Há exactamente seis meses atrás, estava a entrar na melhor fase da minha vida, e (ainda) não tinha bem consciência disso. E todo o mês de Julho foi como que um paraíso, totalmente inesperado, a conhecer mais, melhor e de várias maneiras, alguém que já estava na minha vida há muito tempo, e que já há muito tempo tinha sido a pessoa mais importante. Deixei-me conhecer e ser conhecida, e conheci-me a mim mesma, e cresci imenso - mesmo que só o veja agora, tanto tempo passado.
E agora, seis meses depois, sinto-me parva por ter acreditado em tanta coisa... por ter acreditado que eu era única e especial, por ter acreditado que tinha havido uma mudança, por ter acreditado que aquilo que tínhamos ia durar mais do que o simples Verão, mais do que aqueles dois ou três meses em que estivemos afastados do mundo quotidiano e da rotina de sempre. Sinto-me parva por ter acreditado que, de algum modo, desta vez as coisas iam ser diferentes.
E acreditei, acreditei realmente em tudo, porque ao longo de todos os meses em que voltámos a aproximar-no, ao longo de todas as conversas que tivemos, aquilo que mostraste e deste de ti (ou pareceste dar e mostrar) fez-me realmente pensar que estavas mudado e que não ias voltar a reincidir nos "erros" do passado, tudo aquilo que tinhas feito antes, tanto tempo antes, tantas vezes antes, que já lhes perdi a conta.
Mas é como se costuma dizer, "the stripes on a tiger are hard to change", e se calhar eu é que sou ingénua por ainda acreditar que as pessoas mudam. Porque, na maioria das vezes, isso não acontece. As pessoas não mudam, pelo menos não quando não se sentem mal com elas mesmas e com aquilo que fazem. As pessoas não mudam se não se sentirem arrependidas por aquilo que fizeram. As pessoas não mudam se não se preocuparem (o suficiente, pelo menos) com as outras pessoas, para além delas mesmas, se não gostarem dessas outras pessoas e se não se quiserem o seu melhor.
E eu gostava de poder escrever sobre ti, sabendo ao certo daquilo que falo. Gostava de saber se alguma vez gostaste mesmo de mim, se alguma vez te preocupaste a sério comigo, se alguma vez olhaste para mim e viste alguém verdadeiramente interessante, alguém para além daquela pessoa que tu sabias que iria estar sempre ali, à tua espera, quando tu quisesses, para fazer aquilo que tu quisesses. Mas faltam-me essas respostas, e muitas outras, e não faço a mínima ideia se alguma vez as terei.
E gostava também de acreditar naquilo que me dizias há uns poucos meses atrás... que gostavas de ter aproveitado melhor o tempo comigo, que te marquei, que te lembras dos nossos momentos, daquelas pequenas grandes coisas que constituíam o "nós" que éramos. Mas, mais uma vez, não consigo acreditar (completamente), porque não tenho qualquer prova disso.
Seis meses depois, sinto que vivi tudo numa outra vida, ou então que tudo não passou de um sonho muito longo. Seis meses depois, sinto que já não posso ter certezas de absolutamente nada que te diga respeito. Seis meses depois, sinto que voltaste a escapar-me entre os dedos, quando achava que íamos continuar durante mais algum tempo. Seis meses depois, sinto que passou uma eternidade, e que és novamente um desconhecido para mim.
E hoje, exactamente seis meses depois da primeira de várias fantásticas tardes de Verão, sinto mais saudades tuas do que alguma vez senti, e do que alguma vez julguei ser possível.
Something always keeps me holding on to nothing.
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