(Meu amor,)
Há exactamente um ano atrás, escrevi uma carta que - acho que é seguro dizê-lo - mudou a minha vida. Gostaria de poder dizer que mudou a nossa vida, mas na verdade... não sei se assim é.
Hoje, mais do que nunca, precisava realmente de te dizer alguma coisa, fosse o que fosse. Como sempre, sinto uma necessidade avassaladora de falar contigo, de ouvir a tua voz, de te tocar, de... de te sentir, de alguma maneira. (E foi por isso que foi tão importante aquela troca de olhares, aqueles segundos, esta manhã.) Preciso absolutamente de receber um qualquer sinal de vida, de saber que te lembras de mim, que pensas em mim de vez em quando, de saber que te lembras de tudo o que partilhámos, mesmo que não vejas as coisas da maneira que eu as vejo, mesmo que não lhes dês a importância que eu dou... mesmo que não sintas por mim nada do que eu sinto por ti (porque não sentes).
Só precisava de ter a certeza de que te lembras, de que te ainda pensas nisso quando olhas para mim. QUe não te esqueceste de nada. E que, de algum modo, valorizas - porque eu não suporto pensar que fui só mais uma, não suporto pensar que te sou totalmente indiferente. Não suporto pensar que olhas para mim como se não me conhecesses nem nunca tivesses conhecido, como se eu não te amasse há três anos e meio. Porque de cada vez que eu olho para ti (meu amor), o Verão passado entra de imediato no meu pensamento, bem como dezenas de pequenos (grandes) momentos e palavras que eram, e sempre hão-de ser, nossos... só nossos.
Ainda te lembras disso tudo (meu amor)? Das nossas conversas que nunca ficavam acabadas, em que eu falava sempre demais e acabava envergonhada por aquilo que te contava? De quando disseste que nunca te tinhas esquecido de nós, que tinham sido dois anos, que tinham sido marcantes? De quando disseste que não sabias porque é que certas coisas (não) tinham acontecido de certa maneira, mas que te arrependias de não ter aproveitado melhor o tempo comigo? Ainda te lembras das tardes que passaste comigo, quer no "sítio do costume", quer na tua garagem, quer na minha casa? Ainda te lembras? Escusado será perguntar se consideras, como eu, que éramos perfeitos e encaixávamos perfeitamente um com o outro, e se achavas que tudo era magia - isso, já são sonhos meus.
É verdade (meu amor): eu idealizei muita coisa e pintei o nosso mundo de cor de rosa. Até fiz de ti alguém que não eras. No entanto, ambos sabemos que não sonhei nada disto. Ambos sabemos perfeitamente que tudo isto aconteceu mesmo, não foi (só mais) um sonho, nem uma ilusão nem uma invenção minha. Para me lembrar que tudo foi real, tenho inúmeras conversas guardadas, inúmeras mensagens que nunca fui capaz de apagar... e tenho as minhas memóriasm que procuro não visitar, mas que existem e estão sempre presentes, e acabam por estar sempre, sempre presentes.
Não consigo expressar-me como precisava e gostava (meu amor), mas insisto na escrita, porque foi o dia de hoje, há um ano atrás, que veio a ditar tudo aquilo que aconteceu mais tarde. Aquela carta foi a melhor ideia que alguma vez tive, o impulso mais certo que alguma vez segui, o texto mais honesto que já escrevi. Foi precisa muita, muita coragem para a entregar, mas lutei contra o medo, convenci-me que já não tinha nada a perder, e fi-lo. Foi a coisa certa. Apesar de toda a dor a que não fui poupada, meses mais tarde, nunca hei-de me arrepender daquela carta, e vou lembrar-me sempre dela com carinho e orgulho. Nunca me poderia arrepender dela, (meu amor) porque isso significaria arrepender-me de nós. E eu nunca me irei de arrepender de nós, quando esse NÓS foi a melhor coisa que já me aconteceu.
Sabes, meu amor, o facto de não retribuires, de todo, aquilo que sinto por ti, não me faz gostar menos, nem querer(-te) menos. Foi contigo que vivi os momentos mais felizes de toda a minha vida. Foste a única pessoa que me fez realmente, e completamente, feliz. Foste a única pessoa que alguma vez me fez sentir plena e realizada. Foste a única pessoa que realmente amei - mais que isso, és a única pessoa que amo, mesmo que já me sejas totalmente proibido e inatingível. E, de uma maneira ou de outra, ainda estás presente em toda e qualquer decisão que eu tome, porque continuas a marcar-me mais do que alguma vez alguém fez, antes ou depois de ti.
Não consigo, nem consiguirei, voltar a gostar realmente de alguém, enquanto não sentir que nós chegámos realmente a um fim. E não sinto - por muito estúpido que isto soe, eu ainda acredito e não me canso de o dizer. Mas estou cansada, estou "desgastada", estou magoada e estou farta. E preciso de deixar isto para trás, de alguma maneira... só não sei como resolver(-nos), quando parece(mos) não ter resolução possível.
Escrevo-te, hoje, mas nem sei porquê (meu amor). Não estás a ler-me. E ainda que estivesses, este ano tenho plena consciência de que não será uma simples carta a fazer-nos ficar bem - se é que alguma vez voltaremos a estar de alguma maneira parecida a "bem". Eu sei que escrever(-te) já é inútil. Mesmo assim, não deixo de o fazer, porque continuas a ser quem me inspira. Continuo a ter muito por dizer, continuo a sentir sempre que preciso de o fazer, e por isso deixo-me levar. Escrevo, escrevo, escrevo... na Esperança de que um dia me venhas cá ler, e que isto te toque de algum modo. Mesmo que uma carta (e as outras dezenas de textos) não te faça voltar a falar comigo, pelo menos faz-te saber que eu não me esqueço... que eu nunca me esqueço... e que continuas a ser a pessoa que mais importa, entre todas as outras. É a minha ùnica verdade, a minha única certeza, entre toda esta confusão que nos tornámos.
Por favor, nunca te esqueças. É tudo o que peço (porque já não posso pedir mais).
I wish I was special, you're so fucking special.
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