segunda-feira, 16 de setembro de 2013

93,

Hoje, pela primeira vez este ano, sentada nas escadas da faculdade, olhei à minha volta e pensei, se calhar até vou ter saudades disto daqui a uns tempos. Não durou muito, o pensamento - mas tive-o. E nunca pensei que tal coisa pudesse sequer voltar a passar-me pela cabeça, não agora, não depois de tudo.
Mas se calhar vou ter saudades, sim. Não exactamente da faculdade, nem da maioria das coisas que a ela associo. Nem sequer da maioria das pessoas. Mas de algumas, sim. Sobretudo das duas (três, por vezes) que têm passado os dias comigo, que me têm feito ver que nem tudo está perdido, que afinal de contas ainda tenho pessoas que se preocupam e querem saber de mim. Delas - deles, aliás - sim, vou ter muitas saudades. Porque no meio da confusão e da intriga, mantêm a integridade. E mantêm-me, a mim, sã e salva. E o mundo corre lá fora, e nós estamos na nossa bolha, divertidos entre piadas parvas, comentários estúpidos sobre tudo e mais alguma coisa e muita, muita conversa sobre futebol. E é mesmo graças a eles que vou sobrevivendo o melhor que posso.
Por isso, a eles, um grande obrigada. Vou ter saudades, no fim de contas. Até já as tenho.

@

domingo, 15 de setembro de 2013

94,

Duas horas de viagem na minha própria companhia dão azo a muitos pensamentos - alguns que preferia não ter, como memórias ou medo do que pode eventualmente vir aí, mas outros que sabem bem. E hoje, apesar de estar a viajar para o sítio que mais odeio no mundo e onde só queria não ter de voltar, acabei por conseguir focar-me mais nos aspectos positivos do que nos negativos, e não fiquei tão triste como habitualmente.
Porque a verdade é que nem tudo é bom... mas nem tudo é mau. Posso sentir-me muito sozinha aqui e sentir que os meus verdadeiros amigos com quem posso estar durante a semana são apenas dois (e ainda bem que existem!)... mas tenho, todos os dias, pessoas que me telefonam e mandam mensagens de ânimo e sobretudo carinho. Tenho os meus pais e o meu irmão, a S., a outra S., a C., a outra C., a I. e o P. E ter essas pessoas ao meu lado, ainda que só virtualmente, é toda uma força na qual me apoio para me levantar todos os dias e enfrentar o que tiver de ser com a cabeça erguida.
E posso estar triste por ter de estar aqui mais um ano e não ter maneira de contornar a situação... mas tenho os meus sonhos. Não estão completamente definidos e são assustadores - e ainda bem, porque assim obrigo-me a mim mesma a crescer e a estar sempre aberta a novas possibilidades, sejam elas quais forem - mas estão lá, existem, num futuro mais ou menos distante, mais ou menos visível. E quando acho que não vou aguentar, quando a solidão pesa demasiado ou quando o desespero de ter de viver o que não gosto me tenta arrastar para a sua escuridão húmida e fria, é a esses sonhos que me agarro. Porque por mais indefinidos que ainda possam estar, não deixo de ter esperança em conseguir cumpri-los, e que sejam tão brilhantes quanto me parecem, agora.
E esta semana tenho uma coisa nova, que não tinha na semana passada. Tenho uma luzinha pequenina, mas quente, dentro do coração. Não lhe sei dar um nome - e também não quero. Não sei sequer se a devo tentar manter acesa. Mas quero, quero muito. E esta semana, quando achar que não tenho motivação para continuar, vou pensar nessa luzinha e vou lembrar-me de uns olhos rasgados e de um sorriso enorme e quente, tão quente como a luz que guardo e a ele associo. E esta semana vou ter alguma coisa mais a que me agarrar.

@

sábado, 14 de setembro de 2013

A noite de ontem não me saiu da cabeça o dia todo. E o sorriso quente que trouxe comigo também não. Nem as pernas a tocarem-se debaixo da mesa, quase sem querer... certamente de propósito? Não sei.
O que sei, a única coisa que tenho como facto, é que tenho medo. E se há uma parte de mim que me incita a querer mais, até a sonhar um pouco, há outra parte que me diz para ficar quieta no meu canto e não procurar mais confusões.
Só que... o que é a vida, afinal, se não tiver um pouco de sabor? E eu quero, quero tanto entregar-me a esta loucura e ver onde isto vai dar. Se é que tem pernas para andar. Mas cada vez que penso isso, logo a seguir acho que não posso, que não devo, que não está certo, que estou a inventar coisas onde elas não existem. Encontro mil e uma razões para não me deixar levar, e encontro muito poucas para o fazer.
Mas não consigo deixar de pensar nisto. Nele. Ainda que não faça qualquer sentido.

I dream of you in colours that don't exist.

@

95,

Seis semanas se passaram desde o primeiro momento, o primeiro contacto, o primeiro olhar, o primeiro sorriso, o primeiro toque, a primeira impressão. Nessa noite uma borboleta solitária decidiu começar a manifestar-se no meu estômago, e foi tão estranho saber que o meu corpo ainda conseguia reagir daquela maneira à presença de alguém, tanto tempo depois da última vez. Mas foi ainda mais estranho que aquilo tivesse acontecido naquele momento, por aquela pessoa em particular, uma pessoa com quem nunca antes me tinha cruzado em toda a minha vida e que nem esperava conhecer. E nos dias que se seguiram, aquela impressão estranha, aquele interesse inicial, ficaram às voltas na minha cabeça, às voltas e às voltas por mais que eu não quisesse debruçar-me sobre o assunto.
Seis semanas se passaram sobre essa noite, e com os dias a passar, começou também a passar aquela sensação de estranheza e de confusão. Já não me preenchia os pensamentos e comecei quase a acreditar que tinha sido apenas uma invenção da minha parte, uma tentativa qualquer de sentir alguma coisa nova, e que já não sentia há tanto tempo. Interesse.
E quando esta noite me apercebi de que iria confirmar - ou não... - aquela confusão toda, o meu primeiro sentimento foi de medo. E depois nervosismo. E depois saí do carro, engoli a ansiedade e fui calmamente esperar... e esperar, nem sabia bem pelo quê. Esperar ter uma boa noite, sem criar qualquer expectativa sobre outras coisas. Esperar divertir-me, sem querer mais do que isso.
Seis semanas se passaram. Mas voltou tudo. Voltaram as borboletas - e não foi só aquela única que tinha aparecido na outra noite, desta vez veio acompanhada por muitas amigas... E voltaram os olhares. Voltaram os sorrisos - adoro pessoas com sorrisos grandes, sorrisos quentes, sorrisos perfeitos que se lhes espalham pela cara e a nós, nos corações! Voltaram os toques subtis. Sobretudo esse contacto ao mesmo tempo aconchegante e perturbador, que nem sei interpretar. Por um lado, acho que é propositado, que poderia ser facilmente evitado se as duas pessoas não se quisessem tocar, ainda que só levemente, com cuidado. Por outro lado, temo que seja só uma ilusão do meu cérebro. Que seja só uma mera coincidência e que eu, por me sentir confusa e estranha, queira ler mais nela.
Não sei. E também não sei se quero saber.
Tenho saudades de sentir, confesso. Tenho saudades de estar nervosa, confusa, ansiosa, estranha, tentada, tocada, parva e apaixonada. Tenho saudades de ter alguém que me faça sentir coisas. Tenho saudades de ter alguém que me faça sentir necessidade de escrever, essa necessidade que só me vem quando tenho realmente algo em desassossego dentro de mim. Tenho saudades de sentir, sentir a sério.
Mas também tenho medo. Porque tenho cicatrizes, e parecendo que não, são recentes. A pele que se formou ainda é frágil. Qualquer toque mais brusco, mais bruto, leva-a a voltar a abrir-se em ferida. Tenho medo de sentir, porque sentir leva-me a perder o controlo sobre mim, leva-me a ter de incluir outras pessoas nas contas que faço com a minha vida, e isso é assustador. Tenho medo destas borboletas estranhas que me voltaram a invadir, tenho medo do nervosismo que sinto, tenho medo do sorriso que trouxe comigo para casa preso na minha mente, tenho medo da luz quentinha que se me acendeu no coração esta noite. E tenho, sobretudo, medo de estar a ver coisas onde elas não existem.
Por isso não vou pensar. Não vou pensar nisto, não vou tentar interpretar nada, não desta vez. Vou-me só deixar levar. E o que tiver de ser, há-de ser.

