Aqui, onde eu vivo, toda a gente sabe da vida de toda a gente, e se não sabem, inventam, porque dá sempre jeito ter motivos de conversa e falar da vida dos outros é muito giro. Esta cidade é muito pródiga no "diz que diz", toda a gente conhece todas a gente e toda a gente se interessa por aquilo que cada um faz ou deixa de fazer. É por isso que acho impressionante que pessoas - que dizem ser "discretas" e gostam de situações do género "What happen is Vegas stays in Vegas" - se esqueçam tão frequentemente da cidade pequena em que vivem, das pessoas com quem têm de conviver regularmente.
Habitualmente não gosto nada desta situação, mas se passar por cima da morbidez e da desilusão, acaba por ser engraçado. Já não me esforço minimamente por obter informações, mas elas vêm-me parar às mãos, mesmo sem eu querer.
E lá está, tudo isto me leva a referir aqui outra vez, em português bem claro, que eu não sou burra. Podem tentar esconder-me as coisas, mas elas acabam sempre por chegar a mim de uma maneira ou de outra - seja porque olho pela janela por mero acaso, seja porque me contam e trazem provas indubitáveis. Posso ser (e sou!) muita coisa, mas burra? Garanto que não sou. E como tal agradecia se parassem de agir como se fosse.
Este texto põe um ponto final na situação e é por isso que o escrevo - vou pôr isto para trás das costas e fingir que nunca soube nada. No entanto, a pouca confiança que havia esvaiou-se no nada. E sem confiança, não vale a pena continuar.
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