domingo, 13 de dezembro de 2009

changes ,

Na Natureza (...) nada se perde, tudo se transforma.
Lavoisier



Apercebo-me todos os dias de que já nada é imutável... apercebo-me e, mais do que isso, compreendo e aceito que assim seja. E sinto necessidade de escrevê-lo, porque é uma grande mudança para mim. Até há uns meses daria muita coisa para que a minha vida continuasse sempre igual, para que as pessoas não desaparecessem, não mudassem, não evoluíssem e com essa evolução, se perdessem de mim. Mas agora já não penso assim. Agora sinto que a mudança é um bem necessário, e que por vezes até a mudança para pior tem o seu lado positivo. Ou então isto são só devaneios de alguém que hoje decidiu acordar para o mundo da introspecção e se sente muito inclinada para reflectir...
Seja como for, foi ao ler uma frase que comecei a pensar nisto, uma frase simples e com a qual não concordaria nada até há bem pouco tempo: Não há segredos inconfessáveis nem perdões impossíveis. É mesmo verdade... tão verdade que, ao olhar para trás, encontro momentos em que transformei bocadinhos do meu coração em palavras, e soprei-as ao ouvido de pessoas que estavam lá na hora certa. Palavras que nunca pensei vir a pronunciar, segredos que guardava no fundo da alma mas que acabaram por soltar-se de mim. Isto era coisa que não faria dantes, quando pensava ao pormenor as palavras que dizia, antes de as dizer. Mas sabe tão bem ser espontânea...
E quanto aos perdões? Só houve uma única pessoa que precisei de perdoar. As outras, perdoei-as porque quis, porque o que quer que elas me tinham feito, não valia uma zanga. Mas ele... a ele perdoei-o sem ele sequer me pedir desculpa. Eu sei que lá no fundo ele se sentiu culpado pelo que fez, apesar de não o admitir abertamente. Eu li nos olhos dele e senti as mãos dele a tremer enquanto escrevia palavras para me atacar. Eu sabia que ele não me queria magoar, estava apenas a vingar-se. Tal como eu me tinha vingado antes do seu golpe traiçoeiro. Ele nunca me pediu desculpa, apesar de ambos sabermos que a culpa era dele e apenas dele. Mas mesmo que nunca se tivesse desculpado, eu perdoei-o. Não porque ele pedisse ou quisesse, mas porque eu percebi que só o conseguiria ultrapassar se o perdoasse. Se continuasse a guardar-lhe rancor ou raiva, ele permaneceria no meu coração. Por isso, perdoei-o e despedi-me dele, em paz. Ele abraçou-me e nesse momento o meu coração regressou ao meu peito, libertando-se dele.
Tudo isto para exemplificar o quanto as pessoas mudam. E o quanto eu aprecio mudanças. Pelo menos hoje... hoje gosto delas.

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