sexta-feira, 6 de setembro de 2013

cansaço,

Não percebo. Não falaste comigo durante semanas a fio, a partir do momento em que arranjaste outra pessoa. E no início, nem me apercebi que seria provavelmente por esse motivo, por já haver outra pessoa, mas agora, olhando para trás e comparando datas, é óbvio que foi esse o motivo. E no início, doeu. Porque sabia que se as circunstâncias fossem diferentes virias falar comigo, interessar-te-ias por saber mais, e até comentarias certas coisas que se passaram na minha vida. Mas isso foi só no início.
Não sei ao certo como, mas habituei-me à tua ausência. Mais que isso, passei a ganhar forças com ela e viciei-me em fingir que não existias. Foi graças a isso - em inglês, diria que foi uma "coping strategy" - que consegui ultrapassar e tornar-me quase indiferente àquilo que és, e mais que isso, àquilo que foste.
Não sinto nada por ti. Não te quero de volta. E não gosto que me digas que "apesar de tudo, fui importante", porque tudo o que fazes, dizes e és, neste momento, prova o contrário. Eu não fui importante. Se o tivesse sido, não terias feito o que fizeste. Por isso, para quê enganarmo-nos?
Decidiste falar comigo às três da manhã, do nada. Decidiste falar comigo num tom de falsa preocupação, quase de "paizinho", porque tu és tão inteligente, sabes tanto, claro que tinhas de vir partilhar a tua sabedoria extrema comigo. Mas alguém te perguntou ou pediu alguma coisa? Não. Parece que escolhes os momentos em que eu me sinto melhor para me vir tentar desequilibrar.
Na semana passada disseste-me que um dia gostavas de voltar a falar comigo. E eu disse-te que sim. Pois bem... menti-te. E menti a mim mesma. Eu não quero voltar a falar contigo. Eu estou cansada de tudo o que te diz respeito. E cansada deste ano que perdi à tua custa.
Por isso não. Não voltes. Não fales comigo.
E finge que eu também não existo.

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