Throw your dreams into space like a kite, and you do not know what it will bring back.

@

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

96,

Não há nada como chegar a casa depois de uma semana fora em aulas. Não há nada como voltar a estar com quem me quer bem, sempre. Não há nada como voltar a afastar-me da tristeza que tem sido a minha realidade e daqueles com quem não me sinto bem. Não há nada como voltar a fechar-me na minha conchinha e recuperar forças para mais uma semana.
All in all, a semana podia ter sido pior. Mas também podia ter sido muito melhor. Não se pode ter tudo, não é? E eu ando a aprender cada vez melhor a aproveitar toda e qualquer coisa boa que me seja dada. I'll take this.

Hoje estou nervosa.

Noventa e seis.

@

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

97,

E não interessa o frio, nem o medo, nem a escuridão quando há família. Não interessam as outras dores se tivermos o amor incondicional das únicas pessoas que nos hão-de amar sempre. Não interessa nada, se houver família. Não interessa nada, se o amor deles nunca faltar. Não interessa nada, se estiverem sempre à distância de um telefonema, juntos, felizes e prontos para nos segurar quando caímos. Não interessa nada e nada mais interessa quando damos valor às pessoas mais importantes da nossa vida e as reconhecemos como tal. Não interessa nada e não interessa mais nada.
E eu preciso de saber que está tudo bem.

Noventa e sete.

@

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

9/11

Ainda me lembro perfeitamente de estar ansiosa no jardim, à espera que o meu pai me viesse buscar para me levar a uma festa de anos, quando a minha avó desata aos gritos a chamar por mim. Corri para dentro de casa e na televisão estava uma confusão de fogo e fumo, Nova Iorque num caos, pessoas a gritar, a fugir, a atirar-se das janelas. Na altura, nos meus inocentes oito anos, não soube interpretar aquilo pelo que realmente foi. Não me doeu no peito saber o que todas aquelas pessoas sofreram, o quanto as famílias ainda sofrem por elas todos os dias. Mas dói agora. Passei a tarde a ver vídeos e a ler testemunhos, mais ou menos tristes, mais ou menos chocantes, mais ou menos bonitos, do que aconteceu. E chorei. Por todos e cada um deles, os inocentes, e pela humanidade de todo o mundo que foi perdida naquele dia. E com ou sem teorias da conspiração à mistura, este dia lembra-nos de que a vida é curta e o que menos esperamos pode acontecer a qualquer momento.
Doze anos se passaram. Never forget.

@

98,

Se todos os dias fossem como hoje, talvez estes próximos noventa e oito dias não custassem tanto a passar. Desde Domingo, desde que a tortura (re)começou, foi o primeiro dia em que consegui mesmo ver luz ao fundo do túnel. Como se houvesse uma hipótese, ainda que remota, de este semestre não vir a ser tão absolutamente mau como pensei que fosse ser. Mas não deixei - e não deixo! - a esperança elevar-se demasiado, porque já aprendi que não o posso fazer, quando não sei com o que posso contar da parte das pessoas que infelizmente me rodeiam.
Ainda assim, hoje fez calor lá fora, e fez mais um bocadinho de calor também cá dentro. Porque hoje, pela primeira vez este ano, senti-me realmente bem na companhia de duas pessoas, e pela primeira vez senti que essas pessoas olham para mim como uma amiga e como parte do seu 'grupinho', se assim lhe posso chamar.
Vais ter de nos aturar até ao fim do ano, sabes disso? Soube tão bem ouvir isto. Saber que não estou a mais. Saber que ainda tenho pessoas naquele local a quem posso chamar de amigos. E mais que isso, saber que com estes não vai haver confusões, porque estes simplesmente não se metem em confusões. Saber que posso confiar neles. Saber que acreditam em mim e me ouvem e não se deixam influenciar por outras pessoas. Saber que perceberam o meu lado da história, e mais que isso, que ficaram do meu lado. Saber que já não tenho de me sentir tão sozinha.
Este dia soube muito, muito bem. Paz e sossego, amigos e sorrisos. Tornam tudo mais leve.

Surround yourself with people who make you happy. People who make you laugh, who help you when you're in need. People who would never take advantage of you. People who genuinely care. They are the ones worth keepin in your life. Everyone else is just passing through. (Karl Marx)

@

terça-feira, 10 de setembro de 2013

I've stolen all the stars to make a wish we can fly
Away, away up high to that old place in time
Where our pictures never fade and our hearts don't lie
Won't you stay a while and watch our worlds go by?
I'll keep holding on to you and your Saturday smile

Has our Autumn died?
Help me find you again

I think it's love
I think it's love
That gets us through
All our goodbyes
So when we die
Think of love
I'll think of love
And thoughts of you
To lay me down
I think it's love
That keeps us new

If only it could be the very first time
Kiss me like it means something inside
I don't want to leave and I'm afraid to find
Our fate died in a dream and let me know you're not mine
Lie a little longer, my Saturday smile

Has our Autumn died?
Help me find you again

I think it's love
I think it's love
That gets us through
All our goodbyes
So when we die
Think of love
I'll think of love
And thoughts of you
To lay me down
I think it's love
That keeps us new

