Já não consigo acreditar nos "poderes curativos" do tempo.
E porquê? Simplesmente porque me parece que lhes sou imune. Resultam com toda a gente... mas comigo não.
A opinião geral é que, com o passar dos dias, as coisas começam a ficar mais distantes e os sentimentos desvanecem-se. Quantas vezes já não ouvi isso? No entanto, comigo, as coisas não estão distantes, porque parecem ter acontecido ainda ontem; o sentimento não se desvanece, por vezes até parece mais forte do que nunca.
Sim, há que dizer que a dor já não é sempre insuportável, o hábito fez dela mais latente. Mas está sempre presente e continua a haver momentos em que volta a ser lancinante e a destruir-me, a estragar mais uma vez todo o (pouco) progresso que conseguira até aí.
E se a solução não é apenas o tempo, o que é mais? A distância, conjugada com o tempo? Bom... a verdade é que não sei. Já não é (tão) frequente vê-lo (duas vezes por semana, apenas, apesar da pouca distância que nos separa...) e falar com ele é, presentemete, mais raro do que nunca; mesmo assim, continuo a querer e a amar e não estar com ele nem o ver só me faz ansiar por mais e mais e mais e mais.
Já para não mencionar as saudades, que também são mais e mais e mais e mais e que eu não consigo fazer desaparecer. Nem desligar. Nem esquecer. Nem ignorar.
E agora? E agora... vá-se lá saber.
« You gave me nothing, now it's all I got. »
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