
Odeio sentir saudades.
Sou muito boa a ter saudades dos momentos e das pessoas, porque nunca consigo deixá-los onde eles devem ficar. Sou muito boa a ter saudades porque fico arrependida de coisas que deixo por fazer. Sou muito boa a ter saudades porque sou péssima a quebrar laços.
Até há uns tempos, as saudades eram o meu quotidiano. Custava aguentá-las, mas era uma sensação já rotineira: diga-se o que se disser, o tempo faz (alguns) milagres e um deles é conseguir atenuar as saudades (de vez em quando). Meses de saudades conseguem esbater a dor e o desânimo... continua a sentir-se (sempre), mas há momentos de paz e esquecimento.
Mas o tempo é traiçoeiro: quando estamos como não queremos estar e algo acontece que muda tudo, habituamo-nos logo. Esquecemos que estivemos a sofrer até aí. Esquecemos até que há uma coisa chamada
É mais ou menos assim que estou.
Por muito ilógico que pareça, tenho saudades... depois de tão pouco (?) tempo.
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