@

99,

Toda a gente me diz que quem espera sempre alcança. O que se esquecem de me dizer, é que quem espera, desespera. E o que sinto neste momento é que não há mais nada que possa fazer, a não ser esperar.
Tenho vivido no futuro, é verdade. Faço planos e mais planos, atrevo-me até a imaginar alguns cenários para tentar escolher o que me agrada mais de entre os vários que tenho à minha frente. Imagino cada um dos caminhos que posso tomar como uma foto. E cada uma dessas fotos está cheia de cores garridas e paisagens apaixonantes, porque gosto de pensar que a minha vida vai também ser colorida e apaixonante daqui para a frente. Sobretudo, porque confio que é nesse futuro que me tenho entretido a imaginar que está a minha felicidade.
Porque essa felicidade não está aqui - isso é uma certeza. Não está nesta cidade, e não está com estas pessoas. Está em Viana, está com os meus pais, com o resto da minha família e com os poucos amigos que tenho a certeza que me querem bem. Mas não está nesta cidade onde por mais sol que faça, os dias são sempre cinzentos. Não está no meio destas pessoas que, por mais que eu tenha estado lá para elas nos dias em que precisaram, decidiram que não tinham tempo a perder comigo quando me atrevi a ter problemas e a estar mal.
"Nós adoramos-te quando estás feliz, percebes?" Percebo. Eu também me adoro quando estou feliz. Porque adoro estar feliz. Mas isso não é amizade. Amizade é estar lá quando estou feliz, mas estar lá ainda mais quando estou triste, desesperada, sem amor à vida nem a mim mesma, quando me roubaram o mundo e me tiraram o chão de debaixo dos pés. Amizade é não deixar que outras pessoas se intrometam e acreditar nas histórias delas sem ouvir a versão daqueles a quem chamávamos amigos, daqueles com quem passávamos os nossos dias. Amizade não é deixar os amigos abandonados e sozinhos quando eles mais precisam.
E é por isso que espero, espero e volto a esperar, mais e mais, que o tempo me satisfaça e se apresse a passar. Cada noite, avanço uma página do livro com mais avidez, na esperança de conseguir fazer os ponteiros andar mais depressa, até ao dia em que me vão levar daqui para fora e de volta para quem amo e me ama a mim, de novo.

Noventa e nove.

@

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

100,

O primeiro dia já passou. Já só faltam mais noventa e nove. São mais quinze semanas de tortura até chegar o tão esperado dia de liberdade.
Felizmente há algumas coisas que não mudaram tanto como eu temia. Um abraço carinhoso mal cheguei provou-me que há pelo menos uma pessoa que, no meio de toda a confusão, ainda quer saber de mim. O mesmo aconteceu à tarde, quando voltei, com outras duas pessoas. Bom, já há pelo menos três pessoas que ainda querem saber de mim. E passei o dia a rir-me, divertida, e bem acompanhada, com outras duas pessoas, que não me fizeram sentir deslocada nem por um minuto. Afinal, há pelo menos cinco pessoas que ainda querem saber de mim.
Faltam quinze semanas. Faltam mais noventa e nove dias. E há cinco pessoas no meu curso que ainda querem saber de mim. Há cinco pessoas no meu curso pelas quais eu ainda nutro bastante carinho e com as quais espero poder contar durante os próximos noventa e nove dias.
E depois (não depois... antes! sempre antes!) há os meus pais, e os meus tios, e a S., e a C., e a I., e o P., que se preocuparam em me perguntar como foi o meu dia, se está tudo bem. Que me mandaram mensagens ou me telefonaram para me dar ânimo e para me lembrar que o tempo acaba por passar mais rápido do que se espera. Que me disseram que valho a pena, e que estão comigo a torcer por mim e a dar-me força, e que mesmo que eu não tenha mais ninguém, os vou ter sempre a eles. Que me disseram para ignorar quem não quer saber de mim, para entrar na faculdade todos os dias com a cabeça bem erguida e um sorriso na cara, para não me deixar nunca ir abaixo por causa de quem não merece. "Quem nasceu para lagartixa, nunca chega a jacaré", não é verdade?

Foi um dia agridoce. Ainda me vêm as lágrimas aos olhos com saudades de casa e dos meus pais. Ainda me custa pensar no semestre que me espera com uma atitude positiva. Mas vou ter de ser forte. Por mim, e por quem gosta de mim.

@
You can be amazing
You can turn a phrase into a weapon or a drug
You can be the outkast or be the backlash
Of somebody's lack of love
Or you can start speaking up

Nothing's gonna hurt you the way that words do
And they settle 'neath your skin
Kept on the inside, no sunlight
Sometimes a shadow wins
But I wonder what would happen if you

Say what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE
With what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE

I just wanna see you, I just wanna see you
I just wanna see you
I wanna see you be BRAVE

Everybody's been there
Everybody's been stared down by the enemy
Fallen for the fear and done some disappearing
Bowed down to the mighty, don't run
Stop holding your tongue

Maybe there's a way out of the cage where you live
Maybe one of these days you can let the light in
Show me how big your BRAVE is

Say what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE
With what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE

Innocence
Your history of silence won't do you any good
Did you think it would?
Let your words be anything but empty
Why don't you tell them the truth?

Say what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE
With what you want to say
And let the words fall out
Honestly, I want to see you be BRAVE

I just wanna see you, I just wanna see you
I just wanna see you
I wanna see you be BRAVE

@

domingo, 8 de setembro de 2013

101,

Porque são as duas pessoas mais importantes da minha vida. Porque este Verão me fez perceber, melhor do que nunca, o quanto preciso deles ao meu lado todos os dias. Porque o dia de hoje, em especial, me fez perceber o quanto ainda consigo ser uma menina pequenina. Porque não sei viver sem os abraços e os beijinhos deles, sem o carinho e o amor. Porque não sou capaz de estar longe e não telefonar todos os dias. Porque preciso deles mais do que alguma vez senti que precisasse na minha vida. Porque foram precisos vinte anos para perceber que não sou nada sem eles. Por tudo e mais alguma coisa, são os melhores pais do mundo. E eu já estou com o coração apertado e a morrer de saudades.

@

summer's gone.

Mais um Verão que chegou e passou. E este não foi, de longe, o melhor. Mas teve coisas óptimas.
Em primeiro lugar, Barcelona. A cidade dos meus sonhos. A minha casa longe de casa. E a vontade de voltar só se prolongou - de facto, acho que nunca me custou tanto voltar de umas férias, como daqueles dez dias no coração da Catalunha.
E depois... a minha família. Foi graças a eles que recuperei verdadeiramente do que me aconteceu uns meses antes de o Verão chegar. Foi graças a eles que me voltei a sentir amada e com algum valor. Foi graças a eles que percebi que a vida continua e que tenho muita gente a quem me agarrar, gente que essa sim, vale a pena.
Tomei grandes decisões este Verão. Parte delas, já está cumprida ou em vias de ser cumprida. E outras só daqui a um ano... mas lá chegarei.

Faltam noventa e seis dias para ser livre de novo. Até lá... sonharemos.

