domingo, 20 de outubro de 2013

59,

Na sexta feira, em conversa, a E. disse que não tinha tempo nem para respirar, porque estava cheia de coisas para fazer. E o meu tio disse-lhe, O tempo é uma invenção nossa. Fomos nós que o criámos. O tempo na verdade não existe. Agora dizes que não tens tempo, mas se arranjasses um namorado novo já ias ter todo o tempo do mundo... para ele. As pessoas têm tempo para o que precisam. E sabes, não sei se o tempo foi uma invenção assim tão boa. É útil todos os dias, claro. Mas também faz sofrer muito - quer por passar demasiado depressa, quer por demorar demasiado a passar.
Fiquei com estas palavras presas na cabeça desde essa noite. Sobretudo porque me encontro numa contagem decrescente constante, e apesar de todos os dias retirar um número ao do dia anterior, o tempo nunca mais passa.
Lembro-me que quando comecei esta contagem, quando aqui escrevi o primeiro texto, faltavam 100 dias. Hoje, faltam 59. Por um lado parece que já passou uma grande parte, e que passou rápido. Mas depois... depois olho melhor para a data e reparo que ainda não passou nem sequer metade. E que ainda faltam DOIS meses. E que ainda não começou a parte do semestre em que vou estar tão submergida em trabalho que só vou querer chegar a casa, fechar-me no quarto e não ver nem falar com ninguém até ao dia seguinte. E aí desespero novamente.
E hoje, ao chegar aqui depois de uma semana - tão feliz, apesar de tudo - em casa, o meu coração estava apertadinho no peito e foi muito difícil quebrar o abraço que dei ao meu pai.
Só quero - preciso - que os próximos cinco dias passem rápido.

Cinquenta e nove.

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