domingo, 22 de setembro de 2013

87,

Tenho medo. Muito. Mas ao mesmo tempo, gosto muito de me sentir assim.
Não me sai(s) da cabeça.

If you were the ocean and I was the sun
If the day made me heavy and gravity won
If I was the red and you were the blue
I could just fade into you

If you were a window and I was the rain
I'd pour myself out and wash off the pain
I'd fall like a tear so your light could shine through
Then I'd just fade into you

In your heart, in your head
In your arms, in your bed, under your skin
Till there's no way to know
Where you end and where I begin

If I was a shadow and you were a street
The cobblestone midnight is where we first meet
Till the lights flickered out, we dance with the moon
Then I'd just fade into you

In your heart, in your head
In your arms, in your bed, under your skin
Till there's no way to know
Where you end and where I begin

I wanna melt in, I wanna soak through
I only wanna move when you move
I wanna breathe out when you breathe in
Then I wanna fade into you

If I was just ashes and you were the ground
And under your willow they laid me down
There'll be no trace that one was once two
After I fade into you

@

friends will be friends,

Ontem tive uma espécie de reunião - aqueles encontros que queremos sempre marcar e por isso vamos dizendo "temos de ver isso!", "temos de combinar isso!", "vai dizendo alguma coisa!" e depois ninguém combina e ninguém diz nada. Até que um dia decidimos que está mesmo na hora e finalmente encontramo-nos.
As pessoas sentadas à volta daquela mesa eram - são - os meus amigos de sempre. E três delas, as minhas amigas mais antigas, com quem eu estava praticamente durante todos os momentos em que estava acordada, com quem eu partilhava todo e cada pormenor da minha vida. A S., a outra S., a V. e eu. Sempre. Desde 1999, dá para imaginar?
Não consigo lembrar-me de um momento da minha vida em Viana em que elas não estivessem presentes, de uma maneira ou de outra. Crescemos lado a lado, literalmente. E todas as minhas "primeiras vezes" foram partilhadas com elas. O primeiro amor, o primeiro desgosto, as primeiras desilusões com amigos... tudo, bom e mau, foi vivido com elas ali ao lado. E tudo o que elas viveram foi vivido comigo também. Houve alturas em que chegámos a chorar umas pelas outras, ainda que a dor fosse só de uma.
E os anos passam, as vidas mudam, as pessoas afastam-se. Mas o melhor de tudo acerca de nos termos voltado a encontrar, a sentar-nos a uma mesa, a conversar sobre tudo e mais alguma coisa, foi perceber que afinal não mudámos tanto assim. Por mais que tudo o resto esteja diferente, ainda sabemos como cada uma de nós é, como vai reagir a determinada coisa, como se vai sentir ao ouvir falar de determinada pessoa, o que vai dizer ao relembrar determinado momento. E ainda melhor que isso, foi reviver dezenas de recordações, cada uma de nós a lembrar-se de várias e a partilhá-las... foi tão bom voltar a uma altura em que era tudo calmo, tranquilo, despreocupado e sempre, sempre engraçado.
Tenho muitas saudades das minhas amigas, muitas. E adoro-as muito.

@

sábado, 21 de setembro de 2013

And I'll do anything you say
If you say it with your hands
And I'd be smart to walk away
But you're quicksand

This slope is treacherous
This path is reckless
This slope is treacherous
And I, I, I like it

I can't decide if it's a choice
Getting swept away
I hear the sound of my own voice
Asking you to stay

(...)

Two headlights shine throught the sleepless night
And I will get you and get you alone
Your name has echoed through my mind
And I just think you should, think you should know
That nothing safe is worth the drive
And I will follow you, follow you home
I'll follow you, follow you home

This hope is treacherous
This daydream is dangerous
This hope is treacherous
I, I, I...
I, I, I...
I,I,I...

(...)

This slope is treacherous
I, I, I like it...

@

88,

Tão igual, e tão diferente. Tão... maior? Talvez. Mais pensado. Mais temido. E mais esperado. Isso, de certeza. Talvez por isso me tenha sentido tão igual, mas tão diferente, esta noite. Há muito tempo que não me sentia tão nervosa. E tão confusa. Tão parva. E tão assustada comigo mesma.
E depois... olá! Um sorriso e dois beijinhos e muita - demasiada! - gente à volta.
E depois... há mais de seis anos que tenho uma pessoa, sempre a mesma, presente na minha vida, em momentos que foram bons e passaram a maus e agora são confusos. E não é que essa pessoa tinha de aparecer exactamente neste momento em que outra me está a deixar nervosa e fora de controlo? A minha vida é feita de demasiadas coincidências.
E depois... distância. Porquê? Tenho medo. Andei mesmo a iludir-me, não foi? Não aprendo.
E depois... lado a lado. E nada. Andei mesmo a iludir-me. Não acredito que passei uma semana à espera disto... para nada. Não aprendo!
E depois... risos. Pouco a pouco, menos distância. Pouco a pouco, mais sorrisos. E mais conversas. E mais partilha. E uma feliz troca de recordações de um sítio que a ambos é querido. Será que afinal não andei a sonhar sozinha? Mas... ai!
E depois... finalmente, o toque. Tal como já tinha acontecido mas... agora é mais. Para mim é mais. Mais perto. Mais quente. Mais confiante. Mais querido. Ai... será que...?
E depois... quando dou por mim, deixei de ouvir todas as outras pessoas que estão à minha volta e fiquei presa nele, no sorriso dele, na voz dele e nas histórias dele. No riso dele. Estou dentro de uma bolha de sabão e ele está aqui comigo.
E depois... "Então, vocês os dois? Ouviram alguma coisa do que estivemos aqui a dizer?" Bem... não. Não ouvimos. Nem uma palavra.
E depois... mais toques. E mais sorrisos. E mais risos. E mais toques. E mais "estaladas fofinhas"... E mais proximidade. E o filme. E as saudades de outros tempos e a vontade de voltar, mas outra vontade, tão nova, de estar aqui e agora... sobretudo agora, sobretudo aqui...
E depois... "Até para a semana!"... e dois beijinhos... e uma espécie de abraço... e um sorriso tão grande...
E é a isto que me agarro agora, aqui.
Até para a semana, sim... Que tortura.