@

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

cansaço,

Não percebo. Não falaste comigo durante semanas a fio, a partir do momento em que arranjaste outra pessoa. E no início, nem me apercebi que seria provavelmente por esse motivo, por já haver outra pessoa, mas agora, olhando para trás e comparando datas, é óbvio que foi esse o motivo. E no início, doeu. Porque sabia que se as circunstâncias fossem diferentes virias falar comigo, interessar-te-ias por saber mais, e até comentarias certas coisas que se passaram na minha vida. Mas isso foi só no início.
Não sei ao certo como, mas habituei-me à tua ausência. Mais que isso, passei a ganhar forças com ela e viciei-me em fingir que não existias. Foi graças a isso - em inglês, diria que foi uma "coping strategy" - que consegui ultrapassar e tornar-me quase indiferente àquilo que és, e mais que isso, àquilo que foste.
Não sinto nada por ti. Não te quero de volta. E não gosto que me digas que "apesar de tudo, fui importante", porque tudo o que fazes, dizes e és, neste momento, prova o contrário. Eu não fui importante. Se o tivesse sido, não terias feito o que fizeste. Por isso, para quê enganarmo-nos?
Decidiste falar comigo às três da manhã, do nada. Decidiste falar comigo num tom de falsa preocupação, quase de "paizinho", porque tu és tão inteligente, sabes tanto, claro que tinhas de vir partilhar a tua sabedoria extrema comigo. Mas alguém te perguntou ou pediu alguma coisa? Não. Parece que escolhes os momentos em que eu me sinto melhor para me vir tentar desequilibrar.
Na semana passada disseste-me que um dia gostavas de voltar a falar comigo. E eu disse-te que sim. Pois bem... menti-te. E menti a mim mesma. Eu não quero voltar a falar contigo. Eu estou cansada de tudo o que te diz respeito. E cansada deste ano que perdi à tua custa.
Por isso não. Não voltes. Não fales comigo.
E finge que eu também não existo.

@

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

A cada dia que passa, torna-se mais óbvio que sinto menos, menos e menos aquilo que durante meses me preencheu quase por completo. De facto, acho que não estarei longe da verdade quando digo que já não estou apaixonada, nem nada que se pareça.
Se não sobrou carinho nem afeição, se não sobrou vontade de estar, falar ou sequer ver a pessoa, e se não sobrou qualquer saudade... isso não é amor. Portanto, o que quer que eu ainda sinta, é só uma pequena parte da cicatriz que felizmente se tem vindo a formar ao longo dos últimos tempos - aquela pequena (e cada vez mais pequena) parte que ainda não sarou completamente.
Mas se ele ainda não me é indiferente, é porque às vezes ainda dói relembrar tudo o que aconteceu. Mas não dói no coração. Dói no orgulho. E por mais que o tempo passe, sei que me vou sempre perguntar até que ponto tudo não passou de uma bela mentira, tendo em conta tudo o que aconteceu depois e tudo o que sei agora. Por mais que o tempo passe, sei que nunca vou ser capaz de olhar para trás e ver apenas o bom, porque na verdade o mau foi muito mais intenso... e é triste saber isso. É triste ver que não interessou o quanto amei, porque o que sofri foi tão imenso, que tem a capacidade de apagar os momentos cor de rosa.
Nem tudo é mau, no entanto. Sentir-me assim dá-me força... se ultrapassei isto, se saí mais forte no fim, sei que vou ter força para ultrapassar outros momentos maus que eventualmente estejam à minha frente. Se ultrapassei o pior momento dos meus dezanove anos e alguns meses de vida e se consegui fazê-lo maioritariamente graças à minha força de vontade - não pondo de parte os amigos, claro! -, então tenho pelo menos uma prova de que não sou tão fraca como cheguei a achar que era. E a minha auto-estima gosta de o saber.
Tudo o que quero no que toca a este assunto, neste momento, é conseguir parar de me revoltar quando descubro mais qualquer coisa que não sabia, ou quando oiço ou leio mais qualquer coisa que não gosto. Quero parar de sentir, seja o que for - raiva, revolta, mágoa... não quero sentir nada, nem que esses sentimentos sejam bons.
Só quero que tudo isto morra, e nunca mais renasça.

E sei que talvez por este texto não pareça muito, mas... eu estou bem. E feliz.
E só me interessa isso.

@

sábado, 17 de agosto de 2013

Esta foto tem pouco mais de seis anos, e o dia em que foi tirada é um daqueles que entram direitinhos no meu top de melhores dias alguma vez vividos. Assim como as pessoas com quem o passei, são pessoas das quais me vou recordar sempre, apesar de agora estarem longe, algumas tão longe que nem é possível voltar a imaginar um dia voltar a ter qualquer tipo de relação com elas.
Ainda assim, o tempo não cura tudo, e há saudades que não passam. Como as saudades daquele que foi o melhor amigo que alguma vez tive, e que infelizmente perdi. Há coisas que me hão-de revoltar para sempre, o quão injusta a vida é para algumas pessoas. Enfim.
Adoro-te, sempre.

Times of joy and times of sorrow
We will always see it through
Oh I don't care what comes tomorrow
We can face it all together
The way old friends do

(porque era assim que costumava ser)

