sexta-feira, 1 de abril de 2011

Já me habituei às saudades - e outra coisa não seria possível. Elas são muito antigas e estão sempre presentes, em todas as horas, minutos e segundos.
São uma espécie de dor latente: mesmo que às vezes me consiga libertar um pouco delas, nunca as esqueço, nem por um momento. E como todas as dores latentes, elas estão sempre prontas para vir à superfície, que é onde doem mais.
É a isso que eu chamo os meus "ataques de saudades". São dores agudas, praticamente insuportáveis, que me destroem, bem como aos progressos e ao (pouco) equilíbrio que eu tenha conseguido até aí. São dores quase físicas, que me fazem ficar ultra-sensível e me levam a outros ataques, de choro, durante horas a fio, até adormecer de exaustão.
Hoje foi (mais) um desses dias em que tenho saudades de tudo e mais alguma coisa, e não sou capaz de não ficar presa no passado. Saudades dele, de tudo nele. Do sorriso, dos olhos, dos lábios, das mãos, dos braços, do peito, dos beijos, dos abraços, dos toques mais superficiais e dos mais íntimos, dos mais espontâneos e dos mais calculados, dos mais confiantes e dos mais inseguros. Tenho saudades das mensagens, do atrevimento, das conversas, dos risos, dos fins de tarde e de saltar o muro para ir ter com ele, das piadinhas e das pequenas maldades, das provocações, do gozo, dos nervos que me deixavam toda a tremer (mas sabia tão bem!)... tenho saudades de tudo, mesmo tudo, e esse tudo é mais do que alguma vez poderia (d)escrever.
Só posso lembrar-me... e morrer um pouco mais de cada vez que o faço...

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