Oitenta e oito.

@

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

89,

Nada como estar de volta a casa, de volta aos meus e a quem me quer bem. Nada como estar de volta para recuperar forças e expectativas. Nada como ser recebida de braços abertos. E nada como saber que aconteça o que acontecer, vou ter sempre pessoas aqui para mim.

Estou muito nervosa.

Oitenta e nove.

@

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

90,

Não tive um dia não, mas também não tive um dia sim. Foi... foi nim. Tal como a semana... nem não, nem sim. Nim.
Tanto estou excitada, ansiosa mas no fundo contente e esperançada, como já acho que não passam de alucinações minhas. Deus sabe como tenho dificuldade em confiar nas pessoas - em mim mesma, até... por isso acho que não é de todo anormal que não saiba como me sentir ou sequer o que fazer. Nem sei que quero saber... ou antes, sei que quero saber, mas também tenho medo do que vou saber.
A minha vida é uma confusão. Nem sempre gosto dela assim, é verdade. Às vezes só quero paz e sossego e uma ilha só para mim. Mas... mas agora, estou a ir contra mim mesma e a desejar só um bocadinho de turmoil, de agitação, de excitação! Um bocadinho de tempero para dar um gosto mais apetecível e aguentar melhor os dias que demoram a passar. Um bocadinho de esperança, de sorrisos, de calor no coração. Nem que seja só um bocadinho.

Noventa.

@

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

91,

Nem sempre há o que dizer. Ou o que fazer. Porque o que resta é esperar. Sem sequer saber ao certo por quê.

Back of the room, looking at you
Counting the steps between us
A hundred and five little blades in a line
From your skin to mine, and I feel it

Eyes on the ground, but I can't look up now
Don't wanna give it away, my secret

In another life, my teeth and tongue
Would speak aloud what until now I've only sung

Cause I would die to make you mine
Bleed me dry each and every time
I don't mind, no I don't mind it
I would come back a thousand times

@

terça-feira, 17 de setembro de 2013

92,

Os dias passam lentamente, e no entanto mais depressa do que eu esperava... do que eu temia. Há sempre alguma coisa nova a acontecer - ainda que nem sempre seja boa! - e pouco a pouco vou conseguindo distrair-me e avançar com a minha vida, um dia de cada vez, mas sempre a querer mais.
Não tive uma noite muito descansada, hoje. Fui deitar-me com muito em que pensar, sonhei coisas estranhas e acordei desassossegada e com aquela sensação de quem pode até ter dormido o suficiente, mas não dormiu suficientemente bem. Tem sido comum desde que as aulas recomeçaram, porque já não tenho a mesma paz de espírito nem a quase certeza de que o dia vai ser calmo, pachorrento, lento e no entanto, sempre minimamente bom.
E é por isso, e por todos os motivos e mais algum, que preciso realmente que chegue sexta feira. Tenho muito, muito medo. Mas quero que chegue.

Noventa e dois.

@

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

93,

Hoje, pela primeira vez este ano, sentada nas escadas da faculdade, olhei à minha volta e pensei, se calhar até vou ter saudades disto daqui a uns tempos. Não durou muito, o pensamento - mas tive-o. E nunca pensei que tal coisa pudesse sequer voltar a passar-me pela cabeça, não agora, não depois de tudo.
Mas se calhar vou ter saudades, sim. Não exactamente da faculdade, nem da maioria das coisas que a ela associo. Nem sequer da maioria das pessoas. Mas de algumas, sim. Sobretudo das duas (três, por vezes) que têm passado os dias comigo, que me têm feito ver que nem tudo está perdido, que afinal de contas ainda tenho pessoas que se preocupam e querem saber de mim. Delas - deles, aliás - sim, vou ter muitas saudades. Porque no meio da confusão e da intriga, mantêm a integridade. E mantêm-me, a mim, sã e salva. E o mundo corre lá fora, e nós estamos na nossa bolha, divertidos entre piadas parvas, comentários estúpidos sobre tudo e mais alguma coisa e muita, muita conversa sobre futebol. E é mesmo graças a eles que vou sobrevivendo o melhor que posso.
Por isso, a eles, um grande obrigada. Vou ter saudades, no fim de contas. Até já as tenho.

@

domingo, 15 de setembro de 2013

94,

Duas horas de viagem na minha própria companhia dão azo a muitos pensamentos - alguns que preferia não ter, como memórias ou medo do que pode eventualmente vir aí, mas outros que sabem bem. E hoje, apesar de estar a viajar para o sítio que mais odeio no mundo e onde só queria não ter de voltar, acabei por conseguir focar-me mais nos aspectos positivos do que nos negativos, e não fiquei tão triste como habitualmente.
Porque a verdade é que nem tudo é bom... mas nem tudo é mau. Posso sentir-me muito sozinha aqui e sentir que os meus verdadeiros amigos com quem posso estar durante a semana são apenas dois (e ainda bem que existem!)... mas tenho, todos os dias, pessoas que me telefonam e mandam mensagens de ânimo e sobretudo carinho. Tenho os meus pais e o meu irmão, a S., a outra S., a C., a outra C., a I. e o P. E ter essas pessoas ao meu lado, ainda que só virtualmente, é toda uma força na qual me apoio para me levantar todos os dias e enfrentar o que tiver de ser com a cabeça erguida.
E posso estar triste por ter de estar aqui mais um ano e não ter maneira de contornar a situação... mas tenho os meus sonhos. Não estão completamente definidos e são assustadores - e ainda bem, porque assim obrigo-me a mim mesma a crescer e a estar sempre aberta a novas possibilidades, sejam elas quais forem - mas estão lá, existem, num futuro mais ou menos distante, mais ou menos visível. E quando acho que não vou aguentar, quando a solidão pesa demasiado ou quando o desespero de ter de viver o que não gosto me tenta arrastar para a sua escuridão húmida e fria, é a esses sonhos que me agarro. Porque por mais indefinidos que ainda possam estar, não deixo de ter esperança em conseguir cumpri-los, e que sejam tão brilhantes quanto me parecem, agora.
E esta semana tenho uma coisa nova, que não tinha na semana passada. Tenho uma luzinha pequenina, mas quente, dentro do coração. Não lhe sei dar um nome - e também não quero. Não sei sequer se a devo tentar manter acesa. Mas quero, quero muito. E esta semana, quando achar que não tenho motivação para continuar, vou pensar nessa luzinha e vou lembrar-me de uns olhos rasgados e de um sorriso enorme e quente, tão quente como a luz que guardo e a ele associo. E esta semana vou ter alguma coisa mais a que me agarrar.

