confessá-lo. A ti.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

omnipresença ,


Juro que adorava, adorava ser omnipotente, omnipresente e, sobretudo, omnisciente.
Fosse eu omnipotente, e conseguia logo ganhar coragem para fazer uma data de coisas que não só queria, como precisava de fazer.
E quanto à omnipresença, neste preciso momento precisava de estar em pelo menos três ou quatro sítios ao mesmo tempo, não tanto por curiosidade, mas mais com o intuito de resolver estas dúvidas malditas que não se desvanecem. Ir longe para consolar um e perceber o que se passa afinal, estar perto para poder observar as movimentações furtivas de certas personagens e descobrir possíveis ligações, estar dentro para poder ler o coração. Estar com ele para poder dizer-lhe o que gostava.
Mas a omnisciência... ai! Se eu pudesse obter respostas a todas estas perguntas que me consomem e destroem, estaria agora muito mais calma. Só para não dizer feliz, porque cada vez mais me apercebo do quão relativa é a felicidade e do quão rápido escorre por entre os dedos. Por isso já nem peço felicidade, peço respostas. Só quando as tiver poderei lutar pela felicidade.

(a loucura está a tirar-me a capacidade de escrever um texto coerente.)

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

incomplete ,

Esperar é reconhecer-se incompleto.


Estou tão confusa.
Desde há uns dias atrás, tenho vivido num mundo quase paralelo, quase irreal, quase fantástico, feito de sonhos e, quem sabe, ilusões, feito de esperanças e desejos e vontades e lembranças. Tenho vivido num mundo só meu e onde ainda não deixei ninguém entrar, porque desta vez, e pela primeira vez em muito tempo, não consigo abrir-me e contar tudo o que vai cá dentro.
Tenho medo, medo de mim, medo do que sinto, medo do que quero, medo do que sonho e medo do que penso. Tenho medo do coração que se acelera de repente, das mãos que tremem, dos olhos que brilham, do sorriso que se rasga. Tenho medo que reparem que, quase inconscientemente, o procuro em cada intervalo, que os meus sentidos se põem em alerta de cada vez que o pressinto, que passeio sem destino para o ver. E tudo isto sem o amar. O que faria se gostasse mesmo dele?
Já estive aqui. Já senti tudo isto, até mais intensamente. Já desejei e quis e esperei... e desisti porque senti que a derrota era certa. Pensei ter aprendido a lição há uns meses atrás, pensei estar recuperada da fraqueza e das ilusões sucessivas. Mas pelos vistos, não... ainda não. Como todas as pessoas que me marcam ou marcaram em tempos, não sou capaz de me manter indiferente à presença dele, à passagem dele, ao sorriso dele, aos olhos dele.
Eu sabia que me estava a meter numa situação perigosa. E sei que tenho de sair dela. Até porque não me posso esquecer que tu nunca me completas... há sempre uma peça do puzzle que fica por encontrar...

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

loucura!


Eu esforço-me por entender as pessoas, juro que sim. Eu esforço-me por compreender os seus pontos de vista e por perceber as suas atitudes, mesmo as mais descabidas. Eu tento não me irritar com a parvoíce e com a falta de inteligência de muitos dos que me rodeiam, eu tento lembrar-me que estamos todos na famosa "idade do armário" e que as reacções parvas são normais porque cada um de nós vê o mundo à sua maneira, e todas essas maneiras são diferentes umas das outras. Eu juro, juro que tento. Mas às vezes não dá! Pura e simplesmente não dá... e hoje foi um desses dias. Em que não deu.
Não estou para ouvir e calar, para aturar estupidez e fingir que está tudo bem, não estou para dizer às pessoas o que sinto e ouvir respostas irónicas, mordazes ou, pior, indiferentes. Não estou para me cansar a expôr-me a quem me responde por monossílabos, a quem não se digna sequer a prestar-me mais do que uns segundos de atenção. Eu gosto muito de ti, eu adoro-te e és grande parte do meu mundo, és-me essencial, não vivo sem ti e tu sabes disso, mas se tens os teus dias maus, eu também tenho os meus, e hoje simplesmente cansei-me disto tudo. Descarreguei em ti e se calhar não o merecias, se calhar foste a pessoa certa no tempo errado, se calhar foste a pessoa errada no tempo certo, não sei, já não sei nada, o que sei é que nos chateámos e eu não queria. Nenhum de nós está bem e a solução foi lançarmos tudo um contra o outro para acalmar as almas revoltadas. Mas tudo bem. Depois do ataque de choro e da raiva, tudo passa e voltas com os teus sorrisos e palavras de mel. Ou assim espero.

