terça-feira, 10 de setembro de 2013

99,

Toda a gente me diz que quem espera sempre alcança. O que se esquecem de me dizer, é que quem espera, desespera. E o que sinto neste momento é que não há mais nada que possa fazer, a não ser esperar.
Tenho vivido no futuro, é verdade. Faço planos e mais planos, atrevo-me até a imaginar alguns cenários para tentar escolher o que me agrada mais de entre os vários que tenho à minha frente. Imagino cada um dos caminhos que posso tomar como uma foto. E cada uma dessas fotos está cheia de cores garridas e paisagens apaixonantes, porque gosto de pensar que a minha vida vai também ser colorida e apaixonante daqui para a frente. Sobretudo, porque confio que é nesse futuro que me tenho entretido a imaginar que está a minha felicidade.
Porque essa felicidade não está aqui - isso é uma certeza. Não está nesta cidade, e não está com estas pessoas. Está em Viana, está com os meus pais, com o resto da minha família e com os poucos amigos que tenho a certeza que me querem bem. Mas não está nesta cidade onde por mais sol que faça, os dias são sempre cinzentos. Não está no meio destas pessoas que, por mais que eu tenha estado lá para elas nos dias em que precisaram, decidiram que não tinham tempo a perder comigo quando me atrevi a ter problemas e a estar mal.
"Nós adoramos-te quando estás feliz, percebes?" Percebo. Eu também me adoro quando estou feliz. Porque adoro estar feliz. Mas isso não é amizade. Amizade é estar lá quando estou feliz, mas estar lá ainda mais quando estou triste, desesperada, sem amor à vida nem a mim mesma, quando me roubaram o mundo e me tiraram o chão de debaixo dos pés. Amizade é não deixar que outras pessoas se intrometam e acreditar nas histórias delas sem ouvir a versão daqueles a quem chamávamos amigos, daqueles com quem passávamos os nossos dias. Amizade não é deixar os amigos abandonados e sozinhos quando eles mais precisam.
E é por isso que espero, espero e volto a esperar, mais e mais, que o tempo me satisfaça e se apresse a passar. Cada noite, avanço uma página do livro com mais avidez, na esperança de conseguir fazer os ponteiros andar mais depressa, até ao dia em que me vão levar daqui para fora e de volta para quem amo e me ama a mim, de novo.

Noventa e nove.

@

Sem comentários: