terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Para mim, o amor está acima de tudo, é verdade. O que não quer dizer que o amor nos dê direito a tudo.
Na verdade, não dá, sobretudo se não for correspondido. Mas eu nunca achei isso; por experiência (própria e alheia) sei o quanto custa amar quem não nos ama, mas também conheço o outro lado, o lado de quem é amado sem amar.
Quando gostamos de quem nos ama (mesmo que não devolvamos esse amor), por muito que gostemos de nos sentir especiais, não queremos realmente que nos amem. Porque sabemos que não vamos poder dar à pessoa aquilo que ela quer de nós. Porque nos preocupamos com a pessoa e não a queremos ver magoada, muito menos magoá-la. Porque queremos o melhor para a pessoa, e sabemos que o melhor não somos, não podemos ser nós, mesmo que queiramos.
Mas se não gostarmos nem nos preocuparmos com quem nos ama, e se tivermos (suficiente) falta de integridade para tal, suponho que podemos sempre usar a pessoa. Se ela nos ama, vai querer dar-nos tudo, vai querer satisfazer-nos, vai querer estar connosco seja lá como for. E se a pessoa for como eu, não vai exigir muito, não vai pedir muitas explicações, nunca se vai chatear, não vai pedir grande coisa em troca, vai tentar ser compreensiva, vai-se até mesmo rebaixar-se, vai contentar-se com o (pouco) que lhe derem... porque ama realmente, e valoriza todas as pequenas coisas. E mesmo que não deva, vai continuar a fazê-lo.
(Agora que penso, devo ter sido mesmo difícil de aturar... Sempre dei tudo e nunca pedi nada em troca. Sempre aturei um monte de faltas de respeito e nunca me queixei muito. Sempre amei profundamente e me deixei levar até onde era preciso. Ui, sou mesmo má pessoa, sem dúvida. Peço desculpa por ser tão ingrata, my bad.)
Bom... o que eu queria dizer com tudo isto é que, da mesma maneira que eu não permito que usem o amor como desculpa para exigir algo de mim, para me pressionar, chantagear ou algo deste género, também tenho consciência de que o amor que eu sinto não me dá o direito de pedir explicações ou exigir algo.
E eu agora eu peço, exigo ou quero alguma coisa, é simplesmente porque preciso e mereço. Não o faço só por amar - também o faço porque fui (ab)usada por sentir esse amor, porque me sinto enganada e sobretudo porque estou exaustada, não quero continuar a sofrer pelas mesmas razões e quero um ponto final nesta história (pelo menos por agora). É óbvio que o meu amor, por si só, não me dá o direito de me "intrometer" - mas a nossa história em comum,(que eu não inventei, e que não aconteceu assim há tanto tempo como isso...) dá-me esse direito, e se calhar até mais alguns.
E eu nunca exigi nada - não peço, sequer, para que me amem de volta. Só gostava de sentir, por uma vez, que não estou a perder o meu tempo com quem não merece, e que aquilo que eu sinto é valorizado e tido em conta. Mesmo não sendo retribuído, agora. Mesmo não tendo sido retribuído nos últimos meses (e sobretudo no Verão). Mesmo que nunca tenha sido retribuído. Ele existe, continua aqui, e eu gostava que valesse alguma coisa para alguém além de mim mesma.

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