Mais uma semana. Para além desta, faltam mais sete. É demasiado. E só de pensar no que me espera até lá, a minha vontade é esconder-me debaixo dos lençóis e não acordar mais. Fazer o tempo passar em fast forward até finalmente me livrar disto tudo.
É por isso que custa tanto. Porque mesmo estando rodeada de dezenas de pessoas, mesmo tendo os meus amigos ali mesmo ao lado, aqui eu continuo a sentir-me permanentemente sozinha. É o terceiro ano a morar nesta cidade e não consigo senti-la como a minha casa. Não consigo, sequer, pensar em um dia mais tarde vir para aqui trabalhar, porque sei que vou ter sempre a memória destes dias e não vou querer, de todo repeti-los.
E custa ainda mais porque quando estas sete semanas passarem, vou ficar livre. Acabam-se as aulas, acabam-se os encontros forçados com pessoas que não quero ver, acabam-se - espero eu - as intrigas e as confusões. Chega a minha paz; e mesmo que não seja duradoura, vai ser sempre melhor do que estar aqui.
Toda a gente me tenta dar força, repetem-me que falta pouco tempo e é o último esforço. Se eu estivesse de fora, provavelmente diria o mesmo. Mas não consigo. É o último esforço, sim, mas há dias em que sinto o peso do mundo inteiro nos meus ombros.
E já estou demasiado cansada para querer tentar suportá-lo, sobretudo sozinha.
Cinquenta e oito.
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