@

sábado, 14 de setembro de 2013

A noite de ontem não me saiu da cabeça o dia todo. E o sorriso quente que trouxe comigo também não. Nem as pernas a tocarem-se debaixo da mesa, quase sem querer... certamente de propósito? Não sei.
O que sei, a única coisa que tenho como facto, é que tenho medo. E se há uma parte de mim que me incita a querer mais, até a sonhar um pouco, há outra parte que me diz para ficar quieta no meu canto e não procurar mais confusões.
Só que... o que é a vida, afinal, se não tiver um pouco de sabor? E eu quero, quero tanto entregar-me a esta loucura e ver onde isto vai dar. Se é que tem pernas para andar. Mas cada vez que penso isso, logo a seguir acho que não posso, que não devo, que não está certo, que estou a inventar coisas onde elas não existem. Encontro mil e uma razões para não me deixar levar, e encontro muito poucas para o fazer.
Mas não consigo deixar de pensar nisto. Nele. Ainda que não faça qualquer sentido.

I dream of you in colours that don't exist.

@

95,

Seis semanas se passaram desde o primeiro momento, o primeiro contacto, o primeiro olhar, o primeiro sorriso, o primeiro toque, a primeira impressão. Nessa noite uma borboleta solitária decidiu começar a manifestar-se no meu estômago, e foi tão estranho saber que o meu corpo ainda conseguia reagir daquela maneira à presença de alguém, tanto tempo depois da última vez. Mas foi ainda mais estranho que aquilo tivesse acontecido naquele momento, por aquela pessoa em particular, uma pessoa com quem nunca antes me tinha cruzado em toda a minha vida e que nem esperava conhecer. E nos dias que se seguiram, aquela impressão estranha, aquele interesse inicial, ficaram às voltas na minha cabeça, às voltas e às voltas por mais que eu não quisesse debruçar-me sobre o assunto.
Seis semanas se passaram sobre essa noite, e com os dias a passar, começou também a passar aquela sensação de estranheza e de confusão. Já não me preenchia os pensamentos e comecei quase a acreditar que tinha sido apenas uma invenção da minha parte, uma tentativa qualquer de sentir alguma coisa nova, e que já não sentia há tanto tempo. Interesse.
E quando esta noite me apercebi de que iria confirmar - ou não... - aquela confusão toda, o meu primeiro sentimento foi de medo. E depois nervosismo. E depois saí do carro, engoli a ansiedade e fui calmamente esperar... e esperar, nem sabia bem pelo quê. Esperar ter uma boa noite, sem criar qualquer expectativa sobre outras coisas. Esperar divertir-me, sem querer mais do que isso.
Seis semanas se passaram. Mas voltou tudo. Voltaram as borboletas - e não foi só aquela única que tinha aparecido na outra noite, desta vez veio acompanhada por muitas amigas... E voltaram os olhares. Voltaram os sorrisos - adoro pessoas com sorrisos grandes, sorrisos quentes, sorrisos perfeitos que se lhes espalham pela cara e a nós, nos corações! Voltaram os toques subtis. Sobretudo esse contacto ao mesmo tempo aconchegante e perturbador, que nem sei interpretar. Por um lado, acho que é propositado, que poderia ser facilmente evitado se as duas pessoas não se quisessem tocar, ainda que só levemente, com cuidado. Por outro lado, temo que seja só uma ilusão do meu cérebro. Que seja só uma mera coincidência e que eu, por me sentir confusa e estranha, queira ler mais nela.
Não sei. E também não sei se quero saber.
Tenho saudades de sentir, confesso. Tenho saudades de estar nervosa, confusa, ansiosa, estranha, tentada, tocada, parva e apaixonada. Tenho saudades de ter alguém que me faça sentir coisas. Tenho saudades de ter alguém que me faça sentir necessidade de escrever, essa necessidade que só me vem quando tenho realmente algo em desassossego dentro de mim. Tenho saudades de sentir, sentir a sério.
Mas também tenho medo. Porque tenho cicatrizes, e parecendo que não, são recentes. A pele que se formou ainda é frágil. Qualquer toque mais brusco, mais bruto, leva-a a voltar a abrir-se em ferida. Tenho medo de sentir, porque sentir leva-me a perder o controlo sobre mim, leva-me a ter de incluir outras pessoas nas contas que faço com a minha vida, e isso é assustador. Tenho medo destas borboletas estranhas que me voltaram a invadir, tenho medo do nervosismo que sinto, tenho medo do sorriso que trouxe comigo para casa preso na minha mente, tenho medo da luz quentinha que se me acendeu no coração esta noite. E tenho, sobretudo, medo de estar a ver coisas onde elas não existem.
Por isso não vou pensar. Não vou pensar nisto, não vou tentar interpretar nada, não desta vez. Vou-me só deixar levar. E o que tiver de ser, há-de ser.

Throw your dreams into space like a kite, and you do not know what it will bring back.

