Já cheguei, por várias vezes, à conclusão que as expectativas elevadas raramente nos levam a algum lado. Hoje, a tarde que tive foi mais uma prova disso - uma prova inegável, de facto.
Não sei bem do que é que estava à espera, porque depois daquilo que aconteceu na Passagem de Ano, mais as inúmeras confusões, as discussões parvas, a amizade que ficou "on-e-off" e as semanas de silêncio pelas quais passámos, nunca poderíamos estar iguais ao que estávamos da última vez que nos despedimos - não só por tudo aquilo que nos aconteceu, "juntos", mas sobretudo por tudo aquilo que nos aconteceu separadamente e que nos mudou irreversivelmente.
No entanto, eu não estava à espera do que (não) aconteceu. Tive um grande sorriso e um abraço maior ainda logo que cheguei... mas depois não passou disso. Não passou disso, quando tudo o que eu precisava era de sentir que podíamos voltar a ser realmente amigos, amigos próximos.
Pelos vistos enganei-me - engano-me sempre com as pessoas de quem realmente gosto, não é? Pelos vistos mudámos demasiado - e a cumplicidade, o carinho, a ternura e aquele entendimento todo que faziam da nossa uma amizade 'brilhante', perdeu-se numa noite de Janeiro, há muito tempo atrás.
Sempre pensei que chegaria aqui, hoje à noite, depois de um reencontro após mais de dez meses sem te ver, e poderia dizer, orgulhosamente, que te adoro e que continuas a ser muito importante para mim, e que adorei a hora que passei contigo hoje.
Não posso. Adoro-te, sim, e continuas a ser muito importante para mim, porque as pessoas (para mim) nunca se esquecem. Mas não gostei da tarde de hoje - posso mesmo descrevê-la como tendo sido "miserável", porque me senti totalmente desenquadrada e não parava de me perguntar o que estava a fazer ali.
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