quarta-feira, 21 de julho de 2010

("querida") N ,

Segundas oportunidades eu dou, oh se dou. Há erros que se cometem e se podem corrigir, há arrependimentos que até são verdadeiros e merecem recompensa. E eu também erro e dão-me segundas oportunidades, porque é que não haveria de retribuir e dá-las também?
E terceiras oportunidades? É raríssimo, mas muito de vez em quando, também já aconteceu.
Agora quartas, quintas, infinitas oportunidades, mais do que as que posso contar? Não. Se há coisa que odeio é que me mintam e que finjam ser o que não são para ganhar a minha confiança. Mas a falta de confiança é todo um outro capítulo que nem vou abordar. O que interessa aqui são as mentiras.
Outra vez? Depois de tudo, de tantos meses sem falar, depois de tanta distância e confusão, mais mentiras? E achaste sinceramente que eu não ia descobrir? Não sou burra. Às vezes posso fingir que não percebo as mentiras porque é mais fácil do que estar a chatear-me, mas eu percebo-as, e conheço-te, e tu conheces-me mais ou menos, e sabes o que acontece agora.
Estou farta de ser boazinha e de fingir que compreendo coisas que nunca na vida vou ser capaz de entender, como essa tua obsessão compulsiva pelas mentiras. Uma vez mais estragaste tudo, e desta vez não há retorno. Para mim chega, foi desta. Ficamos por aqui.

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