@

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

96,

Não há nada como chegar a casa depois de uma semana fora em aulas. Não há nada como voltar a estar com quem me quer bem, sempre. Não há nada como voltar a afastar-me da tristeza que tem sido a minha realidade e daqueles com quem não me sinto bem. Não há nada como voltar a fechar-me na minha conchinha e recuperar forças para mais uma semana.
All in all, a semana podia ter sido pior. Mas também podia ter sido muito melhor. Não se pode ter tudo, não é? E eu ando a aprender cada vez melhor a aproveitar toda e qualquer coisa boa que me seja dada. I'll take this.

Hoje estou nervosa.

Noventa e seis.

@

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

97,

E não interessa o frio, nem o medo, nem a escuridão quando há família. Não interessam as outras dores se tivermos o amor incondicional das únicas pessoas que nos hão-de amar sempre. Não interessa nada, se houver família. Não interessa nada, se o amor deles nunca faltar. Não interessa nada, se estiverem sempre à distância de um telefonema, juntos, felizes e prontos para nos segurar quando caímos. Não interessa nada e nada mais interessa quando damos valor às pessoas mais importantes da nossa vida e as reconhecemos como tal. Não interessa nada e não interessa mais nada.
E eu preciso de saber que está tudo bem.

Noventa e sete.

@

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

9/11

Ainda me lembro perfeitamente de estar ansiosa no jardim, à espera que o meu pai me viesse buscar para me levar a uma festa de anos, quando a minha avó desata aos gritos a chamar por mim. Corri para dentro de casa e na televisão estava uma confusão de fogo e fumo, Nova Iorque num caos, pessoas a gritar, a fugir, a atirar-se das janelas. Na altura, nos meus inocentes oito anos, não soube interpretar aquilo pelo que realmente foi. Não me doeu no peito saber o que todas aquelas pessoas sofreram, o quanto as famílias ainda sofrem por elas todos os dias. Mas dói agora. Passei a tarde a ver vídeos e a ler testemunhos, mais ou menos tristes, mais ou menos chocantes, mais ou menos bonitos, do que aconteceu. E chorei. Por todos e cada um deles, os inocentes, e pela humanidade de todo o mundo que foi perdida naquele dia. E com ou sem teorias da conspiração à mistura, este dia lembra-nos de que a vida é curta e o que menos esperamos pode acontecer a qualquer momento.
Doze anos se passaram. Never forget.

@

98,

Se todos os dias fossem como hoje, talvez estes próximos noventa e oito dias não custassem tanto a passar. Desde Domingo, desde que a tortura (re)começou, foi o primeiro dia em que consegui mesmo ver luz ao fundo do túnel. Como se houvesse uma hipótese, ainda que remota, de este semestre não vir a ser tão absolutamente mau como pensei que fosse ser. Mas não deixei - e não deixo! - a esperança elevar-se demasiado, porque já aprendi que não o posso fazer, quando não sei com o que posso contar da parte das pessoas que infelizmente me rodeiam.
Ainda assim, hoje fez calor lá fora, e fez mais um bocadinho de calor também cá dentro. Porque hoje, pela primeira vez este ano, senti-me realmente bem na companhia de duas pessoas, e pela primeira vez senti que essas pessoas olham para mim como uma amiga e como parte do seu 'grupinho', se assim lhe posso chamar.
Vais ter de nos aturar até ao fim do ano, sabes disso? Soube tão bem ouvir isto. Saber que não estou a mais. Saber que ainda tenho pessoas naquele local a quem posso chamar de amigos. E mais que isso, saber que com estes não vai haver confusões, porque estes simplesmente não se metem em confusões. Saber que posso confiar neles. Saber que acreditam em mim e me ouvem e não se deixam influenciar por outras pessoas. Saber que perceberam o meu lado da história, e mais que isso, que ficaram do meu lado. Saber que já não tenho de me sentir tão sozinha.
Este dia soube muito, muito bem. Paz e sossego, amigos e sorrisos. Tornam tudo mais leve.

Surround yourself with people who make you happy. People who make you laugh, who help you when you're in need. People who would never take advantage of you. People who genuinely care. They are the ones worth keepin in your life. Everyone else is just passing through. (Karl Marx)

@

terça-feira, 10 de setembro de 2013

I've stolen all the stars to make a wish we can fly
Away, away up high to that old place in time
Where our pictures never fade and our hearts don't lie
Won't you stay a while and watch our worlds go by?
I'll keep holding on to you and your Saturday smile

Has our Autumn died?
Help me find you again

I think it's love
I think it's love
That gets us through
All our goodbyes
So when we die
Think of love
I'll think of love
And thoughts of you
To lay me down
I think it's love
That keeps us new

If only it could be the very first time
Kiss me like it means something inside
I don't want to leave and I'm afraid to find
Our fate died in a dream and let me know you're not mine
Lie a little longer, my Saturday smile

Has our Autumn died?
Help me find you again

I think it's love
I think it's love
That gets us through
All our goodbyes
So when we die
Think of love
I'll think of love
And thoughts of you
To lay me down
I think it's love
That keeps us new

