domingo, 6 de outubro de 2013

73,

Ainda agora regressei e como habitualmente, a vontade era nula. Não me apetece ter aulas, nem ver pessoas, nem lidar com as eventuais intrigas que possam aparecer. Não me apetece deixar-me ir abaixo por causa de pessoas que não me merecem.
Mas esta semana, pelo menos, tenho alguma coisa a que me agarrar. Nos momentos em que me sentir menos bem, tenho um bocadinho de felicidade para me sustentar enquanto os dias passarem. Tenho um sorriso gravado na cabeça. Tenho um par de olhos brilhantes gravados na cabeça. Tenho muita coisa gravada na cabeça. E tenho um calorzinho, uma luzinha especial no coração.

Setenta e três.

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sábado, 5 de outubro de 2013

( Remember BCN - 05.07.2013 )

Park Güell - Casa Museu Gaudí

Park Güell - Portico

Park Güell - Escala del Drac
Park Güell - Escala del Drac
Park Güell
Park Güell - Teatre Grec
Park Güell - Sala Hipòstila
Park Güell - Jardins de Austria
Passeig de Gràcia - Casa Milà/La Pedrera
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( Remember BCN - 04.07.2013 )

Camp Nou
Camp Nou
Camp Nou
Geri
Passeio de barco - Marina Port Vell
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74,