@

sábado, 10 de agosto de 2013

(mais um) regresso ao passado,

Meu querido,
É a primeira vez em muito, muito tempo - um ano e meio, talvez! - em que senti necessidade de te escrever. E que estranho é saber que ainda sinto vontade de o fazer, depois de todo este tempo.
Durante quatro anos e meio, escrever sobre ti e para ti - quando me lias e quando nem sabias que eu escrevia - era tão natural para mim quanto respirar. Às vezes, quando as coisas estavam mesmo tristes e o mundo me pesava sobre os ombros, era mesmo mais fácil escrever-te do que respirar. As palavras saíam sempre com uma naturalidade que já nem me espantava - e Deus sabe como agora valorizo isso, porque já não acho tão fácil passar para um texto tudo aquilo que sinto. Mas são incontáveis os cadernos que enchi a falar de ti, e as folhas soltas que guardo numa gaveta, cartas que nunca leste. Eras o meu mundo.
E depois, num momento que nem eu própria consigo precisar, tomei a decisão mais difícil, aquela que durante anos a fio nunca tinha sido forte o suficiente para tomar: não me fazias bem e sabia que mais cedo ou mais tarde ia ficar completamente louca se continuasse a ouvir o meu coração e não a razão. E com muito esforço consegui afastar-me e... curar-me. Reabilitar-me.
De facto, "reabilitação" é a palavra mais certa. Durante quatro anos e meio, foste droga. Pura droga. Um vício incrível de que não me conseguia libertar nem que tivesse querido - e verdade seja dita, era algo masoquista e preferia continuar viciada do que deixar-te ir. E cada dia que passava sem nos vermos, sem nos falarmos, sem nos tocarmos, era a loucura completa. Um frenesim de lágrimas e recriminações, que guardava só para mim porque não era capaz de te exigir mais, e eu merecia mais. Mas tal e qual uma drogada, não conseguia ver isso e só encontrava repouso, e a tão desejada felicidade, quando tinha a minha heroína, a minha cocaína... tu.
Toda a gente me dizia que só me fazias mal e que tinha de me libertar. Todos os dias havia alguém que me perguntava como era capaz de aguentar aquela situação louca. Todos os dias havia alguém que me incitava a deixar de te querer, a esquecer-te e andar com a minha vida para a frente, sem nunca mais olhar para o passado. E todos os dias alguém se indignava comigo e me chamava casmurra por eu não o querer fazer. Porque muito pouca gente percebia a grandeza do que eu sentia por ti - na verdade, muitas vezes acho que nem tu próprio percebias o quanto eu gostava de ti. Mais do que de mim mesma. Eras mais importante para mim do que eu própria, e nada é pior do que esquecermos quem somos por causa de outra pessoa.
Devo ter tendência para me apaixonar por pessoas que acabam por me levar à loucura, não devo? Depois de ti houve várias pessoas, mas só uma teve verdadeira importância, comparável à tua. Porque, tal como tu, foi capaz de me endoidecer o suficiente para me fazer esquecer de mim mesma ao ponto de me apaixonar mais por ele do que por mim e, tal como tu, levou-me do paraíso ao inferno num estalar de dedos. Com a diferença que a ti, deixei que o fizesses durante muito tempo, porque quis lutar por nós. Com ele, nem tive essa oportunidade... e se a tivesse tido, provavelmente chegaria aqui hoje e diria que tinha sido tempo perdido. As coisas acontecem por uma razão, tenho a certeza disso, e não estávamos destinados. Nem eu e ele... nem tu e eu. Por muito que eu não o quisesse ver.
Mas neste momento não interessa, de todo, fazer qualquer tipo de comparações porque as duas histórias não podiam ser mais diferentes, tirando o seu final... mas não foi para fazer comparações que escrevi este texto. Na verdade, nem eu sei porque me apeteceu  pegar numa caneta e neste caderno esquecido há tanto tempo, e escrever(-te) sobre tudo e sobre nada, a ti, a quem foram escritos tantos, tantos outros textos destes.
Sabes, eu tenho um hábito que ainda não decidi se é benéfico ou prejudicial: esqueço-me com demasiada facilidade do mal que me fazem e da dor que os outros me provocam, por gostar demasiado deles. E tu és o epítemo desta minha mania. Porque se olhar de forma objectiva para nós dois e aqueles quatro anos e meio, o que devia sobressair, em teoria, eram os momentos maus, as lágrimas infinitas em que quase me afoguei tantas vezes. Mas não. Lembro-me com muito mais facilidade dos momentos bons que partilhámos, da felicidade estonteante que me preenchia e durava às vezes uns dias, outras apenas umas horas, mas que me dava força para continuar a lutar por aquilo que eu queria. Aquilo que eu mais queria... a única coisa que eu realmente queria.
Não sou capaz de perder muito tempo a pensar nas coisas más, porque me levam a um tempo e a uma pessoa que não gosto de pensar que era eu. E não sou capaz também porque no meio de tudo, surge-me sempre o teu sorriso enorme - e quantas vezes eu terei dito que era o sorriso mais bonito do mundo? - e os teus olhos de chocolate presos em mim, o teu habitual ar trocista, uma qualquer boca sempre pronta a ser lançada só para me arreliar.
E nada dói. Já nada dói, porque estou curada da doença que eras e não te dou poder para me magoares de novo. Já nada dói, e é por isso que consigo agora olhar para trás e só ver o teu lado bom - ainda que isso não seja propriamente correcto.
Mas às vezes ainda tenho saudades. Saudades tuas, e da tua parvoíce, das tuas mãos e da tua boca. Saudades minhas e da menina inocente que eu era contigo. Mas, sobretudo, saudades da maneira como me sentia quando estavas comigo. E saudades de sentir algo tão intenso, tão total, tão inalterado, tão essencial, tão completamente puro como era o amor que eu sentia por ti. Era loucura, êxtase, sofrimento e paixão em estado natural, genuíno... uma mistura explosiva de coisas que nunca tinha experimentado antes, e que por isso se incendiava com tanta facilidade, para o bem e para o mal. Era tudo. Eras tudo.
Foste o meu primeiro amor, e o primeiro em tantas outras coisas. Tiraste de mim tudo o que havia para tirar, queimaste tudo tal e qual um incêndio assustador, e quando acabou fiquei feita só de cinzas. Sem saber como renascer, como voltar à vida, sabendo que não ias estar presente ou eu teria de morrer por ti outra vez.
Ainda hoje não sei como, mas acabei por ser capaz de te ultrapassar - não gosto de dizer esquecer, porque nunca o hei-de fazer por mais que viva. E a verdade é que grande parte daquilo que sou hoje se deve ao que tivemos e ao que eu senti por ti, e à maneira como tudo aconteceu. As coisas boas, sim, mas sobretudo as coisas más, os traumas e os medos... tudo, tudo tem a tua marca por todo o lado.
E com isto chega ao fim a minha recém-descoberta necessidade de (te) escrever. Há três anos também te escrevi uma longa carta, lembras-te? E por mais incrível que pareça para mim, que me lembro sempre de tudo - como tu bem sabes - não sou capaz de me lembrar das palavras que despejei para essa carta. Mas quaisquer que elas tenham sido, foram as certas: foi graças a elas que voltámos a falar depois de uns meses bem difíceis, e foi graças a ela que aquilo a que eu chamo a "segunda parte" da nossa história se escreveu. Hei-de me lembrar sempre dela como um acto de coragem que resultou ainda melhor do que eu pretendia - porque eu só me queria libertar do peso das palavras nos meus ombros, e acabei por ganhar muito mais.
E depois de tudo, espero que percebas porque é que por vezes me sinto tão reticente em deixar-te aproximar. Porque não me esqueço de nada, e tenho medo de que de alguma maneira sejas capaz de voltar a quebrar as barreiras que eu tão cuidadosamente construí e que me voltes a afectar. E por mais que às vezes eu me sinta tentada a deixar que isso aconteça, só para ver como seriam as coisas agora, não tenho a certeza que me fizesse bem e não mal, como antes. Ainda assim, não tenho um único arrependimento naquilo que te diz respeito, nem um único.
Assim termina este momento de loucura - é só mais um, e tão pouco comparado com outros pelos quais passei! Porque por ti, antigamente, era capaz de ir ao fim do mundo e voltar e fazer qualquer coisas. Este texto, comparado com isso, não é nada.
Para o bem ou para o mal, nunca me esqueço de nós, todos os dias estamos presentes num qualquer cantinho da minha mente. E continua a ser mais que natural escrever para ti.
O fim, já tu o sabes...

