A memória é a escola da vida.
Hoje estive a olhar-te durante longos momentos, como já não fazia há meses. Observei cada um dos teus gestos e absorvi cada um dos teus sorrisos, fingindo que era para mim que os desenhavas, como o fazias tantas vezes antes.É verdade que tenho saudades tuas. Aliás, saudades nossas. Daqueles momentos em que me perdia completamente em ti e nada mais existia no mundo para além de nós dois, os teus beijos, os teus abraços, os teus olhares, as tuas palavras, a tua atenção.
E talvez agora tenha ainda mais saudades tuas, agora que várias pessoas me dizem que gostavam muito de me ver contigo, outra vez. Mas não é isso que eu quero. Não preciso de voltar a ter-te só para mim, como dantes, porque na verdade não te amo... já não te amo. Mas tenho saudades tuas, porque durante dois anos foste tudo para mim e tudo em mim, vivi contigo e para ti, experimentei contigo sensações e emoções como nunca antes experimentara... foste tudo. Foste. Já não és. Mas tenho saudades tuas.
Custa ver-te com ela, com ela de quem eu não gosto e que não gosta de mim. Porque se não fosse ela, nós podíamos ser amigos, mesmo sem nos amarmos. Se não fosse ela, podias ter ficado na minha vida e eu na tua, porque já não nos odiamos. Se não fosse ela, não precisavas de esconder os teus sorrisos para mim e eu não precisava de esconder que tenho saudades tuas. Se não fosse ela...
Não. De facto ela existe. E tu fizeste a tua escolha. Aliás, escolheste-a em vez de mim. Por isso, boa sorte. As saudades permanecem. Talvez eu esteja aqui quando ela for embora. Ou talvez não. Mas não me esqueças...
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1 comentário:
Gostei muito do texto, esta fantastico a sério. Identifiquei-me em cada palavra... Um beijinho, olharocéu
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