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domingo, 10 de janeiro de 2010

I still wonder,



Ultimamente tenho pensado muito em ti. Porque será que me é tão mais fácil escrever sobre ti do que sobre qualquer outra pessoa, mesmo passados estes nove meses sem te ter? Porque será que continuas a fazer o meu coração bater mais forte quando passas por mim e sorris, ou das raras vezes em que falas comigo? Porque continuas a exercer este tão grande poder sobre mim, que me faz comparar todos os outros contigo, e me impede de me apaixonar a sério por alguém? Porquê?
Toda esta situação é uma injustiça... como sempre foi. Porque fui sempre eu que amei mais, que quis mais, que senti mais, que desejei mais, que precisei mais, que pedi mais, que sofri mais, que chorei mais, que me desiludi mais... fui sempre, sempre eu. Tu? Nem sei bem o que sentias. Se sentias. Porque foram tantas as vezes em que eu sentia que fugias às palavras que não querias ler, e que te escondias da pessoa com quem nem sempre querias estar.
Talvez seja por tudo isto (e mais ainda) que continuo a pensar em ti e a escrever-te sempre, mesmo sabendo que não me lês.
Queria saber se ainda pensas em mim, se sabes que eu existo e que estou aqui. Se guardas as fotos minhas que um dia pediste - se as olhas de vez em quando como eu faço com as tuas! Se te lembras do nosso cantinho especial - se relembras os meus olhos, o meu sorriso, os meus braços, as nossas gargalhadas, as nossas conversas, os nossos abraços e beijos, como eu faço sempre que passo nesse sítio! Se olhas para o telemóvel e pensas em mim de vez em quando - porque já não recebes uma mensagem minha há meses! Se te recordas do meu cheiro, da minha roupa, do meu toque, da minha presença - como eu me lembro do teu perfume, das tuas mãos em mim, dos teus braços a apertar-me contra ti... da tua boca!
Gostava de voltar a ter uma conversa contigo, uma conversa séria e a sós, em que pudesse dizer-te tudo aquilo que, há uns meses atrás, os sentimentos me impediram de dizer. Gostava de voltar a receber um sorriso teu só para mim, um sorriso verdadeiro e não de circunstância. Gostava de te voltar a abraçar, pela última vez, quem sabe. Gostava de saber que te lembras de mim com algum carinho e não com remorsos ou raiva. Gostava de fazer parte da tua vida... ainda... sempre...

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

2010 ,

É o primeiro post de 2010 e a disposição para a escrita é pouca ou nenhuma, devo confessar.
Estou de volta às aulas e não me sinto nada feliz, as pessoas estão diferentes mas iguais, ou então fui eu que mudei e não dei por ela. Sei que estou marcada por certas coisas, certos momentos que foram muito bons, e preciso de falar sobre eles ou então vou explodir. Posso parecer calma, controlada e até feliz, mas por dentro não estou, e ninguém sabe ou compreende como me sinto, porque ninguém percebe esta 'relação', ninguém consegue ver a quantidade de saudades que tenho e que não posso consumir. Por isso calo-me o mais que posso e tento não chatear - eu sei que falo muito, mais do que devia talvez, mas não o considero (sempre) um defeito. E é a única maneira de não deprimir, já que a escrita não me ajuda porque me faz pensar, e se penso estrago a calma, quer a aparente quer a pouca que vou conseguindo cá por dentro. Enfim, escrevi muito para não dizer nada. E só tenho três frases:
Adorei.
Não me arrependo de nada.
Repetia cada segundo.

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