@

99,

Toda a gente me diz que quem espera sempre alcança. O que se esquecem de me dizer, é que quem espera, desespera. E o que sinto neste momento é que não há mais nada que possa fazer, a não ser esperar.
Tenho vivido no futuro, é verdade. Faço planos e mais planos, atrevo-me até a imaginar alguns cenários para tentar escolher o que me agrada mais de entre os vários que tenho à minha frente. Imagino cada um dos caminhos que posso tomar como uma foto. E cada uma dessas fotos está cheia de cores garridas e paisagens apaixonantes, porque gosto de pensar que a minha vida vai também ser colorida e apaixonante daqui para a frente. Sobretudo, porque confio que é nesse futuro que me tenho entretido a imaginar que está a minha felicidade.
Porque essa felicidade não está aqui - isso é uma certeza. Não está nesta cidade, e não está com estas pessoas. Está em Viana, está com os meus pais, com o resto da minha família e com os poucos amigos que tenho a certeza que me querem bem. Mas não está nesta cidade onde por mais sol que faça, os dias são sempre cinzentos. Não está no meio destas pessoas que, por mais que eu tenha estado lá para elas nos dias em que precisaram, decidiram que não tinham tempo a perder comigo quando me atrevi a ter problemas e a estar mal.
"Nós adoramos-te quando estás feliz, percebes?" Percebo. Eu também me adoro quando estou feliz. Porque adoro estar feliz. Mas isso não é amizade. Amizade é estar lá quando estou feliz, mas estar lá ainda mais quando estou triste, desesperada, sem amor à vida nem a mim mesma, quando me roubaram o mundo e me tiraram o chão de debaixo dos pés. Amizade é não deixar que outras pessoas se intrometam e acreditar nas histórias delas sem ouvir a versão daqueles a quem chamávamos amigos, daqueles com quem passávamos os nossos dias. Amizade não é deixar os amigos abandonados e sozinhos quando eles mais precisam.
E é por isso que espero, espero e volto a esperar, mais e mais, que o tempo me satisfaça e se apresse a passar. Cada noite, avanço uma página do livro com mais avidez, na esperança de conseguir fazer os ponteiros andar mais depressa, até ao dia em que me vão levar daqui para fora e de volta para quem amo e me ama a mim, de novo.

Noventa e nove.

@

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

100,

O primeiro dia já passou. Já só faltam mais noventa e nove. São mais quinze semanas de tortura até chegar o tão esperado dia de liberdade.
Felizmente há algumas coisas que não mudaram tanto como eu temia. Um abraço carinhoso mal cheguei provou-me que há pelo menos uma pessoa que, no meio de toda a confusão, ainda quer saber de mim. O mesmo aconteceu à tarde, quando voltei, com outras duas pessoas. Bom, já há pelo menos três pessoas que ainda querem saber de mim. E passei o dia a rir-me, divertida, e bem acompanhada, com outras duas pessoas, que não me fizeram sentir deslocada nem por um minuto. Afinal, há pelo menos cinco pessoas que ainda querem saber de mim.
Faltam quinze semanas. Faltam mais noventa e nove dias. E há cinco pessoas no meu curso que ainda querem saber de mim. Há cinco pessoas no meu curso pelas quais eu ainda nutro bastante carinho e com as quais espero poder contar durante os próximos noventa e nove dias.
E depois (não depois... antes! sempre antes!) há os meus pais, e os meus tios, e a S., e a C., e a I., e o P., que se preocuparam em me perguntar como foi o meu dia, se está tudo bem. Que me mandaram mensagens ou me telefonaram para me dar ânimo e para me lembrar que o tempo acaba por passar mais rápido do que se espera. Que me disseram que valho a pena, e que estão comigo a torcer por mim e a dar-me força, e que mesmo que eu não tenha mais ninguém, os vou ter sempre a eles. Que me disseram para ignorar quem não quer saber de mim, para entrar na faculdade todos os dias com a cabeça bem erguida e um sorriso na cara, para não me deixar nunca ir abaixo por causa de quem não merece. "Quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré", não é verdade?

Foi um dia agridoce. Ainda me vêm as lágrimas aos olhos com saudades de casa e dos meus pais. Ainda me custa pensar no semestre que me espera com uma atitude positiva. Mas vou ter de ser forte. Por mim, e por quem gosta de mim.

@
You can be amazing
You can turn a phrase into a weapon or a drug
You can be the outkast or be the backlash
Of somebody's lack of love
Or you can start speaking up

Nothing's gonna hurt you the way that words do
And they settle 'neath your skin
Kept on the inside, no sunlight
Sometimes a shadow wins
But I wonder what would happen if you

Say what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE
With what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE

I just wanna see you, I just wanna see you
I just wanna see you
I wanna see you be BRAVE

Everybody's been there
Everybody's been stared down by the enemy
Fallen for the fear and done some disappearing
Bowed down to the mighty, don't run
Stop holding your tongue

Maybe there's a way out of the cage where you live
Maybe one of these days you can let the light in
Show me how big your BRAVE is

Say what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE
With what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE

Innocence
Your history of silence won't do you any good
Did you think it would?
Let your words be anything but empty
Why don't you tell them the truth?

Say what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE
With what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE

I just wanna see you, I just wanna see you
I just wanna see you
I wanna see you be BRAVE

@

domingo, 8 de setembro de 2013

101,

Porque são as duas pessoas mais importantes da minha vida. Porque este Verão me fez perceber, melhor do que nunca, o quanto preciso deles ao meu lado todos os dias. Porque o dia de hoje, em especial, me fez perceber o quanto ainda consigo ser uma menina pequenina. Porque não sei viver sem os abraços e os beijinhos deles, sem o carinho e o amor. Porque não sou capaz de estar longe e não telefonar todos os dias. Porque preciso deles mais do que alguma vez senti que precisasse na minha vida. Porque foram precisos vinte anos para perceber que não sou nada sem eles. Por tudo e mais alguma coisa, são os melhores pais do mundo. E eu já estou com o coração apertado e a morrer de saudades.

@

summer's gone.

Mais um Verão que chegou e passou. E este não foi, de longe, o melhor. Mas teve coisas óptimas.
Em primeiro lugar, Barcelona. A cidade dos meus sonhos. A minha casa longe de casa. E a vontade de voltar só se prolongou - de facto, acho que nunca me custou tanto voltar de umas férias, como daqueles dez dias no coração da Catalunha.
E depois... a minha família. Foi graças a eles que recuperei verdadeiramente do que me aconteceu uns meses antes de o Verão chegar. Foi graças a eles que me voltei a sentir amada e com algum valor. Foi graças a eles que percebi que a vida continua e que tenho muita gente a quem me agarrar, gente que essa sim, vale a pena.
Tomei grandes decisões este Verão. Parte delas, já está cumprida ou em vias de ser cumprida. E outras só daqui a um ano... mas lá chegarei.

