Tenho uma espécie de relação de amor-ódio com tempestades. Adoro raios e coriscos, adoro aquela sensação de energia no ar, adoro adormecer ao som da chuva e dos trovões, adoro estar protegida e quente dentro de casa enquanto o mundo acaba lá fora. Mas ao mesmo tempo assusta-me imenso a força da Natureza, assusta-me a violência com que as coisas por vezes acontecem, assusta-me o quão próximos por vezes os raios estão... no sentido literal e figurativo.
Nunca vi chover tanto como nesta última semana. Choveu o suficiente para inundar o palco do meu Teatro querido, o suficiente para parar o nosso ensaio, para temermos ter de cancelar o espectáculo, para toda a gente se ir refugiar no camarim enquanto o céu desabava lá fora - e cá dentro também, um pouco.
Mas eu não. Eu deitei-me no chão do palco, na zona em que conseguia andar sem me molhar, e deitei-me a olhar lá para cima, para as profundezas do tecto do teatro. Para os panos, as luzes, os fios, as varas, tudo aquilo que está escondido do público e que contribui para a magia que ocorre durante os espectáculos. Foi a primeira vez que me senti totalmente em casa em cima de um palco. E naquele momento desapareceu tudo - os nervos, as preocupações, os medos, as inseguranças... desapareceu tudo. Ficou só a enorme vontade de lá estar amanhã à noite.
E vou fazer de tudo para brilhar. Não eu particularmente, mas o nosso "SobreSALTOS". Porque nós merecemos.
( 26.10.2011 )
( 26.10.2011 )
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