O meu livro de Psicologia diz que o amor é "uma emoção caracterizada por uma intensa absorção, à qual se associa uma forte excitação fisiológica e um desejo constante de estar na presença do parceiro". Diz ainda que é "o caso de intimidade por excelência" e que "exige não só afeição e respeito, mas também vinculação, apego ao outro, preocupação e responsabilização por ele". Provavelmente até é verdade. Mas para mim não chega.
Faz-me alguma confusão ler definições do amor porque (e sim, agora vou ser cliché), para mim não é algo que se defina: sente-se.
O amor não é, não pode ser, só uma "intensa excitação fisiológica". É uma excitação constante, mas não é só fisiológica... é total. Não é só o corpo que se altera, é a mente, o coração; não são só as fibras e as células e os neurónios... é tudo. Tudo se altera, tudo se ilumina, tudo se transtorna, tudo gira à volta de quem se ama.
E também não é só o "desejo constante de estar com o outro"; está-se sempre com o outro, mesmo que ele não esteja connosco - e aqui, sei bem do que falo, acreditem-me. Porque ele preenche tudo o que nós somos, cada pensamento, cada batimento do coração, a cada segundo que passa.
Mas, para além de todas as definições científicas, o amor é não deixar, nunca, de querer a pessoa, de todas as maneiras possíveis e imaginárias. É vê-la e sentir a pulsação a acelerar de imediato e as famosas "borboletas na barriga", mesmo que os anos passem e já se tenha visto a pessoa centenas de vezes antes. É estar com ela todos os dias e nunca se cansar, porque todos os dias se descobrem coisas novas, e todos os dias se quer conhecer mais e mais. É beijá-la e abraçá-la, ou simplesmente tocar-lhe, e sentir que chegámos a casa, e estamos no sítio certo, o sítio preferido, o melhor sítio do mundo. É vê-la sorrir e sentirmo-nos iluminar por dentro. É sentir o seu coração nas nossas mãos e saber que é por aquele ritmo que todo o nosso mundo se acerta. É vê-la feliz e estar feliz por ela, porque sabemos que contribuimos para essa felicidade. É estarmos completamente seguros do que sentimos e sabermos que não podemos sentir nada melhor, nada mais bonito, nada mais completo, nada mais perfeito. É saber que sentimos algo que vai fazer de nós pessoas melhores, e que nos vai ensinar a viver de outra maneira, com todo um outro mundo de emoções e vivências para explorar. É... magia. Pura magia.
E eu podia continuar a encontrar pequenas definições, e todas estariam certas, mas nenhuma seria suficiente, e nenhuma chegaria, sequer, perto do cerne da questão.
Porque o amor é tudo. E tudo, tal como eu já disse, não se define nem se descreve. Sente-se.
E, acreditem, quando é verdade, sente-se. Sente-se sempre. E nunca se deixa de sentir.
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