Chego à conclusão que a revolta me alimenta a vontade de escrever, por isso cá vai, livremente e correndo o risco de magoar (mais) quem possivelmente me estará a ler:
No meio disto tudo, ainda há alguém que ache que eu não estou magoada? Ainda há alguém que ache que eu estou a ser egoísta e a (não) fazer isto apenas por mim? Ainda há alguém que ache que eu estou equilibrada e a conseguir gerir tudo bem? Porque eu não estou, acreditem em mim. Eu estou completamente perdida no meio deste triângulo-barra-quadrado-amoroso e não faço a mais pálida ideia do que devo (não) fazer agora.
Sinto-me culpada por não gostar de alguém que gosta de mim. Sinto-me culpada por não querer escolher entre dois amigos meus. Sinto-me culpada por estar a magoar duas pessoas (e a mim) por não saber lidar com esta situação. E enquanto o meu coração de manteiga me diz para me sentir culpada, porque a culpa é minha, o meu lado racional diz-me que não tenho culpa de nada, ou de quase nada, e como tal tenho de parar de me sentir culpada. E eu sei, eu sei que a culpa não é minha, mas sinto-me culpada na mesma, e sinto-me culpada por me sentir culpada.
E só espero que não voltem a mandar-me compreender "o outro lado" da situação. Compreender o outro lado? Eu compreendo perfeitamente o outro lado! Eu sei perfeitamente (há meses que sei!) o que é gostar de alguém que não gosta de nós. Eu sei o quanto custa e desespera ver a pessoa de quem gostamos abraçada a outras pessoas, ou simplesmente na companhia de outras pessoas que não nós. Eu sei perfeitamente o quanto custa querer, desejar, amar alguém que não podemos ter. Eu até sei o que é gostar de alguém que nem sequer está interessado na nossa amizade - e disso não podem acusar-me agora, porque eu posso não estar apaixonada, mas continuo a querer manter a(s) amizade(s).
Mas há outra coisa, muito importante, que eu também sei - quando gostamos mesmo de alguém, queremos o melhor para essa pessoa. E quando o melhor para essa pessoa não somos nós, porque ela não nos quer, então é altura de deixar a pessoa ir, por mais que custe. E com "deixar ir" não digo que tenhamos de nos esquecer dela e de tirá-la da nossa vida, porque "deixar ir" não é esquecer. "Deixar ir" é deixar de interferir. "Deixar ir" é deixar a pessoa fazer as suas escolhas e aceitar que ela não nos quer a nós. Quando não há nada a fazer, devemos simplesmente deixar de tentar.
Espero que tenham consciência que não é a pressionar-me, ou a tentar afastar de mim as pessoas de quem eu gosto, que vão fazer-me gostar mais de vocês. Eu odeio pressões e cenas de ciúmes injustificadas - porque eu não namoro! - e estou numa verdadeira fúria por saber que andam a "tornear" as palavras que eu disse, para "me dar espaço".
Quantas vezes é que eu preciso de dizer que não quero espaço? Que não preciso de espaço? Só preciso que entendam, de uma vez, que eu sou livre e como tal posso fazer as escolhas que quiser, e posso escolher quem eu quiser.
Mas o que me revolta mais é que neste caso nem há escolha, nem qualquer competição - a escolha foi feita há três anos e quatro meses, e a concorrência está automaticamente eliminada enquanto eu continuar a sentir aquilo que sinto, por quem sinto. É que se eu escondesse e andasse por aí a dizer que não gosto de ninguém... mas não. Eu ainda por cima admito aquilo que sinto, porque esconder não me ia levar a lado nenhum.
Por isso façam-me um grande favor: se querem ser meus amigos, aceitem-me como eu estou agora, com a minha "bagagem" e com os meus "assuntos por resolver". Os amigos não podem ser um peso, têm de ser um suporte (mútuo).
Eu compreendo que a situação, tal como tem estado, é insustentável e alguém acabaria por se fartar e sentir necessidade de se afastar. Compreendo perfeitamente.
O que não compreendo é que continuem a interferir continuamente na minha vida e a falar uns com os outros sobre aquilo que eu quero ou deixo de querer. Isso é comigo e se querem saber, falam comigo e não com outra pessoa qualquer. Aquilo que eu sinto, sou eu que tenho de dizer, a quem eu achar que devo dizer. Eu não quero que ninguém se afaste de mim. Eu não quero que andem por aí a dizer que o facto de X pessoa aparecer na minha vida só me está a deixar confusa ou que N pessoa me anda a fazer mal e eu devia esquecê-la. A vida é minha e eu faço o que bem quiser, lamento muito se não me deixo controlar.