Acho que hoje terei dito umas cinquenta vezes, Olha que não quero chegar tarde! Nunca fui muito boa a disfarçar, quando há algo que me está a deixar ansiosa de alguma maneira. Ninguém percebeu porquê tanta vontade de ir para um ensaio... nem quando estava a dias de estrear uma peça a vontade era tanta, a ânsia tão grande.
Cheguei, sentei-me, conversei como sempre com os amigos de sempre. As mãos, apertadas uma contra a outra, a disfarçar os tremeliques de nervosismo. A cabeça, noutro sítio qualquer. Onde está, onde está, onde está. As borboletas esvoaçavam no estômago num frenesim de loucura.
Bem, vamos começar. Quem se atrasou vem cá ter. Desci as escadas, mudei de roupa, entretanto conversei sobre o presente e o futuro tão distante e tão indistinto. Encostei-me à parede. E ouvi passos. É agora. Boa noite a todos!
Não sabia o que fazer. Estava estranho e distante. Nem um sorriso. Ai... não... E depois, não me consigo lembrar do que foi dito. Sei que alguém fez um comentário e eu mandei uma boca. E de repente fui puxada para um abraço repentino e tão inesperado quanto bom. Bom? Óptimo.
Vamos circular! Vamos, então. E olhar para todos os lados com medo de, sequer, cruzar olhares. Agora vamos aperceber-nos das pessoas que estão à nossa volta... Vamos, então. E olhar a medo, com medo do que se ia descobrir no outro olhar. Agora vamos cumprimentar quem passa por nós. Vamos, então. E olhar a medo, e receber o primeiro sorriso, só meu. E agora vamos abraçar quem passa por nós. Vamos, então. E ter medo de o abraçar. E receber um abraço tão apertado. E tão apertado quanto bom. Bom? Óptimo!
Mais exercícios trouxeram mais distância. E as circunstâncias da peça fizeram com que tivesse de o ver de mãos dadas com outra pessoa. Ciuminho, dizia a minha consciência. E eu tentava calá-la. Não posso ter ciúmes. Nem sequer posso sentir nada do que estou a sentir. Respira fundo, dizia a consciência, Não mandas em nada disto.
Mais exercícios. Deitar no chão em roda. O destino - ou a minha subtileza que desconfio ter sido muito pouco subtil... - fizeram com que ficássemos ao lado um do outro. Vá, dêem as mãos para sentirem melhor a energia uns dos outros. Pousei a minha mão. Sempre com medo. E os dedos entrelaçaram-se naturalmente, e o calor que me subiu pelo braço assustou-me até a mim mesma. Não posso sentir nada disto. Não posso.
Uns minutos, que pareceram anos, depois, Muito bem. Vamos passar às cenas. Mais distância. Sentei-me no chão, com o meu texto, o meu caderno, uma caneta para tirar apontamentos e para entreter as mãos e o nervosismo. Estava longe, sentado numa cadeira, a fazer o papel dele. Mas em cada pausa... não sei se era eu a olhar primeiro e ele a apanhar-me, ou o contrário. Houve de tudo. E de cada vez que isso acontecia, um de nós fugia e olhava para outro sítio qualquer. Vergonha ou medo ou um misto de ambos e de tudo, não sei. Mas não conseguia interpretar os olhares, não conseguia interpretar as expressões. Achei sinceramente que ia voltar para casa ainda mais confusa do que tinha ido.
Uma cena mais querida, comentários de todos os lados. Quase me dá vontade de me apaixonar!, disse eu para a C. Não estás apaixonada?, perguntou ela. Não, neste momento não. Nem quero., respondi eu, cautelosa. Foi uma mentira, provavelmente. Mas também foi um bocadinho verdade. Estava demasiado confusa para saber. Oh, não digas isso!, disse a C. Porque é que não queres?, perguntou a A. Sinto-me sempre tão bem a falar com elas, apesar de nove anos nos separarem e de não lhes poder nem querer contar o que me atormenta. Apesar de elas já terem vivido isto tudo e de provavelmente me perceberem, não sou capaz. Oh, estou traumatizada. O último foi mau de mais, preciso de uma desintoxicação., digo eu, rindo. Ui, então prepara-te, está para acontecer. Ele anda por aí e tu nem sabes!, diz a A. Fico à espera de corar, mas não. Provavelmente porque sinto que ela tem razão. Só que se calhar eu já sei. Ai!
Cena para a frente, cena para trás, retoque aqui, mudança ali. Uma cena muito mal escrita. Não fui eu que escrevi esta!, reclamo eu. Mas vou ser eu a escrevê-la de novo e isso deixa-me feliz. E depois aparece lá: texto de Inês Barbosa! A nossa escritora!, diz a C. e eu sorrio. Muito. Sabe tão bem saber que as pessoas apreciam o meu trabalho, e um trabalho que não dá qualquer trabalho, porque é a minha paixão de sempre. Cena para a frente, cena para trás, umas bocas - mas das boas! - bem mandadas e melhor recebidas, sorrisos e olhares. Fiquei um bocadinho triste porque o ensaio estava a acabar e eu ia continuar sem me resolver. Bom, hoje ficamos por aqui, é meia noite menos dez. Não! É demasiado cedo!
Sentei-me e decidi que era o momento de puxar conversa. E assim fiz. E o resto... o resto fica para mim, guardadinho no coração com muito, muito carinho. Tanto calor. E tanta felicidade. Nem me lembrei que estava nervosa. Nem me lembrei que havia gente à minha volta. Gente que provavelmente estava atenta a tudo. Mas eu não quis saber.
Hora de ir embora. E por centímetros - milímetros? - evitei uma coisa que não queria ter evitado. E quando entrei no carro, o meu coração queria explodir e saltar-me pela boca fora. Até sexta...

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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

75,

Nada melhor do que chegar a casa depois de uma semana atribulada e ter as minhas coisas de volta. Nada melhor do que sentir os cheiros que me são mais queridos e familiares, o simples ambiente de estar no espaço onde me sinto melhor e onde mais posso ser eu. Nada melhor do que ter a família toda à espera, pronta para me receber durante mais um dias em que vou recarregar forças para o que me resta.

Hoje estou muito muito nervosa.

Setenta e cinco.

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quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Love, I get so lost, sometimes
Days pass, and this emptiness fills my heart
When I want to run away I drive off in my car
But whichever way I go
I come back to the place where you are

All my instincts, they return
And the grand facade, so soon will burn
Without a noise, without my pride
I reach out from the inside

In your eyes, the light, the heat
I am complete
I see the doorway to a thousand churches
The resolution of all the fruitless searches
Oh I see the light, the heat
I want to be that complete
I want to touch the light, the heat
I see in your eyes

Love, I don't like to see so much pain
So much wasted and this moment keeps slipping away
I get so tired of working so hard for my survival
I look to the time with you to keep me awake and alive

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( Remember BCN - 03.07.2013 )

Platja de la Barceloneta
Telefèric de Montjüic
Castell de Montjüic
Castell de Montjüic

