A cada dia que passa, torna-se mais óbvio que sinto menos, menos e menos aquilo que durante meses me preencheu quase por completo. De facto, acho que não estarei longe da verdade quando digo que já não estou apaixonada, nem nada que se pareça.
Se não sobrou carinho nem afeição, se não sobrou vontade de estar, falar ou sequer ver a pessoa, e se não sobrou qualquer saudade... isso não é amor. Portanto, o que quer que eu ainda sinta, é só uma pequena parte da cicatriz que felizmente se tem vindo a formar ao longo dos últimos tempos - aquela pequena (e cada vez mais pequena) parte que ainda não sarou completamente.
Mas se ele ainda não me é indiferente, é porque às vezes ainda dói relembrar tudo o que aconteceu. Mas não dói no coração. Dói no orgulho. E por mais que o tempo passe, sei que me vou sempre perguntar até que ponto tudo não passou de uma bela mentira, tendo em conta tudo o que aconteceu depois e tudo o que sei agora. Por mais que o tempo passe, sei que nunca vou ser capaz de olhar para trás e ver apenas o bom, porque na verdade o mau foi muito mais intenso... e é triste saber isso. É triste ver que não interessou o quanto amei, porque o que sofri foi tão imenso, que tem a capacidade de apagar os momentos cor de rosa.
Nem tudo é mau, no entanto. Sentir-me assim dá-me força... se ultrapassei isto, se saí mais forte no fim, sei que vou ter força para ultrapassar outros momentos maus que eventualmente estejam à minha frente. Se ultrapassei o pior momento dos meus dezanove anos e alguns meses de vida e se consegui fazê-lo maioritariamente graças à minha força de vontade - não pondo de parte os amigos, claro! -, então tenho pelo menos uma prova de que não sou tão fraca como cheguei a achar que era. E a minha auto-estima gosta de o saber.
Tudo o que quero no que toca a este assunto, neste momento, é conseguir parar de me revoltar quando descubro mais qualquer coisa que não sabia, ou quando oiço ou leio mais qualquer coisa que não gosto. Quero parar de sentir, seja o que for - raiva, revolta, mágoa... não quero sentir nada, nem que esses sentimentos sejam bons.
Só quero que tudo isto morra, e nunca mais renasça.
E sei que talvez por este texto não pareça muito, mas... eu estou bem. E feliz.
E só me interessa isso.
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