Faltam noventa e seis dias para ser livre de novo. Até lá... sonharemos.

@

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

cansaço,

Não percebo. Não falaste comigo durante semanas a fio, a partir do momento em que arranjaste outra pessoa. E no início, nem me apercebi que seria provavelmente por esse motivo, por já haver outra pessoa, mas agora, olhando para trás e comparando datas, é óbvio que foi esse o motivo. E no início, doeu. Porque sabia que se as circunstâncias fossem diferentes virias falar comigo, interessar-te-ias por saber mais, e até comentarias certas coisas que se passaram na minha vida. Mas isso foi só no início.
Não sei ao certo como, mas habituei-me à tua ausência. Mais que isso, passei a ganhar forças com ela e viciei-me em fingir que não existias. Foi graças a isso - em inglês, diria que foi uma "coping strategy" - que consegui ultrapassar e tornar-me quase indiferente àquilo que és, e mais que isso, àquilo que foste.
Não sinto nada por ti. Não te quero de volta. E não gosto que me digas que "apesar de tudo, fui importante", porque tudo o que fazes, dizes e és, neste momento, prova o contrário. Eu não fui importante. Se o tivesse sido, não terias feito o que fizeste. Por isso, para quê enganarmo-nos?
Decidiste falar comigo às três da manhã, do nada. Decidiste falar comigo num tom de falsa preocupação, quase de "paizinho", porque tu és tão inteligente, sabes tanto, claro que tinhas de vir partilhar a tua sabedoria extrema comigo. Mas alguém te perguntou ou pediu alguma coisa? Não. Parece que escolhes os momentos em que eu me sinto melhor para me vir tentar desequilibrar.
Na semana passada disseste-me que um dia gostavas de voltar a falar comigo. E eu disse-te que sim. Pois bem... menti-te. E menti a mim mesma. Eu não quero voltar a falar contigo. Eu estou cansada de tudo o que te diz respeito. E cansada deste ano que perdi à tua custa.
Por isso não. Não voltes. Não fales comigo.
E finge que eu também não existo.

@

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A cada dia que passa, torna-se mais óbvio que sinto menos, menos e menos aquilo que durante meses me preencheu quase por completo. De facto, acho que não estarei longe da verdade quando digo que já não estou apaixonada, nem nada que se pareça.
Se não sobrou carinho nem afeição, se não sobrou vontade de estar, falar ou sequer ver a pessoa, e se não sobrou qualquer saudade... isso não é amor. Portanto, o que quer que eu ainda sinta, é só uma pequena parte da cicatriz que felizmente se tem vindo a formar ao longo dos últimos tempos - aquela pequena (e cada vez mais pequena) parte que ainda não sarou completamente.
Mas se ele ainda não me é indiferente, é porque às vezes ainda dói relembrar tudo o que aconteceu. Mas não dói no coração. Dói no orgulho. E por mais que o tempo passe, sei que me vou sempre perguntar até que ponto tudo não passou de uma bela mentira, tendo em conta tudo o que aconteceu depois e tudo o que sei agora. Por mais que o tempo passe, sei que nunca vou ser capaz de olhar para trás e ver apenas o bom, porque na verdade o mau foi muito mais intenso... e é triste saber isso. É triste ver que não interessou o quanto amei, porque o que sofri foi tão imenso, que tem a capacidade de apagar os momentos cor de rosa.
Nem tudo é mau, no entanto. Sentir-me assim dá-me força... se ultrapassei isto, se saí mais forte no fim, sei que vou ter força para ultrapassar outros momentos maus que eventualmente estejam à minha frente. Se ultrapassei o pior momento dos meus dezanove anos e alguns meses de vida e se consegui fazê-lo maioritariamente graças à minha força de vontade - não pondo de parte os amigos, claro! -, então tenho pelo menos uma prova de que não sou tão fraca como cheguei a achar que era. E a minha auto-estima gosta de o saber.
Tudo o que quero no que toca a este assunto, neste momento, é conseguir parar de me revoltar quando descubro mais qualquer coisa que não sabia, ou quando oiço ou leio mais qualquer coisa que não gosto. Quero parar de sentir, seja o que for - raiva, revolta, mágoa... não quero sentir nada, nem que esses sentimentos sejam bons.
Só quero que tudo isto morra, e nunca mais renasça.

E sei que talvez por este texto não pareça muito, mas... eu estou bem. E feliz.
E só me interessa isso.

@

sábado, 17 de agosto de 2013

Esta foto tem pouco mais de seis anos, e o dia em que foi tirada é um daqueles que entram direitinhos no meu top de melhores dias alguma vez vividos. Assim como as pessoas com quem o passei, são pessoas das quais me vou recordar sempre, apesar de agora estarem longe, algumas tão longe que nem é possível voltar a imaginar um dia voltar a ter qualquer tipo de relação com elas.
Ainda assim, o tempo não cura tudo, e há saudades que não passam. Como as saudades daquele que foi o melhor amigo que alguma vez tive, e que infelizmente perdi. Há coisas que me hão-de revoltar para sempre, o quão injusta a vida é para algumas pessoas. Enfim.
Adoro-te, sempre.