« you're so fuckin' special,
I wish I was special... »

10 de Agosto de 2013, 05:13

@

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Não sei se a culpa é minha. Se sou eu que não sei escolher. Ou se me deixo levar demasiado facilmente. Ou se sou apenas demasiado ingénua e acredito demasiado facilmente em tudo o que me dizem. A verdade é que acabo sempre por cair em asneira - e em asneiras tão parecidas... - na hora de me entregar a alguém.
Achei, sinceramente, que tinha finalmente encontrado alguém especial. Especial, porque era totalmente diferente de todas as pessoas que eu conhecia. Como toda a gente, tinha os seus defeitos, mas as qualidades eram tantas e tão superiores que era como estar no céu. Mais que isso, era como se encaixássemos perfeitamente um no outro em todos os sentidos, e como se estivéssemos estado só à espera de nos encontrarmos um ao outro para tudo o resto nas nossas vidas se acertar.
Mas adivinhem? Estava errada. Pela segunda vez na minha vida, estava completamente errada, e mais errada do que alguma vez tinha estado antes.
Porque antes, se errei foi porque não quis ver. Estava tudo preto no branco à minha frente, eu é que preferi deixar-me ir e enganar-me a mim mesma durante vários anos, a achar que as coisas iam mudar e iam, de facto, ser mais do que aquilo que eram. Nunca foram, por muito que agora até a própria pessoa me diga que se arrepende de não ter dado mais valor a tudo o que (não) aconteceu, a verdade é que algumas das coisas pelas quis passei, só tenho culpas a atribuir a mim mesma.
Mas desta vez? Desta vez não. Desta vez, não sinto que tenha cometido erros. E se cometi algum, não foi de maneira nenhuma suficiente para justificar toda a dor pela qual tive de passar depois. Todas as lágrimas, todo o desespero, todas as noites sem dormir e os dias que ficaram por viver. As pessoas de quem me afastei. Não fiz nada que justificasse merecer isso tudo. E por muito que o sentimento pudesse ter mudado, o que eu merecia era honestidade.
Cada vez mais chego à conclusão que as pessoas que dizem reger-se por morais rígidas, que dizem ser muito correctas, muito honestas e directas... não o são. Essas morais não são aplicadas a eles mesmos, mas aos outros, quando os criticam e julgam. Só são correctas quando lhes é conveniente. E só são honestas quando querem e não têm nada a perder com isso. No fundo, tudo se resume ao egoísmo, puro e duro. E eu não soube ver isso, porque foi demasiado bem escondido, não só pela própria pessoa, mas pelo meu coração a transbordar de coisas boas e que queria ver tudo cor-de-rosa.
E agora chego ao fim de tudo e nem sei como olhar para trás. Não me consigo lembrar dos dias bons porque os maus foram muito mais intensos. Não me consigo lembrar das qualidades porque me magoou tanto, que já só sei ver os defeitos. E não consigo, por mais que queira, reconhecer a pessoa por quem me apaixonei, porque ela parece ter mudado completamente, e já não é de agora.
Mas agora, que chego ao fim de tudo, apercebo-me de que é melhor assim. No final de contas, eu não quero olhar para trás, mas para a frente. Não quero recordar-me de qualidades nem de defeitos, porque a pessoa não era única e especial, eu é que a quis ver assim. E não quero reconhecer a pessoa por quem me apaixonei. Quero simplesmente esquecer que alguma vez a conheci.
É o mais fácil e eficaz para mim. E não vou voltar a dar nem um bocadinho de mim a quem já não me merece, nem a nada do que eu possa ter para oferecer.

we might as well be strangers in another town
we might as well be living in another time
we might as well, we might as well
we might as well be strangers, be strangers...

E é assim que digo adeus.

@

domingo, 28 de julho de 2013

Eis que me propõem um desafio inesperado: pegar numa cena já escrita de uma peça de teatro em construção, e a partir dela, escrever outra sobre um tema muito mais profundo e sobre o qual, infelizmente, sei mais do que o que gostava de saber. Namoros e desilusões, daquelas que não sabemos como ultrapassar e sobre as quais podem passar meses e meses, mas que nunca se hão-de esquecer.
Aceito de imediato. Porque durante os próximos meses, se tudo correr bem, esta peça vai fazer parte da minha vida de qualquer maneira, por isso, porque não participar nela ainda mais activamente do que já pretendia? Se vou voltar ao tão adorada grupo de teatro que deixei há cerca de um ano e meio, então volto em força.
Mas é assustador, aterrador mesmo. Porque desta vez, vou escrever algo que não vai ficar só para mim. Vou transpôr parte de mim para as palavras que vou escrever, e não vou poder guardá-las para mim mesma, nem colocá-las num blog cujos leitores eu desconheço. Vão ser apresentadas, avaliadas e julgadas por um grupo de pessoas que ainda por cima me conhece - porque é que é sempre tão mais difícil mostrar o nosso trabalho a quem nos conhece? E se elas não gostarem? E se eu não for capaz? E se...? E se...?
Está na hora de crescer. E este é mais um passo na direcção que quero tomar um dia mais tarde.

@

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Podia escrever muito, hoje. Porque tive duas desilusões daquelas grandes, com pessoas que em tempos me eram mais do que próximas. Mas não vou. Porque já nenhuma delas merece que eu escreva sobre cada um desses assuntos.
Prefiro antes focar-me na minha noite, que vai ser de regresso a sítios e pessoas que já não vejo há muito tempo e que em tempos representavam um verdadeiro escape da minha vida real, às sextas feiras à noite.
E prefiro focar-me em ser superior, sempre, e acreditar que dê por onde der, eu vou ficar bem. Porque não me vou deixar ir abaixo assim tão facilmente.

@

quinta-feira, 25 de julho de 2013

reminiscências...

Ontem à noite deu-me uma súbita vontade de voltar ao passado, e como tal fui ler textos antigos meus escritos num caderno que andava sempre comigo - quase um diário... - e que me levaram direitinha ao verão de 2007, onde tudo começou. Na verdade, em retrospectiva, acho que posso mesmo dizer que aquele verão de há seis anos atrás é o primeiro momento para o qual posso apontar e dizer "Foi aqui que a minha vida mudou".
Já não me ponho muitas vezes a pensar nos últimos seis anos, nem naqueles quatro anos e meio em específico, mas a verdade é que ontem me senti a viajar no tempo e acabei por passar o dia todo de hoje a mergulhar, de vez em quando, em recordações, melhores ou piores. E percebi que ainda não sei fazer um balanço final, nem considerar se esses anos foram óptimos ou péssimos, bons ou maus, porque tive de tudo. Como um filme muito, muito longo e complexo, passei por muito... só não tive um final feliz.
Mas não esqueço. E não quero esquecer. E por isso vou fazer minhas as palavras do Miguel Esteves Cardoso naquele texto tão belo - e tão certeiro, sei-o agora, que é "O Primeiro Amor".