Metro - Espanya


76,

"O problema é que nós fomos tomar muitos cafés e nunca tomámos café."
De vez em quando, aparecem frases soltas quando menos esperamos e que, na sua simplicidade e aparente falta de sentido ou até de interesse, acabam por nos tocar onde dói mais... ou antes, onde um dia já doeu, muito.
Costumo dizer que não tenho arrependimentos - nem sempre é verdade, há alturas da minha vida em que me arrependo amargamente de coisas que faço ou já fiz, mas são alturas passageiras. Quando tudo fica bem ou, pelo menos, quando tudo fica calmo e fico em paz com o meu passado, como agora, costumo dizer que não tenho arrependimentos e posso dizê-lo sem mentir. Mas mesmo se não me arrependo de nada, muitas vezes ainda fico a pensar porque fiz isto ou aquilo assim e não de outra forma qualquer.
Podia dar voltas à cabeça e nunca havia de encontrar uma resposta única. Nem uma resposta certa. O máximo que consigo dizer com certezas é que fiz o que fiz da maneira como fiz porque na altura estava cega pelo amor que sentia.
Tinha dezoito anos e a vida toda à frente, mas vivia on the edge, sempre à espera do próximo precipício, da próxima queda. Nunca sabia o que os meus dias iam ser, se iam correr bem ou mal, se ele ia estar ali para mim ou não. E só por isso, devia ter percebido que naquela relação estava tudo errado. Mas não conseguia - e é por saber que não conseguia que não me recrimino.
Se fosse hoje, talvez tudo tivesse sido diferente, ou pelo menos gosto de me tentar convencer disso mesmo. Gosto de tentar acreditar que ia conseguir afirmar-me, dizer não quando queria dizer não em vez de simplesmente me deixar ir na onda dele. Gosto de tentar acreditar que ia conseguir atirar-lhe à cara todas as coisas que ficaram presas cá dentro tantas e tantas vezes, por medo que ele decidisse que eu não valia a pena e me deixasse de uma vez por todas e me trocasse por uma das amigas que tinha, e Deus sabe como elas eram muitas... Enfim. Gosto de tentar convencer-me que se fosse hoje, se calhar tínhamos tido outro final. Mas lá no fundo sei que as coisas aconteceram como tinham de ter acontecido. E por mais que eu tivesse dito a mim mesma, milhões de vezes, que ele era o meu final feliz, o meu príncipe encantado e que aquela era a minha única história de amor... no fundo, mesmo que nunca o tenha admitido, acho que sempre soube que não estávamos destinados.
Por alguma coisa fomos tomar tantos cafés e nunca tomámos café...

Setenta e seis.

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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Durante muito tempo, não fui capaz de não precisar de ninguém ao meu lado. Como se achasse que só tendo um namorado, uma pessoa que me fizesse sentir querida, é que alguma vez poderia ser feliz. Anos e anos a pensar assim... a sentir-me assim, por muito que pudesse dizer o contrário. E depois, há cinco meses, aprendi da pior forma que não podia continuar a viver assim.
Dizem que há males que vêm por bem. Eu nunca fui capaz de acreditar completamente nisso. Mas hoje, cinco meses depois, olho em retrospectiva para os meses iniciais deste ano e acredito, piamente, que há mesmo males que vêm por bem. E a pior coisa que alguma vez me aconteceu na vida acabou por se revelar a melhor coisa que me podia ter acontecido, por todos os motivos e mais algum.
Mas hoje, o que quero ressalvar é mesmo que sou uma pessoa mais feliz, mais confiante, mais completa e com muito mais auto-estima devido ao que me aconteceu. E hoje, por me sentir muito mais crescida e, de uma maneira geral, muito melhor comigo mesma, assusta-me ainda mais precisar de alguém.
Por isso é que me está a custar tanto, e a confundir tanto, sentir estas coisas todas estranhas que ando a sentir. Porque se por um lado eu não quero precisar de ninguém, por outro lado eu quero muito continuar a sentir-me como me tenho sentido.
Mas que confusão.