Times of joy and times of sorrow
We will always see it through
Oh I don't care what comes tomorrow
We can face it all together
The way old friends do

(porque era assim que costumava ser)

@

sábado, 10 de agosto de 2013

(mais um) regresso ao passado,

Meu querido,
É a primeira vez em muito, muito tempo - um ano e meio, talvez! - em que senti necessidade de te escrever. E que estranho é saber que ainda sinto vontade de o fazer, depois de todo este tempo.
Durante quatro anos e meio, escrever sobre ti e para ti - quando me lias e quando nem sabias que eu escrevia - era tão natural para mim quanto respirar. Às vezes, quando as coisas estavam mesmo tristes e o mundo me pesava sobre os ombros, era mesmo mais fácil escrever-te do que respirar. As palavras saíam sempre com uma naturalidade que já nem me espantava - e Deus sabe como agora valorizo isso, porque já não acho tão fácil passar para um texto tudo aquilo que sinto. Mas são incontáveis os cadernos que enchi a falar de ti, e as folhas soltas que guardo numa gaveta, cartas que nunca leste. Eras o meu mundo.
E depois, num momento que nem eu própria consigo precisar, tomei a decisão mais difícil, aquela que durante anos a fio nunca tinha sido forte o suficiente para tomar: não me fazias bem e sabia que mais cedo ou mais tarde ia ficar completamente louca se continuasse a ouvir o meu coração e não a razão. E com muito esforço consegui afastar-me e... curar-me. Reabilitar-me.
De facto, "reabilitação" é a palavra mais certa. Durante quatro anos e meio, foste droga. Pura droga. Um vício incrível de que não me conseguia libertar nem que tivesse querido - e verdade seja dita, era algo masoquista e preferia continuar viciada do que deixar-te ir. E cada dia que passava sem nos vermos, sem nos falarmos, sem nos tocarmos, era a loucura completa. Um frenesim de lágrimas e recriminações, que guardava só para mim porque não era capaz de te exigir mais, e eu merecia mais. Mas tal e qual uma drogada, não conseguia ver isso e só encontrava repouso, e a tão desejada felicidade, quando tinha a minha heroína, a minha cocaína... tu.
Toda a gente me dizia que só me fazias mal e que tinha de me libertar. Todos os dias havia alguém que me perguntava como era capaz de aguentar aquela situação louca. Todos os dias havia alguém que me incitava a deixar de te querer, a esquecer-te e andar com a minha vida para a frente, sem nunca mais olhar para o passado. E todos os dias alguém se indignava comigo e me chamava casmurra por eu não o querer fazer. Porque muito pouca gente percebia a grandeza do que eu sentia por ti - na verdade, muitas vezes acho que nem tu próprio percebias o quanto eu gostava de ti. Mais do que de mim mesma. Eras mais importante para mim do que eu própria, e nada é pior do que esquecermos quem somos por causa de outra pessoa.
Devo ter tendência para me apaixonar por pessoas que acabam por me levar à loucura, não devo? Depois de ti houve várias pessoas, mas só uma teve verdadeira importância, comparável à tua. Porque, tal como tu, foi capaz de me endoidecer o suficiente para me fazer esquecer de mim mesma ao ponto de me apaixonar mais por ele do que por mim e, tal como tu, levou-me do paraíso ao inferno num estalar de dedos. Com a diferença que a ti, deixei que o fizesses durante muito tempo, porque quis lutar por nós. Com ele, nem tive essa oportunidade... e se a tivesse tido, provavelmente chegaria aqui hoje e diria que tinha sido tempo perdido. As coisas acontecem por uma razão, tenho a certeza disso, e não estávamos destinados. Nem eu e ele... nem tu e eu. Por muito que eu não o quisesse ver.
Mas neste momento não interessa, de todo, fazer qualquer tipo de comparações porque as duas histórias não podiam ser mais diferentes, tirando o seu final... mas não foi para fazer comparações que escrevi este texto. Na verdade, nem eu sei porque me apeteceu  pegar numa caneta e neste caderno esquecido há tanto tempo, e escrever(-te) sobre tudo e sobre nada, a ti, a quem foram escritos tantos, tantos outros textos destes.
Sabes, eu tenho um hábito que ainda não decidi se é benéfico ou prejudicial: esqueço-me com demasiada facilidade do mal que me fazem e da dor que os outros me provocam, por gostar demasiado deles. E tu és o epítemo desta minha mania. Porque se olhar de forma objectiva para nós dois e aqueles quatro anos e meio, o que devia sobressair, em teoria, eram os momentos maus, as lágrimas infinitas em que quase me afoguei tantas vezes. Mas não. Lembro-me com muito mais facilidade dos momentos bons que partilhámos, da felicidade estonteante que me preenchia e durava às vezes uns dias, outras apenas umas horas, mas que me dava força para continuar a lutar por aquilo que eu queria. Aquilo que eu mais queria... a única coisa que eu realmente queria.
Não sou capaz de perder muito tempo a pensar nas coisas más, porque me levam a um tempo e a uma pessoa que não gosto de pensar que era eu. E não sou capaz também porque no meio de tudo, surge-me sempre o teu sorriso enorme - e quantas vezes eu terei dito que era o sorriso mais bonito do mundo? - e os teus olhos de chocolate presos em mim, o teu habitual ar trocista, uma qualquer boca sempre pronta a ser lançada só para me arreliar.
E nada dói. Já nada dói, porque estou curada da doença que eras e não te dou poder para me magoares de novo. Já nada dói, e é por isso que consigo agora olhar para trás e só ver o teu lado bom - ainda que isso não seja propriamente correcto.
Mas às vezes ainda tenho saudades. Saudades tuas, e da tua parvoíce, das tuas mãos e da tua boca. Saudades minhas e da menina inocente que eu era contigo. Mas, sobretudo, saudades da maneira como me sentia quando estavas comigo. E saudades de sentir algo tão intenso, tão total, tão inalterado, tão essencial, tão completamente puro como era o amor que eu sentia por ti. Era loucura, êxtase, sofrimento e paixão em estado natural, genuíno... uma mistura explosiva de coisas que nunca tinha experimentado antes, e que por isso se incendiava com tanta facilidade, para o bem e para o mal. Era tudo. Eras tudo.
Foste o meu primeiro amor, e o primeiro em tantas outras coisas. Tiraste de mim tudo o que havia para tirar, queimaste tudo tal e qual um incêndio assustador, e quando acabou fiquei feita só de cinzas. Sem saber como renascer, como voltar à vida, sabendo que não ias estar presente ou eu teria de morrer por ti outra vez.
Ainda hoje não sei como, mas acabei por ser capaz de te ultrapassar - não gosto de dizer esquecer, porque nunca o hei-de fazer por mais que viva. E a verdade é que grande parte daquilo que sou hoje se deve ao que tivemos e ao que eu senti por ti, e à maneira como tudo aconteceu. As coisas boas, sim, mas sobretudo as coisas más, os traumas e os medos... tudo, tudo tem a tua marca por todo o lado.
E com isto chega ao fim a minha recém-descoberta necessidade de (te) escrever. Há três anos também te escrevi uma longa carta, lembras-te? E por mais incrível que pareça para mim, que me lembro sempre de tudo - como tu bem sabes - não sou capaz de me lembrar das palavras que despejei para essa carta. Mas quaisquer que elas tenham sido, foram as certas: foi graças a elas que voltámos a falar depois de uns meses bem difíceis, e foi graças a ela que aquilo a que eu chamo a "segunda parte" da nossa história se escreveu. Hei-de me lembrar sempre dela como um acto de coragem que resultou ainda melhor do que eu pretendia - porque eu só me queria libertar do peso das palavras nos meus ombros, e acabei por ganhar muito mais.
E depois de tudo, espero que percebas porque é que por vezes me sinto tão reticente em deixar-te aproximar. Porque não me esqueço de nada, e tenho medo de que de alguma maneira sejas capaz de voltar a quebrar as barreiras que eu tão cuidadosamente construí e que me voltes a afectar. E por mais que às vezes eu me sinta tentada a deixar que isso aconteça, só para ver como seriam as coisas agora, não tenho a certeza que me fizesse bem e não mal, como antes. Ainda assim, não tenho um único arrependimento naquilo que te diz respeito, nem um único.
Assim termina este momento de loucura - é só mais um, e tão pouco comparado com outros pelos quais passei! Porque por ti, antigamente, era capaz de ir ao fim do mundo e voltar e fazer qualquer coisas. Este texto, comparado com isso, não é nada.
Para o bem ou para o mal, nunca me esqueço de nós, todos os dias estamos presentes num qualquer cantinho da minha mente. E continua a ser mais que natural escrever para ti.
O fim, já tu o sabes...

