quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Nunca pensei, quando alinhei no projecto de ajudar as crianças do Berço ao longo deste ano lectivo, que viesse a passar por uma experiência como a que passei esta tarde. Nunca poderia, sequer, imaginar, que iria ser assim.
Confesso que não sou muito dada a crianças, porque a paciência que vou tendo é facilmente esgotável, mas hoje nem eu fui capaz de resistir. Hoje enchi-me de amor por crianças que nunca tinha visto na minha vida, enchi-me de amor e de paciência e de carinho e dei-lhes tudo o que pude dar, porque se há alguém que precisa disto, são eles.
Não vou utilizar os clichés que toda a gente usa, do género, "é nestes momentos que percebo que tenho de deixar de me lamentar e passar a estar agradecida por ter tanto, enquanto outras pessoas têm muito pouco"; não concordo totalmente com isso e acho muito mais importante dizer o quão feliz me senti, ao ver os olhos daquelas crianças quando lhes oferecemos as prendas. O quão feliz me senti por termos participado nesta ideia, por termos podido ajudar, por pouco que tenha sido.
Estou a tentar organizar a minha mente e pôr tudo em palavras, mas (ainda) não sou capaz. Não sou capaz de dizer o quanto gostei de estar com um anjinho de cinco meses, a Dânia, ao colo durante tanto tempo. Nem o quanto fiquei revoltada por saber que o Tiago, uma criança de cinco anos - cinco anos! - teve de ser retirada aos pais porque lhe batiam, e à conta disso é imensamente dependente e não é capaz de se abrir a ninguém que não conheça há algum tempo. Nem o quanto me senti bem por ter perguntado ao João Pedro de que é que ele precisava e ele me ter abraçado imediatamente, porque só queria mesmo aquilo: um abraço. Nem o quanto apreciei sentir a confiança imediata que todos os pequeninos (o Pedro, o André, o Cláudio...) depositaram desde logo em mim - em nós - e que estavam realmente felizes por estarmos a dar-lhes a atenção de que tanto precisam e merecem.
Fez-lhes (muito) bem a eles, fez (muito) bem a cada um de nós e fez (muito) bem a nós todos, que ficámos verdadeiramente "unidos por uma causa" e unidos como, se calhar, nunca fomos, enquanto turma.
E basicamente estou demasiado encantada/emocionada com isto tudo para conseguir dizer mais alguma coisa, não há palavras para descrever como me senti e ainda sinto. Por isso, só fica aqui a promessa: sozinha ou acompanhada, é para repetir o mais rápido possível.

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