Sete meses e dois dias.
Foi há sete meses e dois dias que te foste embora e deixaste o meu mundo vazio. E que me deixaste, a mim, quebrada. E vazia. E sem rumo. Nem vontade.
Lembro-me de nesse dia ter pensado que havia uma forte probabilidade de nunca mais nos vermos, porque até aí nunca nos tínhamos encontrado por acaso, sem querer. Não andamos pelos mesmos sítios, não temos os mesmos amigos, partilhamos poucas coincidências... achava mesmo que éramos capazes de nunca mais nos vermos e isso deixava-me fora de mim de desespero, porque não me achava capaz de aguentar.
Muita coisa se passou nestes últimos sete meses e dois dias. E, de facto, e como previa, nunca mais te voltei a ver. De início custou muito, tanto... mas já não interessa pensar nisso. O que interessa é que esses sete meses se passaram e tu foste gradualmente desaparecendo da minha vida. O tempo não te apagou, mas foi curando as cicatrizes e foram-se também desvanecendo as marcas da tua passagem por aqui, ainda que todos os dias me lembre de ti, ainda que muitas vezes venhas falar comigo.
Passaram-se sete meses e dois dias e hoje voltei a estar contigo.
Não sei o que esperava - de facto, não esperava nada porque nem sequer sabia que ia estar contigo. Foi a primeira vez que estive contigo, em toda a minha vida, sem estar apaixonada por ti, sem estar feliz por estares na minha vida ou sem estar despedaçada por já não quereres estar na minha. E foi normal.
Não há outra maneira de o explicar: falámos normalmente, como sempre falávamos quando estava "tudo bem". Sempre me foi fácil falar contigo, raramente ficávamos sem assunto, mas achava que nestas circunstâncias ia ser diferente. Pois bem, não foi. E estava com receio que o facto de te ver fosse voltar a acordar alguma coisa em mim. Mas não acordou. E só por ter a certeza disso, já voltei para casa um pouco mais leve, mais segura, até mais feliz e aliviada por ter ficado com a certeza absoluta que o teu (nosso) capítulo acabou mesmo.
Passaram-se sete meses e dois dias e sei que não vou voltar a estar contigo tão cedo, se é que o vou voltar a fazer. E sabes que mais? Não custa. Não dói. Não mexe nada em mim.
"Onde não puderes amar, não te demores."
@

Sem comentários:
Enviar um comentário