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( Remember BCN - 02.07.2013 )

Arc de Triompf

Parc de la Ciutadella

Plaça Reial
Plaça de Catalunya
Sagrada Familia
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77,

Foi um dia normal - nem bom, nem mau. Com certeza melhor do que eu esperava, tendo em conta a tarde que tive ontem. Mas não vale a pena remoer nisso, porque as pessoas envolvidas não valem, de todo, a pena. Cada dia que passa ganho mais certezas de que os amigos que se perdem por motivos como este - ou pela falta de motivos, já agora - são amigos que nem sequer devíamos ter ganho em primeiro lugar. Por isso não tenho qualquer arrependimento de as ter perdido, a ambas. Foram pessoas que passaram na minha vida e são pessoas que infelizmente ainda lá permanecem, por questões que não posso mudar. Mas falta pouco. Cada vez menos. E sei que quando as puder apagar, de todas as maneiras e formas possíveis e imaginárias, vou ser muito, mas muito mais feliz.
E quero continuar a acreditar que as pessoas que encontrei e redescobri nas últimas quatro semanas são as pessoas que valem a pena. E são as pessoas com quem quero poder contar durante, pelo menos, os próximos dois meses e uns dias.
É simples.

Setenta e sete.

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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Não vale a pena dizer nada. Estou a dar em doida.
Por vários motivos.
Mas só um conta.

You're beautiful so silently
It lies beneath a shade of blue
It struck me so violently
When I looked at you

But others pass, they never pause
To feel that magic in your hand
To me you're like a wild rose
They never understand why

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Estou exausta. Faltam setenta e oito dias, mas parece faltar uma eternidade ou mais.
Não me acho má pessoa - não sou intrinsecamente má, disso tenho a certeza - mas com certeza que também não sou a pessoa mais perfeita deste mundo. Nem quero ser. Mas tenho a certeza que também não sou a pessoa que elas me acham, que elas me pintam.
Dou-lhes demasiada importância? Disso, tenho a certeza. Se eu fosse forte, ria-me ao ler o que elas dizem, erguia a cabeça e seguia em frente. Não ficava a tarde toda a consumir-me a pensar no que leio. Com medo.
Porque me parece que é isso que eu sinto. Medo. Mas medo de quê? Elas não são ninguém. Não são, de certeza, mais que eu. Têm mais amigos e são mais populares na faculdade? Grande coisa. Eu sou feliz com os poucos amigos que tenho, ainda mais feliz por os ter encontrado a tempo. Por isso, em teoria, eu não devia ter medo delas.
Mas tenho. Porque não consigo afastar a sensação de que elas me querem todo o mal do mundo, e não só vão ficar felizes sempre que algo de mau me acontecer, como vão fazer algo em relação a isso. Pode ser paranóia - como não havia de ter alguma paranóia, depois de tudo o que sei e tenho vivido à custa disto? Mas a verdade é que tenho medo do que elas possam fazer ou dizer, porque tenho medo de perder as poucas pessoas que me têm valido e tenho medo de ficar ainda mais sozinha.
Não há muito a fazer, neste momento, a verdade é essa. É esperar pelo melhor e ir ignorando tanto quanto posso. Sobretudo, não dar confiança nem partilhar mais do que o que devo. Não me mostrar afectada por nada neste mundo. Afinal de contas, demonstrar felicidade e despreocupação é o que mais chateia quem nos quer mal, não é verdade?
Sei que dói e pode doer para os dois lados, mas a verdade é que... karma is a bitch. Eu estou à espera.

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78,

Mais uma noite preenchida por sonhos com ele. O da semana passada foi demasiado bom para ser verdade... o de hoje já foi mais de acordo com a realidade que vivo. Com os mesmos sentimentos de ansiedade, confusão e dúvida que experimento todos os dias.
Mas lá no fundo, também havia um bocadinho de esperança. Foi um sonho rápido - pelo menos pareceu ter voado - mas no meio de tudo, havia esperança. Por isso quero manter a minha.
Mesmo sem saber nada, mesmo sem saber o que fazer, vou continuar a sonhar. Porque me dá força. Porque me dá uma razão para me levantar todas as manhãs e levar o dia da melhor maneira possível, enquanto não tiver hipótese de fazer nada. E, sobretudo, porque nunca fui pessoa de desistir daquilo que quero.
E Deus sabe como eu quero isto. Tanto.

