quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Às vezes penso seriamente em escrever uma carta - outra carta. Mais uma carta onde eu pudesse escrever tudo aquilo que tenho para dizer e não posso, mais uma carta onde escrevesse mesmo tudo, sem medo das consequências.
Mas não consigo.
Da última vez, também não foi fácil. Foi precisa muita coragem para me abrir e ser completamente sincera, foi preciso muito tempo de reflexão mais ou menos objectiva sobre o assunto. A diferença é que, nessa altura, eu sentia-me mais ou menos livre de fazer o que bem quisesse, sentia-me segura e sabia que, mesmo que a carta não fizesse qualquer diferença, eu não tinha nada a perder. Tinha esse "trunfo" do meu lado: acontecesse o que acontecesse, eu ia ficar bem, não me ia magoar porque os sentimentos que ainda guardava eram - pensava eu - apenas sombras de sentimentos passados. Mesmo que mudasse alguma coisa, eu sabia que as coisas não iam ficar piores.
Mas agora? Agora, mesmo sem ter nada, sinto que tenho algo a perder. Estou tão (demasiadamente, talvez) envolvida que não consigo ser suficientemente objectiva, não consigo afastar-me o suficiente para escrever algo capaz de limpar o "lixo" todo que tenho guardado cá dentro e que vai sendo libertado, melhor ou pior, através das lágrimas. Não consigo organizar tudo o que penso e sinto em meras palavras escritas - é também por isso que as mensagens já não me ajudam -, e mesmo que conseguisse, acho que não me ia ajudar. Até porque na verdade eu não quero escrever: quero falar e quero ouvir.
Desta vez é tudo diferente, é tudo muito mais intenso, mais complexo... mais indescritível.
E sim, eu tenho consciência de que vão ficar sempre coisas por dizer, mas não é por isso que vou desistir. Há sempre algo que fica por dizer, mas há coisas que não podem deixar de ser ditas. Tenho medo de dizer tudo aquilo que penso e sinto e quero, preciso de uma quantidade de coragem que não tenho em mim e não sei onde encontrar, mas mesmo assim preciso de falar, de dizer, de ouvir... não sei. É uma necessidade urgente e vibrante que é superior a mim e não consigo satisfazê-la, o que me andar a deixar meio louca. O que eu sei, com toda a certeza, é que não consigo guardar tudo isto dentro de mim. Não consigo ter este peso no coração e saber que o transporto sozinha.
Odeio coisas pendentes... odeio deixar assuntos por resolver, odeio ter coisas por resolver e pior, odeio não ter maneira de resolvê-las. Odeio ter de esperar sem saber do que é que estou à espera, quanto tempo vou ter de estar à espera ou, sequer, se vai valer a pena esperar. Odeio não ter noção do que se passa e ter a impressão de que há algo que me está a escapar e eu não sei o que é. Odeio estar revoltada e zangada e magoada e desiludida e triste e "partida" e odeio não conseguir sentir-me de outra forma, mesmo que não o dê a entender sempre.
Não posso fazer nada, é certo, mas não vou desistir e isso é um ponto bem assente. Aquilo que tenho para dizer não vai desaparecer simplesmente porque não tenho oportunidade de falar ou porque não me querem ouvir. E desta vez, não estou mesmo nada disposta a conformar-me com a suposta inevitabilidade desta situação estúpida. Desta vez, não vou "deixar passar" como faço quase sempre. De uma maneira ou de outra, agora ou (não muito!) mais tarde, eu vou dizer isto tudo, mesmo que não me queiram ouvir.

Tal como já disse ontem, fico por aqui - e não quero saber se não é a decisão mais correcta. É aquilo que eu preciso e aquilo que eu quero e neste momento, é o que eu quero e preciso que vai contar.

( também não ando bem. nada bem mesmo. mas para mim é a falar que as pessoas se entendem. e eu preciso de entender isto, preciso mesmo! )

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