
Não ia escrever(-te) porque não faz sentido, uma vez que hoje em dia já não passamos de uns ocasionais sorrisos e acenos, só mesmo para provar que (um dia) nos conhecemos. Não acho que faça sentido escrever-te, ainda por cima porque não vais, com toda a certeza, ler isto, mas eu também não faço propriamente muito sentido e nem sempre faço coisas com um sentido definido por isso escrevo(-te), porque faz hoje três meses desde aquele dia.
Não vou estar aqui a dizer que significas ou significaste muito para mim, porque se for a ver as coisas objectivamente (e agora, à distância), nunca foste propriamente muito importante - foste mais uma das minhas várias (des)ilusões... e nem sequer tiveste muita culpa disso. E agora não significas nada, mas olho para ti e penso que as coisas podiam ter sido diferentes - não me arrependo de nada nem quero voltar atrás, mas que podíamos ter resultado (melhor), isso podíamos. De qualquer modo, foram 34 dias bastante interessantes.
Passando ao que me levou a escrever, ou seja, ao dia 20 de Fevereiro de 2010, devo dizer que, apesar de tudo, conta-se entre os melhores dias deste ano de 2010, e foi com toda a certeza o melhor dia daquela viagem a Inglaterra, por tudo o que aconteceu. As minhas recordações são estas (e são as mesmas que as tuas, disso eu tenho a certeza):
Estação de autocarros. Chocolate quente. «Ele hoje sonhou contigo!» Autocarro. (inesperada) Troca de lugares. «Oh, afinal esta viagem não se acaba sem um casalinho!» Vergonha. Música. Sono. Londres. British Museum (sobretudo a biblioteca, em que apareces nesta foto). Covent Garden. Mãos frias: «Deixa estar que isso resolve-se!» Atravessar Londres a pé (de uma ponta à outra). «Se fosses uma pessoa simpática levavas a minha mochila, em vez de andares feito parvo com a minha máquina cor de rosa, a tirar fotos a coisas que não interessam!» New Tate Modern. Mãos dadas (sempre). «Eu agora ia naquela Pão de Forma e não voltava mais!» Discussões parvas. Cansaço (muito). Autocarro. Fotos. Guitarra do Maia. Estação de serviço. Luzes apagadas e... uma vez, duas vezes. «Falamos mais logo...» Canterbury. Sensação de estranheza. Jantar no mundo da lua. «Que tal? O miúdo safa-se ou é só beijinhos?» Sair. MacDonald's. Beco. Vodka de amora. Mãos dadas (sempre). Estação da polícia. Túnel e... pausa. «Fartaram-se de gozar comigo por tua causa! Mas não me interessa andar a esconder nada.» Mensagens. Dormir.
O dia resume-se, muito resumidamente, assim. E isto já não interessa a ninguém - nem sequer a mim! Mas são recordações e valem o que valem, e toda a gente sabe que eu não só adoro recordações, como sou das melhores pessoas a guardá-las.
Como eu disse, escrever isto não faz sentido nem contribuiu em nada para a minha felicidade (antes pelo contrário, porque tenho saudades daquela viagem e se pudesse voltava e repetia tudo), mas serviu para me distrair das minhas outras preocupações (que foi coisa que não tinha conseguido hoje, até agora).
I don't wanna go back but still, I won't forget
"From dreams to ashes", you know that.
JR
e nos entretantos... 49h52m.
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