Ontem tive uma espécie de reunião - aqueles encontros que queremos sempre marcar e por isso vamos dizendo "temos de ver isso!", "temos de combinar isso!", "vai dizendo alguma coisa!" e depois ninguém combina e ninguém diz nada. Até que um dia decidimos que está mesmo na hora e finalmente encontramo-nos.
As pessoas sentadas à volta daquela mesa eram - são - os meus amigos de sempre. E três delas, as minhas amigas mais antigas, com quem eu estava praticamente durante todos os momentos em que estava acordada, com quem eu partilhava todo e cada pormenor da minha vida. A S., a outra S., a V. e eu. Sempre. Desde 1999, dá para imaginar?
Não consigo lembrar-me de um momento da minha vida em Viana em que elas não estivessem presentes, de uma maneira ou de outra. Crescemos lado a lado, literalmente. E todas as minhas "primeiras vezes" foram partilhadas com elas. O primeiro amor, o primeiro desgosto, as primeiras desilusões com amigos... tudo, bom e mau, foi vivido com elas ali ao lado. E tudo o que elas viveram foi vivido comigo também. Houve alturas em que chegámos a chorar umas pelas outras, ainda que a dor fosse só de uma.
E os anos passam, as vidas mudam, as pessoas afastam-se. Mas o melhor de tudo acerca de nos termos voltado a encontrar, a sentar-nos a uma mesa, a conversar sobre tudo e mais alguma coisa, foi perceber que afinal não mudámos tanto assim. Por mais que tudo o resto esteja diferente, ainda sabemos como cada uma de nós é, como vai reagir a determinada coisa, como se vai sentir ao ouvir falar de determinada pessoa, o que vai dizer ao relembrar determinado momento. E ainda melhor que isso, foi reviver dezenas de recordações, cada uma de nós a lembrar-se de várias e a partilhá-las... foi tão bom voltar a uma altura em que era tudo calmo, tranquilo, despreocupado e sempre, sempre engraçado.
Tenho muitas saudades das minhas amigas, muitas. E adoro-as muito.
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