« É fácil saber se um amor é o primeiro amor ou não. Se se admite que possa ser o primeiro, é porque não é, o primeiro amor só pode parecer o último amor. É o único amor, o máximo amor, o irrepetível e incrível e antes morrer que ter outro amor. Não há outro amor. O primeiro amor ocupa o amor todo.
Nunca se percebe bem por que razão começa. Mas começa. E acaba sempre mal só porque acaba. Todos os dias parece estar mesmo a começar porque as coisas vão bem, e o coração anda alto. E todos os dias parece que vai acabar porque as coisas vão mal e o coração anda em baixo.
O primeiro amor dá demasiadas alegrias, mais do que a alma foi concebida para suportar. É por isso que a alegria dói - porque parece que vai acabar de repente. E o primeiro amor dói sempre de mais, sempre muito mais do que aguenta e encaixa o peito humano, porque a todo o momento se sente que acabou de acabar de repente. O primeiro amor não deixa de parte um único bocadinho de nós. Nenhuma inteligência ou atenção se consegue guardar para observá-lo. Fica tudo ocupado. O primeiro amor ocupa tudo. É inobservável. É difícil sequer reflectir sobre ele. O primeiro amor leva tudo e não deixa nada.
Diz-se que não há amor como o primeiro e é verdade. Há amores maiores, amores melhores, amores mais bem pensados e apaixonadamente vividos. Há amores mais duradouros. Quase todos. Mas não há amor como o primeiro. É o único que estraga o coração e o deixa estragado.
É como a criança que põe os dedos dentro de uma tomada eléctrica. É esse o choque, a surpresa "Meu Deus! Como pode ser!" do primeiro amor. Os outros amores poderão ser mais úteis, até mais bonitos, mas são como ligar electrodomésticos à corrente. Este amor mói-nos o juízo como a Moulinex mói café. Aquele amor deixa-nos cozidos por dentro e com suores frios por fora, tal e qual num micro-ondas. Mas o "Zing!" inicial, o tremor perigoso que se nos enfia por baixo das unhas e dá quatro mil voltas ao corpo, naquele micro-segundo de electricidade que nos calhou, só acontece no primeiro amor.
O primeiro beijo é sempre uma confusão. Está tudo a andar à volta e não se consegue parar. A outra pessoa assalta-nos e deixa-nos tontos, isto apesar de ser tão tímida e inepta como nós. E os nomes dos nossos primeiros amores? Os nomes doem. Parecem minúsculos milagres. Cada vez que se pronunciam, rebenta um pequeno terramoto no equador. E as mãos? Quando a mão entra na de quem se ama e se sente aquele exagero de volts e de pele, a única resposta sensata é o assassínio, o exílio, o suicídio. Nada fica de fora. O mundo é uma conspiração cinzenta de amores em segunda mão. Nada é puro fora daquelas mãos. O tesouro está a arder, as pessoas a morrer, os olhos cheios de luz estão a cegar, mas o primeiro amor é também, e sem dúvida, o primeiro amor do mundo.
O primeiro amor é aquele que não se limita a esgotar a disposição sentimental para os amores seguintes: quer esgotá-la. Depois dele, ou depois dela, os olhos e os braços e os lábios deixam de ter qualquer utilidade ou interesse. As outras pessoas - por muito bonitas e fascinantes que sejam - metem-nos nojo. Só no primeiro amor.
Não há amor como o primeiro. Mais tarde, quando se deixa de crescer, há o equivalente adulto ao primeiro amor - é o primeiro casamento; mas não é igual. O primeiro amor é uma chapada, um sacudir das raízes adormecidas dos cabelos, uma voragem que nos come as entranhas e não nos explica. Electrifica-nos a capacidade de poder amar. Ardem-nos as órbitas dos olhos, do impensável calor de poder-mos ser amados. Atiramo-nos ao nosso primeiro amor sem pensar onde vamos cair ou de onde saltamos. Saltamos e caímos. Enchemos o peito de ar, seguramos as narinas com os dedos a fazer de mola de roupa, juramos fazer três ou quatro mortais de costas, e estatelamo-nos na água ou no chão, como patos disparados de um obus, com penas a esvoaçar por toda a parte.
Há amores melhores, mas são amores cansados, amores que já levaram na cabeça, amores que sabem dizer «Alto-e-pára-o-baile», amores que já dão o desconto, amores que já têm medo de se magoarem, amores democráticos, que se discutem e debatem. E todos os amores dão maior prazer que o primeiro. O primeiro amor está para além das categorias normais da dor e do prazer. Não faz sentido sequer. Não tem nada a ver com a vida. Pertence a um mundo que só tem duas cores - o preto-preto feito de todos os tons pretos do planeta e o branco-branco feito de todas as cores do arco-íris, todas a correr umas para as outras.
Podem ficar com a ternura dos 40 e com a loucura dos 30 e com a frescura dos 20 - não outro amor como o doentio, fechado-no-quarto, o amor do armário, com uma nesga de porta que dá para o Paraíso, o amor delirante de ter sempre a boca cheia de coração e não conseguir dizer outra coisa com coisa, nem falar, nem pedir para sair (…). Podem ficar (e que remédio têm) com o savoir-faire e os fait-divers e o «quero com vista pró mar se ainda houver». Não há paz de alma, nem soalheira pachorra de cafunés com champagne, que valha a guerra do primeiro amor, a única em que toda a gente morre e ninguém fica para contar como foi.
Não há regras para gerir o primeiro amor. Se fosse possível ser gerido, ser previsto, ser agendado, ser cuidado, não seria primeiro. A única regra é: Não pensar, não resistir, não duvidar. Como acontece em todas as tragédias, o primeiro amor sofre-se principalmente por não continuar. Anos mais tarde, ainda se sonha retomá-lo, reconquistá-lo, acrescentar um último capítulo mais feliz ou mais arrumado. Mas não pode ser. O primeiro amor é o único milagre da nossa vida - e não há milagres em segunda mão. É tão separado do resto como se fosse uma primeira vida. Depois do primeiro amor, morre-se. Quando se renasce há uma ressaca. É um misto de «Livra! Ainda bem que já acabou!» e de «Mas o que é isto? Para onde é que foi?».
Os outros amores são maiores, são mais verdadeiros, respeitam mais as personalidades, são mais construtivos - são tudo aquilo que se quiser. Mas formam um conjunto entre eles. O segundo e o terceiro e o quarto, por muito diferentes, são mais parecidos. São amores que se conhecem uns aos outros, bebem copos juntos, telefonam-se, combinam ir à Baixa comprar cortinados. O primeiro amor não forma conjunto nenhum. Nem sequer entre os dois amantes - os primeiros, primeiríssimos amantes. Acabam tão separados os dois como o primeiro amor acaba separado dos demais. O amor foi a única coisa que os prendeu e o amor, como toda a gente sabe, não chega para quase nada. É preciso respeito e bláblá, compreensão mútua e muito bláblá, e até uma certa amizade bláblá. Para se fazer uma vida a dois que seja recompensadora e sobretudo bláblá, o amor não chega. Não se vive só dele. Não se come. Não se deixa mobilar. Bláblá e enfim.
Mas é por ser insustentável e irrepetível que o primeiro amor não se esquece. Parece impossível porque foi. Não deu nada do que se quis. Não levou a parte nenhuma. O primeiro amor deveria ser o primeiro e esquecer-se, mas toda a gente sabe, durante o primeiro amor ou depois, que é sempre o último.
Afinal nem é por ser primeiro, nem é por ser amor. A força do primeiro amor vem de queimar - do incêndio incontrolável - todas aquelas ilusões e esperanças, saudades pequenas e sentimentos, que nascem em nós com uma força exagerada e excessiva. Como se queima um campo para crescer plantas nele. Se fôssemos para todos os outros amores com o coração semelhantemente alucinado e confuso, nunca mais seríamos felizes. É essa a tristeza do primeiro amor. Prepara-nos para sermos felizes, limando arestas, queimando energias, esgotando inusitadas pulsões, tornando-nos mais «inteligentes».
É por isso que o primeiro amor fica com a metade mais selvagem e inocente de nós. Seguimos caminho, para outros amores, mais suaves e civilizados, menos exigentes e mais compreensivos. Será por isso que o primeiro amor nunca é o único? Que lindo seria se fosse mesmo. Só para que não houvesse outro. »

