Desequilíbrio. Não foi sempre esse um dos (nossos) problemas?
Quando tu queres mais, eu não estou preparada. Quando eu quero mais (de ti), tu não queres dar(-te). Quando eu avanço, tu recuas. Quando tu avanças, eu tenho sempre medo. Mas se não avanças, eu desespero. E se eu não avanço, tu cansas-te.
Muito raras são as vezes em que nos encontramos... tão raras quanto as vezes em que coincidimos. Nunca nos sinto exactamente equilibrados e certos naquilo, e daquilo, que desejamos um do outro... excepto raros momentos de extrema perfeição em que sei que estamos juntos, mais do que nunca. Mas esses momentos são - ou, deverei dizer, foram - muitíssimo raros e pensar neles, só me despedaça mais e mais, porque sei que foram únicos.
Tenho medo de pensar em nós, sabes? Tenho medo de ti, de mim, do nós que fomos e do nada que seremos. Tenho medo de tudo... tenho medo da perda, da dor, do vazio que me preenchem todos os dias. Tenho medo do nada que me sobrou, depois de ter dado tudo de mim a ti, que me és tudo e sempre o foste.
Sabes a que é que isto se resume, no fundo?
Eu sempre te quis de mais. E tu sempre me quiseste de menos. Até porque já não me queres, de todo.
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Eu sempre te quis de mais. E tu sempre me quiseste de menos. Até porque já não me queres, de todo.
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