I sit around and wonder about the fire in your eyes, the movement of your fingers, the way you slowly complicate my life.

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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

79,

Há uns dias que a sorte insiste em não me querer sorrir - hoje foi mais um deles. Não que tenha acontecido alguma coisa propriamente má, porque o dia até foi bastante calmo. Mas também não foi daqueles dias que me deixam com um sorriso na cara e a sentir-me um bocadinho mais contente. Foi mais um daqueles dias em que me fazem olhar para a data e esperar que o tempo passe rápido - infelizmente, tenho demasiados dias desses na minha vida, nos dias que correm.
Mas não me quero, nem posso, queixar demasiado. O que tiver de ser, será.

Setenta e nove.

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domingo, 29 de setembro de 2013

80,

É a primeira vez em muito, muito tempo que não me sinto assim tão mal por ir para o Porto. Provavelmente vou-me arrepender de dizer isto daqui a uns dias, ou até umas horas, mas neste momento... não me sinto assim tão mal.
Lá, tenho muita gente que não gosta de mim e até quem me queira mal. Mas também tenho pelo menos três pessoas que se têm tornado cada vez mais e mais importantes no meu dia-a-dia e que fazem tudo parecer quase bonito - e não é isso que é suposto os amigos fazerem por nós? E posso ter uma semana cheia de trabalho à minha frente, e ter tido um fim de semana menos bom e não ter tanta força de vontade como habitualmente - mas tenho algo pelo qual esperar. Posso não ter certezas de nada, mas tenho esperança.
E recebi a notícia de que daqui a uns meses vou ter um priminho ou uma priminha novas na família. E eu adoro bebés. Só isso já é algo pelo qual esperar e no qual encontrar um motivo para sorrir.
Boa semana para mim.

Don't you see the starlight, starlight?
Don't you dream impossible things?

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sábado, 28 de setembro de 2013

81,

Que confusão. É tudo o que consigo dizer: que confusão!
Sei o que quero - bem de mais até. O problema não está, de todo, aí. Mas saber o que quero sem compreender porque o quero, sem perceber como é possível que o queira, sem entender nada do que se passa dentro de mim... bem, não ajuda. Porque saber o que quero, e ter consciência de que quero muito, e não saber mais nada para além disso é aterrador.
Tanto tempo de espera... e depois à última da hora, quando estava quase, quase a acabar o meu countdown... faltou-me a sorte. Voltei para casa de mãos vazias e de coração ainda mais vazio. Habituei-me a ter alguma coisa à qual me agarrar para ter forças para aguentar mais uma semana e mais uma semana de espera e hoje não consegui arranjar nada. Ninguém teve culpa, muito menos eu, mas a frustração que sinto é incrível.
Não sei o que pensar, o que dizer, o que fazer. Custa-me falar com as pessoas porque parece que ninguém consegue perceber. Nem eu consigo perceber, para falar a verdade.
Não sei o que esperar e mais que isso, não sei de que é que estou à espera.
Sei que tenho medo. Muito. E sei que quero. Ainda mais.
E agora?

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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

82,

Nada como voltar a casa. Nada como chegar e ter uma experiência diferente que me fez acreditar que por muito duro que venha a ser conseguir fazer o que quero, é possível, é sempre possível, desde que se queira muito. Nada como voltar a sentir que estou onde pertenço. Nada como recarregar forças para mais uma semana.

Estou muito muito nervosa.

Oitenta e dois.

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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

83,

Hoje o dia foi longo. Mas, desde que o semestre começou, foi sem dúvida o melhor dia que já passei na faculdade. Tive conversas sérias e filosóficas, tive conversas parvas. Gozei com situações e gozaram-me a mim, até à morte. Ri-me, ri-me até a barriga me doer. E por mais longo que o dia possa ter sido, houve alturas em que as horas quase voaram.
Adoro os meus amigos. Tanto! E só tenho pena de não me ter apercebido mais cedo - dois anos mais cedo, talvez - de quem eram as pessoas que valiam realmente a pena, as pessoas que iam estar a meu lado para o que desse e viesse. Mas ainda tive sorte, ainda consegui chegar a essa conclusão antes de ser tarde de mais. Ainda vou a tempo de aproveitar todo um semestre.
E o que me deixa mais feliz neste dia que foi tão feliz... é a certeza de que quase todos vão poder ser assim. Porque tenho pessoas fantásticas a meu lado. Só precisei de saber abrir os olhos.

