Tenho saudades tuas. Muitas. Tantas, que são muitas as vezes em que sinto que não cabe dentro de mim e só quero explodir de alguma maneira. Às vezes tudo o que quero é gritar, gritar ao mundo que preciso de ti e que és tu quem dá sossego ao meu coração quando mais preciso.
Este Verão desabituei-me de escrever. Escrevi muito pouco, quase nada mesmo - nem sequer para mim mesma eu escrevi. E isso aconteceu porque não sabia o que dizer. E porque na verdade não queria dizer nada, só queria experimentar e viver e aprender a sentir o que já não sentia há muito tempo.
E tu estiveste sempre lá, mesmo quando não tiveste noção disso. Estiveste presente em cada golfada de ar puro, em cada grão de areia entre os dedos dos pés, entre cada gota de água salgada no meu corpo. Estiveste lá, em cada raio de sol a queimar-me a pele, em cada passo que dei, em cada dia que vivi. Estive sempre lá, e não o soubeste. Porque eu não fui capaz de o dizer, por medo de estragar o equilíbrio recém conquistado. Estiveste sempre presente e continuas presente em mim, todos os dias, mesmo que agora não te veja e não te sinta tão perto como me habituei ao longo destes meses.
Queria conseguir pôr em palavras tudo o que guardei ao longo de mais de quatro meses, queria conseguir abrir-te o meu coração e deixar que visses tudo o que lá vai, porque talvez assim conseguisses encontrar um caminho certo e seguro no meio da confusão. Talvez assim compreendesses porque faço o que faço e não faço metade daquilo que devia fazer. Talvez assim percebesses porque é que sou tão insegura e porque é que já guardo para mim tudo aquilo que é importante, em vez de o partilhar como sempre fiz.
Mas tu conheces-me. Conheces-me bem, talvez melhor do que eu a mim mesma, e sabes o que podes esperar de mim. Sabes o que podes pedir e sabes que, se pedires com jeitinho, és capaz de ter tudo o que quiseres. Porque eu entrego-me sempre àqueles de quem gosto e tu não és excepção. Antes pelo contrário.
Tudo aquilo que eu queria poder escrever não cabe neste texto. Tudo aquilo que eu queria poder dizer não cabe em quaisquer palavras que eu eventualmente arranje. Por isso, hoje fico por aqui. Na esperança de que um dia me leias e percebas que nunca pedi, nem hei-de pedir, nada em troca. E que vou estar sempre, sempre aqui.
Há só uma palavra que falta, neste momento. Mas não vou escrevê-la. Talvez a oiças com o coração. Talvez saibas qual ela é e saibas que eu a guardo e a uso sempre que penso em ti, porque é a mesma de sempre. E não há-de mudar.
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