Nunca fui propriamente muito orgulhosa, mas também não gosto de ser sempre eu a dar o braço a torcer (alguém gosta?). Então porque é que - ultimamente - tenho sempre de ser? Porque é que, por uma vez, não fazem por mim aquilo que eu passo a vida a fazer pelos outros? Porque é que tenho sempre de compreender o lado dos outros, quando nem sequer se esforçam por ouvir o meu, quanto mais entendê-lo?
Nunca consigo encontrar o equilíbrio e ando a ficar cada vez mais frustrada e cansada. Quando pensava que tinha saído de uma (quase) relação complicadíssima e que ia resolver pelo menos esse lado da minha, caem-me mais não sei quantas confusões em cima e nada se resolve, tudo se complica.
E parece-me que sou sempre eu quem perde. Porque quando perco pessoas, sou eu que as perco, não elas que me perdem a mim. Nunca vi ninguém a sofrer por não me ter, a sentir (muito) a minha falta ou muito magoado por me ter perdido. Sou sempre eu que fico mal, que sofro, que tenho de me esforçar e de continuar a dar tudo o que tenho e sou, quando ninguém fica mal por mim, ninguém corre atrás de mim, ninguém faz nada por mim, ninguém precisa de mim... e eu preciso de toda a gente, apego-me a toda a gente, sofro por mim e por eles e por causa deles todos.
Tenho os meus problemas, pois claro - e são muitos! Tenho traumas e tendência para ser pessimista e exagerar tudo. Sou muito complicadinha. Mas não temos todos as nossas características próprias, que fazem de nós quem somos? Ainda para mais, a pessoa em questão já me conheceu assim. E começou a gostar de mim assim. Porque é que hei-de mudar agora?
Nunca acreditei que devêssemos mudar o que somos por outras pessoas. Continuo a não acreditar.
Mas assim, meu amigo, não vamos longe.
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