E como também disse o caro MEC... o amor é fodido.

@
Já passaram quase três meses. O primeiro foi horrível - não tenho palavras para descrever o quão horrível foi o mês de Maio porque nunca passei por nada assim em toda a minha vida - e o segundo foi passado por entre baixos e altos (nesta ordem, porque felizmente as coisas começaram a melhorar), com momentos de recaída que são naturais, suponho, mas muito indesejados. No entanto, consigo agora olhar para trás e julgar algumas coisas sem a película cor-de-rosa que o amor impõe a tudo, e consigo até pôr em causa o que sinto. Mas sei que não é indiferença - infelizmente, ainda não é indiferença.
Mas depois de tudo o que passei, e todas as atitudes que se seguiram que demonstraram - não digo carinho, porque disso duvido, assim como hei-de duvidar sempre daquilo que realmente existiu ou não, mas que demonstraram algum interesse e/ou preocupação... depois disso tudo, não esperava um "Tenho de deixar de partir corações".
Posso até estar a interpretar mal as palavras, mas o que havia para ler, eu li. E demonstrou - ou pelo menos assim o senti - algo que cá dentro se assemelhou muito a falta de respeito. Porque eu não tive culpa de me apaixonar e de perder a pessoa que mais me importava neste mundo. E não tive culpa do que me aconteceu, muito menos da maneira como o que aconteceu, aconteceu. Durante muitas semanas, culpei-me e procurei respostas para perguntas que hão-de ficar eternamente a pairar no ar e na minha cabeça. Mas agora não. Agora, a minha consciência está tranquila, porque agora consigo olhar as coisas de frente e perceber que as pessoas não mudam, as pessoas enganam.
"Tenho de deixar de partir corações" demonstra uma frieza, uma quase crueldade. Provavelmente não foi essa a intenção - quero acreditar que não - mas a verdade é que cá dentro, foi mais uma facada direitinha ao coração. Como se o facto de partir corações fosse uma coisa leviana, tão simples e fácil de fazer e de ultrapassar.
Pois bem. Para mim nada disto foi leviano, simples, ou fácil - e nunca vai ser. Porque esse coração que se partiu foi o meu, e a dor foi minha, e carreguei-a sozinha e continuo a ser acometida pelo seu fantasma mais vezes do que queria.
Por isso sim, "tens de deixar de partir corações". Só queria que te tivesses lembrado disso antes de partires o meu.

a new notch in your belt is all I'll ever be.

@

segunda-feira, 22 de julho de 2013

É sempre arriscado dizer isto, porque a vida - a minha, sobretudo - adora ironias e adora trocar-me as voltas e tirar-me o tapete de debaixo dos pés quando mais preciso de os ter bem assentes... mas hoje sinto que posso - mais que isso, sinto que quero! - dizer que há meses que não me sentia tão bem.
Para ser precisa, há exactamente dois meses e vinte e um dias - aquele dia 1 de Maio em que a minha vida desabou completamente - que não me conseguia sentir assim. Calma, em paz comigo mesma e sobretudo muito, muito mais livre de um peso que me andava a atormentar demasiado e há demasiado tempo.
Aprecio, mais do que as palavras podem dizer, estar apaixonada. Mas por vezes o amor torna-se um peso insustentável dentro do coração e por mais que custe, é preciso pô-lo de parte e encontrar algo diferente em que nos focar. E é o que estou a fazer.
E sabe muito bem.

@

quinta-feira, 18 de julho de 2013

aaand I'm back.

Tenho saudades de escrever. Ao longo dos meses que passaram, fui-me desabituando aos poucos e poucos de despejar tudo o que sentia para os meus eternos cadernos que andavam sempre comigo, e acabei por praticamente esquecer a existência deste blog.
Mas ultimamente, não só por tudo o que me tem enchido a vida e os pensamentos - e infelizmente a grande maioria não tem sido boa, antes pelo contrário... - tenho tido muita vontade de voltar a escrever. Afinal de contas, sempre foi um escape e não sei dizer ao certo quando ou por que motivo parei, por isso, por que não recomeçar? E mais que isso, por que não voltar a um sítio que, com altos e baixos como tudo na vida, sempre me foi querido?
Pois bem... estou de volta. Talvez não tanto como antigamente, mas sempre que me apetecer ou achar que preciso. Mas confesso que o medo aperta o coração... será que ainda "sei" escrever? Será que depois de tantas facadas nas costas, ainda sou capaz de expôr os meus sentimentos livremente e partilhá-los com quem quer que me venha aqui ler?
Não sei. Honestamente, não sei quanto de mim vou ser capaz de voltar a dar a este sítio, a este blog tão cheio de memórias que nunca fui capaz de apagar porque, por mais que possa ter sofrido, guardo-as todas bem pertinho do coração, e inclusivamente uso algumas delas para me darem força nas noites que custam mais a passar. "Nunca voltes ao lugar onde foste feliz", diz-me o Rui Veloso. Mas eu vou tentar.
Porque neste momento, não tenho nada a perder. E preciso de voltar a algo que era só meu.

@

quarta-feira, 17 de julho de 2013

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

acabei de ter o melhor dia de sempre.
de sempre.

@

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

não sei dizer as saudades que tinha deles!
e hoje tive um dos melhores dias de sempre, por isso muito obrigada :)

se há pessoas que quero manter para sempre, eles fazem parte delas.

@

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Acho que nunca encontrei ninguém que me fizesse sentir tão bem. Ou que me fizesse sorrir tanto, durante tanto tempo. Ou que fosse tão interessante, por dentro e por fora, em todas as maneiras possíveis e imaginárias. Acho que nunca encontrei ninguém assim. E cada dia que passa, sinto-me um bocadinho mais sortuda.

@

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

depois do dia que tive hoje, neste momento sou sem dúvida a pessoa mais feliz do mundo :)

@