Oitenta e três.

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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

84,

Não sei o que pensar. Num minuto, quero que o tempo passe depressa e o dia por que tanto espero, chegue. Noutro, já quero que o tempo passe devagar, para aproveitar cada dia razoavelmente. Num minuto, estou mais ou menos contente e talvez ansiosa, mas num bom sentido. Noutro, já estou completamente nervosa e sem saber o que pensar e o que fazer. Na verdade não há muito a fazer. Resta esperar...

Come back and tell me why
I'm feeling like I've missed you all this time
And meet me there tonight
And let me know that it's not all in mind...

Oitenta e quatro.

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terça-feira, 24 de setembro de 2013

85,

Nem sempre me lembro do que sonho; na verdade, na maioria dos dias sou capaz de me lembrar mal acordo, mas passado uns minutos, enquanto tento voltar a mim mesma, logo me esqueço do que sonhei.
Mas hoje não. Hoje o sonho foi de tal forma intenso que me ficou preso na memória e não se desvaneceu durante aquele espaço em que estou a acordar, a voltar à realidade. E foi de tal forma intenso, que ainda me consigo lembrar dele neste momento, quase tão perfeitamente como na altura em que o sonhei.
Há sonhos e sonhos. Eu tenho muitos, sempre, acordada e a dormir. E nem todos são nítidos. Mas este foi, tanto que pareceu real. Tanto, que ao acordar nem me apercebi que de facto tinha estado só a sonhar.
E para mim, só me mostrou ainda mais o incontornável. Até já comecei a sonhar...

There's too many things I haven't done yet
Too many sunsets I haven't seen
You can't waste the day wishing it'd slow down
You would've thought by now I'd have learned something

I made up my mind when I was a young girl
I've been giving  this one world, I won't worry it away
But now and again I lose sight of the good life
I get stuck in a low light, but then love comes in

How far do I have to go to get to you
Many the miles, many the miles
How far do I have to go to get to you
Many the miles
But send me the miles and I'll be happy to follow you
Love

I do what I can wherever I end up
Too keep giving my good love and spreading it around
Cause I've had my fair share of take care and goodbyes
I've learned how to cry and I'm better for that

Sing
How far do I have to go to get to you
Many the miles, many the miles
How far do I have to go to get to you
Many the miles
But send me the miles and I'll be happy to follow you
Love

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

86,

Sinto-me outra vez enervada, cansada, confusa e assustada. Não consigo estar quieta nem acalmar a minha mente. Não consigo deixar de pensar e repensar. Não consigo não querer que o tempo passe rápido para eu me voltar a libertar. E ainda falta tanto.
Não me posso queixar de não ter pessoas a meu lado, no entanto. Tenho-as tido sempre e ainda mais do que pensava, e isso vai valendo pelos dias que custam a passar. Mensagens, telefonemas ou qualquer outra forma de se lembrarem de mim, é o que me tem feito ter sempre força, nem que seja só um bocadinho, para continuar a levar um dia de cada vez com a maior calma possível. Mas não é fácil.

Oitenta e seis.

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domingo, 22 de setembro de 2013

87,

Tenho medo. Muito. Mas ao mesmo tempo, gosto muito de me sentir assim.
Não me sai(s) da cabeça.

If you were the ocean and I was the sun
If the day made me heavy and gravity won
If I was the red and you were the blue
I could just fade into you

If you were a window and I was the rain
I'd pour myself out and wash off the pain
I'd fall like a tear so your light could shine through
Then I'd just fade into you

In your heart, in your head
In your arms, in your bed, under your skin
Till there's no way to know
Where you end and where I begin

If I was a shadow and you were a street
The cobblestone midnight is where we first meet
Till the lights flickered out, we dance with the moon
Then I'd just fade into you

In your heart, in your head
In your arms, in your bed, under your skin
Till there's no way to know
Where you end and where I begin

