Há três coisas que faço todos os dias, imperativamente: escrever, ouvir música e reservar algum tempo para estar completamente sozinha. No entanto, nos últimos três dias as coisas não têm sido bem assim.
Só continuo a escrever porque é a única coisa que, neste momento, me consegue manter a uma distância mais ou menos segura, e no entanto ainda demasiado próxima, da loucura que está iminente e que eu sinto aproximar-se cada vez mais. Obrigo-me, literalmente, a pegar numa caneta ou a abrir o blog, para me sentir viva, nem que seja só nas palavras.
Recuso-me a ouvir música, qualquer que ela seja. O iPod está escondido num canto do quarto e o ícone no menu do telemóvel que diz 'Leitor de Música' é como um destino que me está totalmente proibido. Não posso dar-me ao luxo de ouvir música, porque não estou em condições de aguentar o inevitável fluxo de recordações que dela adviriam.
Reservar tempo para mim própria tem sido, também, outra das coisas das quais me tenho privado voluntariamente, e no entanto sinto imensa falta dos "meus" momentos, dos quais necessito imenso, diariamente. Mas não pode ser. Não posso fechar-me no meu quarto e deixar as lágrimas vir, porque tenho perfeita consciência de que quando o fizer, elas não vão parar mais.
Não estou equilibrada - se há coisa que me falta neste momento, para além do habitual, é mesmo a sensação de segurança que me traz, sempre, o facto de saber onde estou a pisar e o que ando a fazer. Mas ultimamente não sei. Não sei nada e muitas vezes sinto que já não me conheço, quando me permito pensar mal de mim mesma e me deixo ir mais ao fundo do que já alguma vez fui.
Ninguém, ninguém tem noção do que eu tenho passado - sozinha - nestes últimos dias.
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