sábado, 30 de outubro de 2010

Diz-se que é no inesperado que surgem as melhores oportunidades.
Ontem, não esperava nada de especial da minha noite - mais uma reunião do grupo de teatro, mais abraços do meu melhor amigo que me faz tanta falta durante toda a semana. Acabei por obter muito mais do que isso.
O meu destino acabou por ser o "À conversa com... José Luís Peixoto", iniciativa promovida pela Biblioteca Municipal. O meu destino acabou por ser duas horas e meia a ouvir um escritor falar acerca do seu mais recente livro.
Confesso que nunca li nada de José Luís Peixoto, e o que ouvi ontem - relativamente ao livro - não me pareceu suficientemente interessante para me fazer ir comprá-lo já. Mas gostei de o ouvir falar acerca do que é, para ele, escrever, gostei de o ouvir descrever os seus feitos e tudo aquilo que já conseguiu nos seus trinta e seis anos, gostei de o ouvir falar das dificuldades da sua profissão e da maravilha que é saber-se capaz de as ultrapassar.
Houve um certo momento em que ele disse « Escrever é uma ousadia. É preciso trabalhar muito, só com trabalho se consegue chegar a algum lado. Sinto-me orgulhoso de mim porque tudo o que consegui, foi à custa do meu trabalho. (...) Quando escrevo um livro, o mais difícil acaba por não ser escrever, mas sim apaixonar-me por ele... acreditar nele e em mim. » Quando disse tudo isto, estava a olhar directamente para mim e eu senti-me totalmente 'tocada' pelo que ele disse. Estava a falar dos meus sonhos - daqueles que nunca confesso a ninguém e sobre os quais não falo, a não ser comigo mesma.
Estava a precisar de uma noite como a de ontem para me fazer voltar a acreditar - em mim, nos sonhos e em que há mais para viver além do meu amor perdido.

Obrigada, José Luís Peixoto!
Uma vez mais está provado que a ajuda vem de onde menos se espera.

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