I wanna melt in, I wanna soak through
I only wanna move when you move
I wanna breathe out when you breathe in
Then I wanna fade into you

If I was just ashes and you were the ground
And under your willow they laid me down
There'll be no trace that one was once two
After I fade into you

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friends will be friends,

Ontem tive uma espécie de reunião - aqueles encontros que queremos sempre marcar e por isso vamos dizendo "temos de ver isso!", "temos de combinar isso!", "vai dizendo alguma coisa!" e depois ninguém combina e ninguém diz nada. Até que um dia decidimos que está mesmo na hora e finalmente encontramo-nos.
As pessoas sentadas à volta daquela mesa eram - são - os meus amigos de sempre. E três delas, as minhas amigas mais antigas, com quem eu estava praticamente durante todos os momentos em que estava acordada, com quem eu partilhava todo e cada pormenor da minha vida. A S., a outra S., a V. e eu. Sempre. Desde 1999, dá para imaginar?
Não consigo lembrar-me de um momento da minha vida em Viana em que elas não estivessem presentes, de uma maneira ou de outra. Crescemos lado a lado, literalmente. E todas as minhas "primeiras vezes" foram partilhadas com elas. O primeiro amor, o primeiro desgosto, as primeiras desilusões com amigos... tudo, bom e mau, foi vivido com elas ali ao lado. E tudo o que elas viveram foi vivido comigo também. Houve alturas em que chegámos a chorar umas pelas outras, ainda que a dor fosse só de uma.
E os anos passam, as vidas mudam, as pessoas afastam-se. Mas o melhor de tudo acerca de nos termos voltado a encontrar, a sentar-nos a uma mesa, a conversar sobre tudo e mais alguma coisa, foi perceber que afinal não mudámos tanto assim. Por mais que tudo o resto esteja diferente, ainda sabemos como cada uma de nós é, como vai reagir a determinada coisa, como se vai sentir ao ouvir falar de determinada pessoa, o que vai dizer ao relembrar determinado momento. E ainda melhor que isso, foi reviver dezenas de recordações, cada uma de nós a lembrar-se de várias e a partilhá-las... foi tão bom voltar a uma altura em que era tudo calmo, tranquilo, despreocupado e sempre, sempre engraçado.
Tenho muitas saudades das minhas amigas, muitas. E adoro-as muito.

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sábado, 21 de setembro de 2013

And I'll do anything you say
If you say it with your hands
And I'd be smart to walk away
But you're quicksand

This slope is treacherous
This path is reckless
This slope is treacherous
And I, I, I like it

I can't decide if it's a choice
Getting swept away
I hear the sound of my own voice
Asking you to stay

(...)

Two headlights shine throught the sleepless night
And I will get you and get you alone
Your name has echoed through my mind
And I just think you should, think you should know
That nothing safe is worth the drive
And I will follow you, follow you home
I'll follow you, follow you home

This hope is treacherous
This daydream is dangerous
This hope is treacherous
I, I, I...
I, I, I...
I,I,I...

(...)

This slope is treacherous
I, I, I like it...

