quinta-feira, 3 de março de 2011

Por muitas voltas que eu dê, volto sempre a ti. É a minha grande inevitabilidade: posso procurar onde quiser, demorar o tempo que quiser, fazer o que bem me apetecer - e no final, nunca vou ser capaz de ignorar que tu existes e vives toda a tua vida mesmo perto de mim, ainda que já não nos falemos, ainda que sinta cada vez mais que não te conheço (e, se calhar, nunca te conheci, de todo).
Ainda hoje, ainda hoje preencheste um inquérito que tinha estado nas minhas mãos uns momentos antes. Falaste com pessoas que considero das minhas melhores amigas, ali a dois passos de mim, e apesar de me teres visto perfeitamente, não fizeste um único gesto de reconhecimento, continuaste a ignorar-me como se nunca nos tivéssemos conhecido. Como se não tivéssemos imensos meses de recordações e memórias e momentos em comum. Como se eu não te continuasse a amar com tudo aquilo que tenho.
Ainda hoje chegaram à minha beira, do nada, e disseram-me "Olha, tu por acaso não conheces aquele rapaz ali? (apontando para ti)" e eu só queria poder ter dito que sim, sim, SIM, conheço-te e amo-te e és tudo para mim. Mas não podia, pois não? Por isso, fiquei só ali a ouvir, enquanto falavam, e a pensar no quanto eu gostava de poder ir ter contigo e dizer-te tudo aquilo que anda há tanto tempo a pesar aqui dentro.
A verdade, meu amor, é que hoje, aprendi novamente que não me serve de nada tentar fugir de ti, porque, mais cedo ou mais tarde, seja lá por que motivo for, há sempre algo ou alguém que te vai trazer de volta - ainda que tu próprio não queiras voltar. E a verdade é que, de certo modo, é bom que assim seja, porque eu não quero, nunca, deixar que saias da minha vida.

« Something always brings me back to you, it never takes too long, no matter what I say or do. »

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