« you're so fuckin' special,
I wish I was special... »

10 de Agosto de 2013, 05:13

@

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Não sei se a culpa é minha. Se sou eu que não sei escolher. Ou se me deixo levar demasiado facilmente. Ou se sou apenas demasiado ingénua e acredito demasiado facilmente em tudo o que me dizem. A verdade é que acabo sempre por cair em asneira - e em asneiras tão parecidas... - na hora de me entregar a alguém.
Achei, sinceramente, que tinha finalmente encontrado alguém especial. Especial, porque era totalmente diferente de todas as pessoas que eu conhecia. Como toda a gente, tinha os seus defeitos, mas as qualidades eram tantas e tão superiores que era como estar no céu. Mais que isso, era como se encaixássemos perfeitamente um no outro em todos os sentidos, e como se estivéssemos estado só à espera de nos encontrarmos um ao outro para tudo o resto nas nossas vidas se acertar.
Mas adivinhem? Estava errada. Pela segunda vez na minha vida, estava completamente errada, e mais errada do que alguma vez tinha estado antes.
Porque antes, se errei foi porque não quis ver. Estava tudo preto no branco à minha frente, eu é que preferi deixar-me ir e enganar-me a mim mesma durante vários anos, a achar que as coisas iam mudar e iam, de facto, ser mais do que aquilo que eram. Nunca foram, por muito que agora até a própria pessoa me diga que se arrepende de não ter dado mais valor a tudo o que (não) aconteceu, a verdade é que algumas das coisas pelas quis passei, só tenho culpas a atribuir a mim mesma.
Mas desta vez? Desta vez não. Desta vez, não sinto que tenha cometido erros. E se cometi algum, não foi de maneira nenhuma suficiente para justificar toda a dor pela qual tive de passar depois. Todas as lágrimas, todo o desespero, todas as noites sem dormir e os dias que ficaram por viver. As pessoas de quem me afastei. Não fiz nada que justificasse merecer isso tudo. E por muito que o sentimento pudesse ter mudado, o que eu merecia era honestidade.
Cada vez mais chego à conclusão que as pessoas que dizem reger-se por morais rígidas, que dizem ser muito correctas, muito honestas e directas... não o são. Essas morais não são aplicadas a eles mesmos, mas aos outros, quando os criticam e julgam. Só são correctas quando lhes é conveniente. E só são honestas quando querem e não têm nada a perder com isso. No fundo, tudo se resume ao egoísmo, puro e duro. E eu não soube ver isso, porque foi demasiado bem escondido, não só pela própria pessoa, mas pelo meu coração a transbordar de coisas boas e que queria ver tudo cor-de-rosa.
E agora chego ao fim de tudo e nem sei como olhar para trás. Não me consigo lembrar dos dias bons porque os maus foram muito mais intensos. Não me consigo lembrar das qualidades porque me magoou tanto, que já só sei ver os defeitos. E não consigo, por mais que queira, reconhecer a pessoa por quem me apaixonei, porque ela parece ter mudado completamente, e já não é de agora.
Mas agora, que chego ao fim de tudo, apercebo-me de que é melhor assim. No final de contas, eu não quero olhar para trás, mas para a frente. Não quero recordar-me de qualidades nem de defeitos, porque a pessoa não era única e especial, eu é que a quis ver assim. E não quero reconhecer a pessoa por quem me apaixonei. Quero simplesmente esquecer que alguma vez a conheci.
É o mais fácil e eficaz para mim. E não vou voltar a dar nem um bocadinho de mim a quem já não me merece, nem a nada do que eu possa ter para oferecer.

we might as well be strangers in another town
we might as well be living in another time
we might as well, we might as well
we might as well be strangers, be strangers...

E é assim que digo adeus.

@