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88,

Tão igual, e tão diferente. Tão... maior? Talvez. Mais pensado. Mais temido. E mais esperado. Isso, de certeza. Talvez por isso me tenha sentido tão igual, mas tão diferente, esta noite. Há muito tempo que não me sentia tão nervosa. E tão confusa. Tão parva. E tão assustada comigo mesma.
E depois... olá! Um sorriso e dois beijinhos e muita - demasiada! - gente à volta.
E depois... há mais de seis anos que tenho uma pessoa, sempre a mesma, presente na minha vida, em momentos que foram bons e passaram a maus e agora são confusos. E não é que essa pessoa tinha de aparecer exactamente neste momento em que outra me está a deixar nervosa e fora de controlo? A minha vida é feita de demasiadas coincidências.
E depois... distância. Porquê? Tenho medo. Andei mesmo a iludir-me, não foi? Não aprendo.
E depois... lado a lado. E nada. Andei mesmo a iludir-me. Não acredito que passei uma semana à espera disto... para nada. Não aprendo!
E depois... risos. Pouco a pouco, menos distância. Pouco a pouco, mais sorrisos. E mais conversas. E mais partilha. E uma feliz troca de recordações de um sítio que a ambos é querido. Será que afinal não andei a sonhar sozinha? Mas... ai!
E depois... finalmente, o toque. Tal como já tinha acontecido mas... agora é mais. Para mim é mais. Mais perto. Mais quente. Mais confiante. Mais querido. Ai... será que...?
E depois... quando dou por mim, deixei de ouvir todas as outras pessoas que estão à minha volta e fiquei presa nele, no sorriso dele, na voz dele e nas histórias dele. No riso dele. Estou dentro de uma bolha de sabão e ele está aqui comigo.
E depois... "Então, vocês os dois? Ouviram alguma coisa do que estivemos aqui a dizer?" Bem... não. Não ouvimos. Nem uma palavra.
E depois... mais toques. E mais sorrisos. E mais risos. E mais toques. E mais "estaladas fofinhas"... E mais proximidade. E o filme. E as saudades de outros tempos e a vontade de voltar, mas outra vontade, tão nova, de estar aqui e agora... sobretudo agora, sobretudo aqui...
E depois... "Até para a semana!"... e dois beijinhos... e uma espécie de abraço... e um sorriso tão grande...
E é a isto que me agarro agora, aqui.
Até para a semana, sim... Que tortura.

Oitenta e oito.

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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

89,

Nada como estar de volta a casa, de volta aos meus e a quem me quer bem. Nada como estar de volta para recuperar forças e expectativas. Nada como ser recebida de braços abertos. E nada como saber que aconteça o que acontecer, vou ter sempre pessoas aqui para mim.

Estou muito nervosa.

Oitenta e nove.

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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

90,

Não tive um dia não, mas também não tive um dia sim. Foi... foi nim. Tal como a semana... nem não, nem sim. Nim.
Tanto estou excitada, ansiosa mas no fundo contente e esperançada, como já acho que não passam de alucinações minhas. Deus sabe como tenho dificuldade em confiar nas pessoas - em mim mesma, até... por isso acho que não é de todo anormal que não saiba como me sentir ou sequer o que fazer. Nem sei que quero saber... ou antes, sei que quero saber, mas também tenho medo do que vou saber.
A minha vida é uma confusão. Nem sempre gosto dela assim, é verdade. Às vezes só quero paz e sossego e uma ilha só para mim. Mas... mas agora, estou a ir contra mim mesma e a desejar só um bocadinho de turmoil, de agitação, de excitação! Um bocadinho de tempero para dar um gosto mais apetecível e aguentar melhor os dias que demoram a passar. Um bocadinho de esperança, de sorrisos, de calor no coração. Nem que seja só um bocadinho.

Noventa.

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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

91,

Nem sempre há o que dizer. Ou o que fazer. Porque o que resta é esperar. Sem sequer saber ao certo por quê.

Back of the room, looking at you
Counting the steps between us
A hundred and five little blades in a line
From your skin to mine, and I feel it

Eyes on the ground, but I can't look up now
Don't wanna give it away, my secret

In another life, my teeth and tongue
Would speak aloud what until now I've only sung

Cause I would die to make you mine
Bleed me dry each and every time
I don't mind, no I don't mind it
I would come back a thousand times

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terça-feira, 17 de setembro de 2013

92,

Os dias passam lentamente, e no entanto mais depressa do que eu esperava... do que eu temia. Há sempre alguma coisa nova a acontecer - ainda que nem sempre seja boa! - e pouco a pouco vou conseguindo distrair-me e avançar com a minha vida, um dia de cada vez, mas sempre a querer mais.
Não tive uma noite muito descansada, hoje. Fui deitar-me com muito em que pensar, sonhei coisas estranhas e acordei desassossegada e com aquela sensação de quem pode até ter dormido o suficiente, mas não dormiu suficientemente bem. Tem sido comum desde que as aulas recomeçaram, porque já não tenho a mesma paz de espírito nem a quase certeza de que o dia vai ser calmo, pachorrento, lento e no entanto, sempre minimamente bom.
E é por isso, e por todos os motivos e mais algum, que preciso realmente que chegue sexta feira. Tenho muito, muito medo. Mas quero que chegue.

Noventa e dois.

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