Meu amor.
As palavras faltam-me para explicar-te o que estou a sentir - mas é bom. Porque elas faltam sempre quando eu estou feliz: é como se a felicidade fosse, para mim, algo tão raro, que nunca sei como exprimir-me quando me sinto assim.
Há dois meses que sou a pessoa mais feliz do mundo - porque foi há dois meses que te encontrei. Lembro-me de estar tão incrivelmente nervosa que nem sequer contei a ninguém que íamos tomar café, cheia de medo que por algum motivo cancelasses à última da hora. Lembro-me de quase não ter saído de casa, porque, ainda antes de te conhecer, já sabias que ias ser especial - afinal de contas, nunca antes tinha sentido tal atracção física por ninguém, e sabia que de alguma forma isso só ia aumentar ao ir tomar café contigo. Lembro-me de estar cheia de medo de não termos nada para dizer um ao outro, e de ir estragar a fantasia que tinha criado acerca de ti... uma fantasia com três anos.
Mas não. Desde o primeiro minuto, foste absolutamente incrível comigo. Desde o primeiro minuto, a conversa fluiu naturalmente, como se sempre nos tivéssemos conhecido, como se não tivéssemos acabado de trocar as primeiras palavras em anos. Desde o primeiro minuto, senti que podia falar contigo de qualquer coisa ou de coisa nenhuma, porque ias sempre compreender-me - ou pelo menos tentar - e, logo ali, contei-te pormenores e histórias da minha vida que a maioria das pessoas nem sequer sabe. Desde o primeiro minuto, senti-me impelida a mostrar-te tudo de mim, o bom e o mau, porque queria que gostasses de mim, e que gostasses de mim exactamente como eu sou - e tive sorte. Tive tanta sorte!
Passaram dois meses desde o nosso primeiro café - um café que durou dez horas. Um café que começou comigo a "abrir o jogo" e a dizer logo a coisa mais embaraçosa em que pude pensar, porque achei que mais valia pôr as cartas todas na mesa e não ficar a remoer no assunto toda a noite. Um café que começou comigo a achar que nunca íamos ter um futuro, por certos pormenores da tua vida que afinal estavam resolvidos - mas eu fui na mesma, porque, desde sempre, contigo sinto que posso, e devo, arriscar tudo. Um café que começou com duas pessoas frente a frente, numa mesa, separadas pela distância natural de quem não se conhece, e acabou no teu carro, com os teus lábios nos meus lábios, no meu pescoço, nos meus ombros, nas minhas mãos - e com a certeza de que tinhas acabado de mudar a minha vida.
Dois meses. Não parece nada, eu sei - mas temos de começar por algum lado, certo? E, no fundo, não parecem dois meses - parecem quatro, ou seis, ou oito - e sei que concordas comigo. Passamos tanto tempo juntos, partilhamos tantas coisas (mesmo as mais insignificantes), que confio em ti mais do que em todas as outras pessoas na minha vida - mesmo que me digam que é cedo e que não devo. Já o disse várias vezes: por ti, vou até ao fim do mundo, e volto, e vou até lá de novo. Quantas vezes for preciso. Porque tu és a única pessoa que alguma vez me fez sentir completa, e que, passados dois meses, continua a fazer-me apaixonar mais e mais a cada minuto que passa.
Apaixono-me por ti de cada vez que apareces à minha porta de surpresa - como hoje! - e ficas cá fora, encostado ao carro, até eu correr para ti e te dar o maior abraço do mundo. Apaixono-me por ti de cada vez que me mandas uma mensagem inesperada a dizer coisas bonitas - e são tão valiosas, porque eu sei que não gostas de falar do que sentes, nem de te mostrar vulnerável. Apaixono-me por ti de cada vez que me meto num autocarro e faço uma viagem de cinco horas só para te encontrar, no fim, à minha espera, de braços abertos. Apaixono-me por ti de cada vez que me chamas aquele nome que é só meu - só nosso - e que significa tanto para mim. Apaixono-me por ti de cada vez que estamos, lado a lado, na rua, e estendes a mão para entrelaçar os teus dedos nos meus. Apaixono-me por ti de cada vez que me deixas tocar-te onde não gostas de ser tocado. Apaixono-me por ti em cada gesto pequenino que mostra que te lembras de mim e sabes aquilo que eu quero, e gosto, e não quero, e não gosto. Apaixono-me por ti de cada vez que me ofereces o teu maior sorriso. Apaixono-me por ti de cada vez que fazemos amor e vejo o prazer estampado em cada centímetro do teu corpo, dos teus olhos, do teu sorriso. Apaixono-me por ti de cada vez que adormeço nos teus braços e tu me abraças com toda a força. Apaixono-me por ti quando acordo ao teu lado e tu me ofereces o teu mau humor matinal que eu já sei como contornar. Apaixono-me por ti quando estás a trabalhar e ficas tão concentrado que te esqueces que eu estou ali ao teu lado. Apaixono-me por ti quando és ciumento e mostras que não me queres perder. Apaixono-me por ti quando vemos filmes e me mandas calar. Apaixono-me por ti quando eu não quero falar e tu me obrigas, porque sabes que não vou descansar até desabafar tudo o que tenho para dizer, por mais idiota que seja. Apaixono-me por ti quando digo coisas parvas e tu me gozas até ao infinito. Apaixono-me por ti quando devoramos pacotes de bolachas e concluímos que somos as pessoas mais gulosas do mundo. Apaixono-me por ti quando me irritas. Apaixono-me por ti de cada vez que te vejo sorrir. Apaixono-me por ti de cada vez que usas a t-shirt azul que eu tanto gosto. Apaixono-me por ti quando vamos no carro a cantar a "nossa playlist" e tu cantas em falsete. Apaixono-me por ti quando me dizes que os teus maxilares doem de tanto sorrir. Apaixono-me por ti quando estás por perto, e apaixono-me ainda mais por ti quando estás longe e sinto a tua falta, como se me tivessem levado metade de mim. Apaixono-me por ti... sempre, e em todos os segundos!
E sei que, não interessa o que vier a seguir, vou sempre lembrar-me destes momentos e ficar feliz, e sem qualquer arrependimento, por ter apostado em ti. Em nós. Porque somos nós, que fazemos a minha vida valer a pena. Não é por acaso que sou feliz - é porque, há dois meses, tive a maior sorte do mundo. Porque te encontrei. E porque não te deixei mais.
Meu amor.
És a melhor coisa do meu mundo.
Amo-te muito, meu amor, e tanto
que, ao ter-te, te amo mais, e mais ainda
depois de ter-te, meu amor. Não finda
com o próprio amor o amor do teu encanto.


























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