sábado, 13 de março de 2010

incerteza .


Não sei dizer o que nos aconteceu.
Quando te escrevi, foi com a ideia de chegar mais perto de ti, quem sabe atingir-te o coração, e ao mesmo tempo foi uma maneira de me libertar, de tornar mais leve o peso que vinha crescendo no meu peito ao longo destes últimos onze meses. Mas eu não queria o nosso fim. Não escrevi aquela carta com intenção de te dizer adeus, de te deixar ir, de me despedir definitivamente. Não. Eu não quero que saias da minha vida... eu só te quis trazer mais perto, porque há dias em que te olho e sinto que morro de saudades tuas.
Mas a carta... a carta também não foi um recomeço. Não se pode apagar o tempo, nem os momentos, nem as pessoas, e ambos teríamos de o fazer para que pudéssemos ficar juntos. Tu terias de te esquecer de muitas pessoas, eu teria de me esquecer de muitos momentos. Tu não estás disposto a isso e eu, apesar de ser capaz de dar o mundo todo só para te voltar a ter só para mim, não quero apagar nada do meu passado nem do meu presente, porque tu não me fazes bem. Fazes-me mesmo muito mal, porque por ti esqueço-me de tudo e abandono tudo, não sei como nem porquê. (Basta ver o descontrolo de palavras de cada vez que falo contigo...)
Por isso meu amor, talvez seja mesmo melhor que continuemos a viver separados nestes nossos mundos tão afastados. Eu consigo suportar não te ter e tu obviamente não precisas de mim. Eu não te amo e tu obviamente quase não olhas para mim. Mas viverei em paz se souber que, mais tarde ou mais cedo, teremos sempre os momentos como os de outro dia, aqueles raros momentos em que o tempo retrocede, as memórias apagam-se até ao ponto em que voltamos a referir-nos ao que somos com a palavra "nós" e as pessoas simplesmente desaparecem para ficarmos sozinhos. Viverei em paz se souber que de vez em quando nos vamos encontrar e vamos reviver, remexer, reconversar, redizer, resentir e resistir contra todas as dificuldades.
Porque, para mim, e apenas só para mim, nós somos para sempre, meu amor.

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