Quando começo a sentir-me mais ou menos equilibrada - magoada, desiludida, desapontada (...) e muito, muito triste, mas equlibrada - arranjo sempre maneira de estragar tudo. Hoje, estraguei tudo o que tinha vindo a conseguir com aquela que foi a minha opção mais certa, mais errada, mais arriscada, mais estúpida e mais gratificantete, tudo em simultâneo.
Nem sei para que fui lá falar com ele. Honestamente, eu já calculava as respostas que ia receber, não poderiam ser outras. Foi uma espécie de "desculpa" que arranjei quase inconscientemente para poder ouvir a voz dele. Para sentir que, de algum modo, ainda posso falar com ele se quiser, mesmo que não deva.
Foi uma pequena conversa de nada. Alguns sorrisos, um piscar de olho, sim - e depois? E depois, supostamente não deveria ter acontecido nada. Mas o meu coração não se coibiu de bater (muito) mais rápido, as minhas mãos não se impediram de tremer do nervosismo. Não consegui evitar ficar feliz por aquela ninharia. E depois... e depois, uns minutos mais tarde, também não consegui impedir as lágrimas que ninguém percebeu, nem a sensação de desespero e vazio que já não me atingia há uns dias.
Eu aguento-me todos os dias, e faço um enorme esforço por isso, do qual ninguém se apercebe senão eu. Não é fácil para mim participar em conversas que muitas vezes não me interessam, apenas para me sentir 'integrada' e menos sozinha. Não é fácil tentar evitar que o nome dele soe dentro da minha cabeça como se fosse uma melodia que não consigo deixar de ouvir porque não conheço outra. Não é fácil concentrar-me noutra coisa que não sejam as saudades que me devoram, por vezes, e me deixam totalmente exausta de tanto as tentar combater com qualquer outra coisa que me distraia delas. Acho que tenho feito um bom trabalho nos últimos dias - não me tenho queixado muito e o meu humor até tem estado bastante estável.
Mas às vezes não dá. Ainda estou demasiado apaixonada e ainda não consigo convencer-me que acabou, acabou, acabou, acabou mesmo.
Eu só pedi para não deixarmos de falar.
No entanto, olho para ti e sinto que já não te conheço.
E é isso que dói mais.
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