Ando há três semanas a tentar gerir os meus próprios problemas - que já não são poucos, diga-se de passagem - e também os problemas de mais duas outras pessoas. E sabem que mais? Estou farta. Não quero magoar ninguém mas estou cansada de me magoar a mim. E não me estou a fazer de vítima quando digo que a pessoa que mais está a sofrer no meio disto tudo, sou eu, que sofro (como sempre) por mim e pelos outros, que me estou a magoar ao tentar não os magoar a eles.
Eu disse que não ia fazer qualquer tipo de escolha. Não vou escolher entre a pessoa que eu amo e os meus amigos - aí, podem ter a certeza que não há escolha possível, eu vou sempre, sempre escolher quem eu amo, seja contra quem for - e os meus amigos, sejam eles quem forem, não têm o direito de me pedir para fazer essa escolha.
E também me recuso a escolher entre uns amigos e outros - não tenho de escolher e não sou capaz de o fazer. No entanto, se alguém me obrigar a escolher, escolherei sempre quem nunca me pediu para fazer escolhas.
A questão é esta, e na minha cabeça é simples: eu tenho a minha vida. Obviamente que tenho de adaptar-me às pessoas que fazem parte da minha vida, mas elas também têm de se adaptar a mim, e se são minhas amigas e gostam de mim, têm de aceitar as minhas escolhas (ou a falta delas), por muito que lhes custe e por muito que não compreendam. Eu nunca tomo decisões irreflectidas ou impensadas e faço sempre aquilo que, obviamente, considero melhor para mim, e como tal, não gosto que me acusem de não saber o que ando a fazer ou de ser egoísta e não pensar nos outros, porque isso não é verdade.
Só quero que percebam que o facto de gostarem de mim, muito ou pouco, não vos dá, simplesmente, o direito de tentarem interferir na minha vida, mesmo que achem que estão a fazer aquilo que é melhor para mim. Aprecio e agradeço o facto de me considerarem importante, mas não aceito que utilizem isso como desculpa para fazerem tudo o que quiserem e estragar as outras relações que tenho, com as outras pessoas que fazem parte da minha vida.
( Espero não ter sido demasiado injusta e acreditem que não estou a ser mal-agradecida. Mas atingi o meu limite e não aguento mais. E se chegaram até aqui, depois deste texto enorme, obrigada pela paciência. E se isto vos tocou de alguma maneira, façam o favor de me vir dizer A MIM aquilo que pensam, porque EU sou a maior interessada. )
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6 comentários:
"Eu até sei o que é gostar de alguém que nem sequer está interessado na nossa amizade", eu também sei meu bem, e diga-se de passagem que é dificil conseguir aceitar, mas se essa pessoa assim quer, não sou ninguém para a impedir. Tens toda a razão naquilo que dizes, e verás que aqueles que são teus amigos de verdade jamais te irão pedir para escolheres entre eles e umoutro alguém. São os teus sentimentos, a tua vida, as tuas escolhas de vida, o teu coração e a tua cabeça que mandam em ti, mais ninguém tem o direito de se meter. Vou cá estar, não desde sempre, mas SEMPRE que precisares. Força <3
Gostei muito do teu texto! Acho que fazes uma abordagem dos sentimentos muito inteligente... No entanto, aconselho-te a não te culpabilizares tanto, mentaliza-te de que és superior, pense que a tua auto-estima está no seu auge... Eu sei que é fácil falar quando estamos fora da situação, mas tenta...
E quando lidas com os teus amigos, não te esqueças de lhes fazeres exactamente o mesmo que gostavas que o teu 'love' te fizesse...caso não o faça... Tu sabes o que é amar e não ser amada...
Obrigada. E não queres dizer-me quem és?
'Não vou escolher entre a pessoa que eu amo e os meus amigos - aí, podem ter a certeza que não há escolha possível, eu vou sempre, sempre escolher quem eu amo, seja contra quem for - e os meus amigos, sejam eles quem forem, não têm o direito de me pedir para fazer essa escolha.'
escolha errada. e com o tempo saberás isso. embora eles não tenham o direito-pq não têm- de te pedir isso,não deves por quem amas à frente dos teus amigos. especialmente se esse alguém nem sequer quer uma amizade. é difícil,
mas ainda tens uns anos pela frente
Suponho que se aprende com os erros, não é? Então, se essa escolha for um erro, eu lido com ele quando tiver de ser, "ainda tenho uns anos pela frente".
Mas sendo a escolha errada ou não, é a que farei neste momento, se me obrigarem a fazê-la. Eu não escolhi ninguém, volto a dizê-lo, nem estou em condições de o fazer.
facepalm ó anónimo adulto, sábio e experiente.
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