sábado, 14 de dezembro de 2013

5, 4,

As circunstâncias da minha vida neste momento levam-me constantemente a regressar ao passado, para me tentar lembrar um bocadinho melhor deste ou daquele pormenor que possam eventualmente estar a escapar-me. Volto, mais especificamente, ao meu 11º ano, que já aconteceu há quatro anos. Volto, ainda mais especificamente, mais ou menos a esta altura do meu 11º ano, em que me lembro de passar várias tardes numa escola que não era a minha, na companhia de pessoas que não me lembro como conheci, mas que fui conhecendo e apreciando e gostando cada vez mais ao ponto de ir passar tardes com elas a um sítio que me era muito desconhecido e quase hostil.
Já passaram quatro anos. Pelo meio, muita coisa mudou. Muita coisa se perdeu e se ganhou. Muitas pessoas apareceram e muitas outras desapareceram. E depois há aquelas que nunca se perderam completamente, mas cuja presença se foi desvanecendo até ser só um número no telemóvel, um amigo no Facebook, um "olá" por acaso na rua ou num café, um "está tudo bem?" em que não se presta realmente muita atenção à resposta, só se pergunta porque é o que se costuma fazer. Aquelas pessoas que de facto não somos capazes de nos lembrar como conhecemos, só sabemos que num dado momento do tempo já foram importantes para nós, já foram nossos confidentes, pessoas que nos deixavam mais felizes e completos por fazerem parte da nossa vida. Aquelas pessoas de quem até podemos afastar-nos, mas das quais vamos sempre guardar lembranças de tempos que, olhando em retrospectiva, agora consideramos bem melhores do que considerávamos quando os estávamos a viver.
Nestes últimos tempos em que me tenho confrontado com este presente e aquele passado, em que outras coincidências se têm verificado, em que tenho posto várias coisas em causa de tanto pensar nelas... nestes últimos tempos em que a minha vida e a minha mente têm sido uma confusão de desejos e indecisões, inseguranças e vontades, tenho-me apercebido cada vez mais de que a vida dá muitas voltas. Dá mesmo muitas voltas, e algumas vêm-nos colocar num lugar que nunca antes imaginámos que alguma vez pudéssemos ir lá parar.

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